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ELEIÇÕES 2026
Marcos Rocha não vai renunciar: “É muito difícil eu querer entregar o governo nas mãos de alguém que me traiu”

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Em entrevista ao vivo na SIC TV, governador afirma que não deixará o comando do Estado diante de ruptura interna e relata episódios que motivaram a decisão

Por Informa Rondônia - terça-feira, 13/01/2026 - 08h24

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Porto Velho, RO – A possibilidade de disputar uma vaga no Senado em 2026 foi afastada pelo governador de Rondônia, Marcos Rocha (União Brasil), que indicou permanecer no cargo até o fim do mandato como consequência direta da quebra de confiança dentro da estrutura do Executivo estadual. A posição foi reafirmada durante entrevista ao vivo concedida ao programa SIC News, da SIC TV (afiliada Record), exibida na noite da última segunda-feira, 12, sob intensa repercussão e participação do público.

Questionado pelo apresentador Everton Leoni sobre a chance de rever o posicionamento, Rocha afirmou que decisões dessa natureza, uma vez consolidadas, dificilmente são revertidas. Segundo ele, a escolha está associada à impossibilidade de transferir a condução do governo a alguém em quem deixou de confiar. “É muito difícil eu querer entregar o governo do estado de Rondônia nas mãos de alguém que me traiu”, declarou, sem mencionar nomes, mas relacionando o argumento a fatos internos narrados ao longo da entrevista.

Antes de abordar diretamente o cenário eleitoral, o governador fez um resgate de sua trajetória política e explicou que considerava necessário expor à população sua forma de pensar. Em sua avaliação, a política tradicional estaria marcada por práticas que classificou como enganosas, baseadas em promessas que não se sustentam. Ao relembrar o período eleitoral, descreveu-se como um candidato desacreditado, mencionando que chegou a ser tratado como “a zebra da história”. Segundo o relato, no início do mandato, questionamentos sobre sua legitimidade e experiência teriam sido feitos inclusive em Brasília, quando ouviu a indagação: “quem é você? Você não tem história. Como é que você foi eleito? Foi um acaso”.

O cenário encontrado no início da gestão também foi citado. Rondônia, conforme descreveu, era apresentada como um Estado “quebrado” e “sem dinheiro”. Diante desse contexto, afirmou ter adotado como estratégia a busca por recursos e o estabelecimento de metas administrativas. De acordo com o governador, esse direcionamento teria permitido alcançar resultados que classificou como inéditos, mencionando avanços nas áreas de educação, segurança pública e saúde.

Ao retomar objetivamente a hipótese de candidatura, Rocha relatou que a decisão de permanecer no governo envolveu conversas no âmbito familiar e político. Ele mencionou diálogo com a esposa, Luana Rocha, por ele citada como pré-candidata, afirmando que ela teria dito: “amor, eu vou fazer aquilo que você decidir”. Também citou o irmão, Sandro Rocha, ao afirmar que ambos seriam impactados no cenário eleitoral caso optasse por não concorrer.

Segundo o governador, a decisão provocou reações internas, com demonstrações de frustração entre integrantes da equipe. Ainda assim, afirmou que escolhas difíceis fazem parte da vida pública. Admitiu apenas de forma remota a possibilidade de mudança, condicionando-a a um fator pessoal. “É claro, pode ser que volte atrás, se for da vontade de Deus, sim”, disse, antes de reforçar novamente que não se sentiria confortável em entregar o governo a alguém que, em sua avaliação, rompeu a confiança.

Ao aprofundar o argumento, Rocha associou a suposta traição à responsabilidade administrativa. Disse não se sentir seguro em transferir o comando do Estado e afirmou que a quebra de confiança teria reflexos mais amplos. “Se traiu a mim, que estendi a mão, vai trair a população também”, declarou, acrescentando que sua postura no programa era pautada pela franqueza. Ao comentar que costuma sofrer críticas por essa característica, resumiu: “Eu sou sincero o tempo inteiro e apanho por ser sincero”.

O governador também demonstrou preocupação com a repercussão fragmentada de suas falas. Segundo ele, recortes isolados poderiam gerar interpretações distorcidas do conteúdo integral da entrevista. “Depois vão pegar um pedacinho, algum site meia sola, e dizer que o governador chama fulano de traidor”, afirmou, dizendo que expressava apenas o que considera verdadeiro.

Indagado sobre tentativas de diálogo com o vice-governador, Rocha afirmou que buscou recompor a relação. Relatou que a escolha do companheiro de chapa ocorreu ainda durante a campanha e que teria defendido pessoalmente essa decisão. Segundo ele, houve resistência interna à época, mas optou por manter a indicação por acreditar na atuação do então secretário. “Eu briguei com as pessoas por isso”, afirmou, ao narrar que sustentou a escolha mesmo diante de alertas políticos.

O ponto de ruptura, conforme relatado, teria ocorrido durante uma viagem oficial a Israel. Rocha disse que recebeu uma ligação do deputado estadual Jean Oliveira, então vice-líder do governo, tratando de uma proposta de emenda constitucional que permitiria ao governador continuar respondendo pelo Executivo mesmo fora do país. De acordo com o relato, o parlamentar teria argumentado que outros Poderes já adotavam esse modelo.

Na sequência desse episódio, veio o gesto que, segundo Rocha, selou a quebra de confiança. “Foi quando o vice-governador entrou na Justiça para tentar impedir essa ação”, afirmou. O governador disse que, se estivesse na posição do vice, teria optado pelo diálogo direto antes de recorrer ao Judiciário. Segundo ele, a medida poderia beneficiar qualquer gestor no futuro, inclusive o próprio vice, caso viesse a assumir o cargo.

A partir desse episódio, Rocha afirmou que sua avaliação sobre a relação mudou de forma definitiva. “A partir de agora eu não tenho mais como confiar”, declarou, conectando diretamente essa percepção à decisão de não se afastar do cargo para disputar o Senado.

Conduzida por Everton Leoni, com leitura de mensagens enviadas durante a transmissão ao vivo, a entrevista consolidou a posição do governador em relação a 2026. Mesmo admitindo, de forma hipotética, uma mudança apenas condicionada à vontade divina, Marcos Rocha reiterou que a tendência é concluir o mandato à frente do Palácio Rio Madeira, atribuindo a decisão à ruptura de confiança que, em sua avaliação, inviabilizaria a transferência do comando do Estado.

Em outros momentos da entrevista, o governador voltou a relacionar sua permanência no governo à intenção de concluir projetos e entregas administrativas em andamento. Disse que finalizar determinadas ações reforça sua decisão de permanecer no cargo. Ao mesmo tempo, afirmou que abrir mão de uma candidatura não significaria abdicar de convicções pessoais, destacando que avaliações futuras caberiam à população.

No encerramento, Rocha afirmou que tem sido procurado por diferentes pessoas interessadas no cenário político estadual, inclusive fora do meio tradicional. Segundo ele, há cidadãos sem histórico político demonstrando interesse em participar do processo eleitoral, o que classificou como positivo.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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