Pré-candidato ao governo afirma que falta estratégia eleitoral, critica escolhas recentes e aponta desafios na disputa ao Senado
Porto Velho, RO – A dificuldade da esquerda rondoniense em transformar capital político em resultados eleitorais concretos foi apontada pelo advogado Samuel Costa como um dos principais entraves para o campo progressista no estado. Pré-candidato ao governo de Rondônia, ele avaliou que o cenário atual impõe a superação de disputas internas e a adoção de uma estratégia mais objetiva para as eleições de 2026, com foco na construção de bancadas e na manutenção de representação no Senado.
Segundo Costa, o momento político exige pragmatismo. Metas claras, definição antecipada de táticas eleitorais e coordenação entre os grupos progressistas foram apontadas como condições indispensáveis para viabilizar candidaturas competitivas. Para ele, a simples multiplicação de nomes no debate estadual não garante força política, caso não esteja acompanhada de capacidade de diálogo, articulação e compromisso com o projeto nacional liderado pelo presidente Lula em Rondônia.
Ao tratar da disputa ao Senado, o pré-candidato observou que o campo progressista enfrenta um quadro complexo. Ele citou que três nomes aparecem no horizonte eleitoral: o senador Confúcio Moura, do MDB; a indigenista Neidinha Suruí; e o ex-senador Acir Gurgacz. Sobre Gurgacz, ponderou que ainda há incertezas quanto à plena regularização de seus direitos políticos, embora tenha reconhecido que, se apto, reúne força eleitoral relevante, especialmente pelo volume de recursos disponíveis. Na avaliação de Costa, Confúcio Moura é um nome consolidado, enquanto Neidinha Suruí surge como novidade e já figura, em alguns cenários, como opção competitiva entre eleitores progressistas.
No ambiente de disputas internas, Samuel Costa destacou a atuação da ex-senadora Fátima Cleide, do PT. Ele afirmou que, mesmo afastada das decisões centrais do movimento Caminhada da Esperança, ela demonstrou maturidade política ao optar por disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia. Para Costa, a escolha contribui para o fortalecimento da base progressista no Legislativo estadual. Em declaração direta, afirmou que “a Fátima Cleide é, hoje, a pessoa mais sensata desse processo”, ressaltando que a decisão representa pensamento estratégico e foco na reconstrução do campo progressista.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
O pré-candidato também abordou sua relação com os partidos políticos. De acordo com ele, não houve apoio formal do PT, do PDT ou do MDB à sua pré-candidatura, o que reforça, segundo sua avaliação, uma postura de independência. Ainda assim, afirmou que seguirá dialogando com diferentes forças políticas que considerem o desenvolvimento de Rondônia uma prioridade, citando PSB e Cidadania como legendas que reúnem quadros técnicos capazes de contribuir com o debate público.
Ao analisar o movimento Caminhada da Esperança, Costa avaliou que a iniciativa enfrenta dificuldades para manter unidade. Na sua leitura, faltaram diálogo interno e decisões mais céleres, sobretudo na definição de um nome consensual para a disputa majoritária. Essa ausência de coordenação, afirmou, comprometeu o planejamento eleitoral mais amplo do campo progressista.
A crítica também se estendeu às escolhas eleitorais recentes da esquerda no estado. Em Porto Velho, ele lembrou que o PT apoiou, em 2024, a candidatura de Célio Lopes, do PDT, que recebeu mais de R$ 3,2 milhões em recursos de campanha e, na avaliação de Costa, não apresentou retorno político consistente, além de já sinalizar migração para um partido de direita. No mesmo pleito, segundo ele, o MDB investiu cerca de R$ 3 milhões na candidatura de Euma Tourinho, que posteriormente se filiou ao Podemos.
Para Samuel Costa, essas decisões comprometeram a formação de nominatas competitivas para deputado estadual e federal. Ele afirmou que os efeitos desse conjunto de escolhas já são visíveis e criticou a ausência de autocrítica interna. Em sua avaliação final, declarou que a esquerda em Rondônia perdeu a capacidade de fazer política de forma estratégica e segue presa a narrativas do passado, sem responder aos desafios eleitorais do presente.




