Evento promovido por coletivos religiosos e pela FECAUBER discutiu empoderamento feminino, racismo estrutural e o papel dos terreiros na transformação social
Porto Velho, RO – No último sábado (29), mulheres ligadas a religiões de matriz africana em Rondônia reuniram-se no Ilê Asé Ogun Dajulekan, em Porto Velho, para participar da 1ª Roda de Conversa sobre Políticas Públicas e Empoderamento Feminino de 2025. A atividade foi organizada pelo Grupo de Trabalho de Mulheres de Axé, pela Coordenadoria de Mulheres de Terreiros de Rondônia e contou com o apoio da Federação de Candomblé e Umbanda do Estado de Rondônia (FECAUBER).
A programação se concentrou em reflexões sobre o papel das mulheres de axé na sociedade, estratégias de combate à violência de gênero, politização nas comunidades religiosas e construção de redes de apoio. A condução dos debates esteve sob a responsabilidade de Mãe Ana do Boiadeiro, que articulou as falas das participantes com foco na troca de vivências e no fortalecimento coletivo.
Durante o encontro, uma psicóloga convidada abordou o conceito de amor-próprio e sua influência na formação de relações mais saudáveis. A especialista ressaltou a importância de cultivar limites como forma de proteção pessoal e coletiva, afirmando que “uma mulher forte fortalece outras mulheres”. A ideia norteou o restante da roda, inspirando depoimentos e reflexões entre as presentes.
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Karol Rocha, madrinha de Umbanda, foi uma das participantes que relatou experiências pessoais. Em sua fala, compartilhou a trajetória de superação após viver um relacionamento abusivo por mais de quatro anos. “Vivi um relacionamento abusivo por 4 anos e meio, sofri violência doméstica e me perdi de mim mesma. Um dia, acordei e vi que isso não era eu. Me ressignifiquei como mulher, me reconstruí. A minha espiritualidade foi meu maior norte, e minha casa de axé foi meu maior acolhimento”, contou.
Os relatos abordaram, além da violência de gênero, os impactos do racismo e do machismo estruturais na vida das mulheres negras e de axé. Para as participantes, políticas públicas específicas são necessárias para garantir proteção e ampliar a presença feminina em espaços de decisão.
Um dos objetivos do evento foi expandir a discussão para além dos muros dos terreiros, promovendo o engajamento social das mulheres de religiões afro-brasileiras. A roda de conversa destacou que os espaços de culto também funcionam como núcleos de resistência, formação política e transformação social.
A presença de homens na atividade foi destacada como positiva pelas organizadoras, reforçando o papel que pessoas de todos os gêneros devem exercer no enfrentamento à desigualdade. O presidente da FECAUBER, Pai Marcelio Tenório, participou do evento e declarou: “Este momento refletiu o entendimento de que a construção de uma sociedade mais justa exige a participação de todos, independentemente do gênero.”
Lideranças religiosas e representantes da sociedade civil também estiveram presentes. Ao final da roda, a FECAUBER apresentou seu calendário de atividades para o ano. Um dos eventos destacados foi o Lavamento de Ogum Oficial, programado para ocorrer no dia 26 de abril, com concentração às 15h30 na Praça das Três Caixas D’Água, em Porto Velho.