Presidente da Câmara de Porto Velho detalha auditorias, nega irregularidades e diz que o Legislativo tem agido com responsabilidade diante das crises administrativas
Porto Velho, RO – Durante participação no podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria com o Rondônia Dinâmica, o presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, Gedeão Negreiros, fez um balanço de sua gestão e respondeu a temas que dominaram o debate público recente, como o uso das verbas indenizatórias, empréstimos pessoais de vereadores e a situação do contrato do lixo na capital.
Logo no início, ao ser questionado sobre suspeitas de “rachadinhas”, Gedeão destacou o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização implantados desde que assumiu o comando da Casa: “O meu grande desafio foi construir um controle interno forte dentro daquela casa… Hoje o meu controlador é auditor de carreira e temos uma equipe técnica com quatro advogados dando suporte”.
Ele explicou que todos os atos da Presidência e dos parlamentares passam por análise: “O Tribunal de Contas está dentro da Casa fazendo auditoria em todos os processos”.
Sobre o caso mencionado na entrevista, envolvendo o vereador Thiago Tezzari, o presidente esclareceu que o episódio “não está atrelado à verba indenizatória”, reiterando que “a Justiça está investigando” e que determinou uma apuração interna: “montei uma comissão para fazer a investigação necessária”.
Em outro momento, Gedeão abordou a informação sobre empréstimos pessoais de vereadores. Confirmou que “alguns” recorreram a financiamentos bancários, mas ressaltou que se trata de operação individual, sem envolvimento institucional: “A Câmara não tem nenhum tipo de responsabilidade… não é avalista”.
Ao tratar da crise da coleta de lixo, o presidente classificou a decisão da Câmara como “política”, mas amparada em parecer jurídico.
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“Poderíamos… a nossa decisão é política”, disse, justificando que a medida visava preservar o interesse público. Gedeão afirmou que a preocupação agora é com o impacto do impasse na saúde da população: “Estamos sem coleta há mais de oito dias… a Justiça precisa ter uma definição”.
Sobre especulações de pagamento de propina por parte de empresas do setor, foi direto: “Nunca chegou, nem conheço nenhum diretor dessa empresa. Nada dentro da Casa, isso eu garanto pra você”.
No campo administrativo, Gedeão frisou mudanças estruturais no uso de recursos.
“Hoje a Câmara Municipal de Porto Velho não tem processo de diária nem de passagem aérea”, afirmou. Segundo ele, as viagens e ações parlamentares são custeadas pela verba indenizatória, cujo valor — R$ 60 mil — está disponível no portal da transparência.
O presidente também destacou a relação de respeito com os órgãos de controle. “Nunca vou deixar de atender uma solicitação do Ministério Público e do Tribunal de Contas”, afirmou, lembrando que mantém diálogo constante com as instituições.
Na parte final da entrevista, Gedeão falou sobre sua trajetória e o cotidiano no cargo. Disse estar “aprendendo muito” na função pública, vindo da iniciativa privada, e que pretende concluir a gestão com as contas aprovadas. Revelou ainda que não será candidato a deputado estadual e elogiou a boa relação com o prefeito Léo Moraes: “Diplomática, harmônica… Hoje o prefeito tem 22 dos 23 vereadores na base”.
Ao encerrar, o presidente resumiu a responsabilidade do cargo e reafirmou o compromisso institucional: “Se for relacionado ao mandato parlamentar em si, podem ficar tranquilos. Quem está na vida pública tem que estar preparado para tudo”.




