Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

VIOLENCIA CONTRA MULHERES
Ministras participam de ato nacional contra o feminicídio em Brasília

🛠️ Acessibilidade:

Mobilização do Levante Mulheres Vivas reuniu integrantes do governo federal e organizações da sociedade civil neste domingo (7)

Por Informa Rondônia - segunda-feira, 08/12/2025 - 08h46

Facebook Instagram WhatsApp X
Conteúdo compartilhado 396 vezes

Porto Velho, RO – A mobilização Levante Mulheres Vivas reuniu, neste domingo (7), em Brasília, seis ministras, um ministro e a primeira-dama Janja Lula da Silva. O ato foi convocado por dezenas de organizações da sociedade civil e ocorreu simultaneamente em diversas capitais, após uma série de feminicídios registrados no país.

Mesmo sob chuva intensa, autoridades federais estiveram na área central da capital. O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, foi o representante masculino do governo federal que participou da manifestação. A primeira-dama também integrou o ato.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, declarou que defende a ocupação de 50% dos cargos políticos por mulheres. Durante sua fala, afirmou: “Não vamos votar em homem que agrida, que ofenda as mulheres. Não vamos votar”.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a participação masculina é necessária no enfrentamento à violência. Segundo ela: “É muito importante ter os homens ao lado da gente nessa caminhada. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa chaga da sociedade. Nós temos um problema histórico e cultural de subordinação das mulheres e temos que mudar isso”.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, recordou sua irmã, Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018. Ela relatou: “Quando Marielle foi assassinada da maneira que foi, com cinco tiros na cabeça, logo depois a mãe Bernadete, poucos anos depois, com 21 tiros na cabeça, há um recado dado para essas mulheres. A gente tá aqui hoje pra dizer que vai permanecer viva, de pé, lutando, ocupando todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai permanecer”.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participou em cadeira de rodas enquanto se recupera de uma cirurgia. Durante o ato, destacou que casos de violência contra mulheres indígenas seguem invisibilizados. Ela declarou: “Essa violência que a gente vê hoje em redes sociais, em noticiários, nos territórios indígenas acontece igualmente e nem notícia vira. Elas continuam no anonimato e ainda nem estatística viraram”.

A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, afirmou que o enfrentamento à violência contra mulheres ocorre há séculos. Segundo ela: “Isso é para que a gente possa ter a dimensão da batalha que tem pela frente. Por isso, a luta para que tenhamos salário igual para função igual, creches, direitos para que, nas universidades, as mulheres que sigam a carreira científica possam avançar sem nenhum tipo de empecilho”.

Em seu discurso, a primeira-dama Janja Lula da Silva pediu medidas mais rigorosas contra o feminicídio. Ela declarou: “Que hoje seja um dia que fique marcado na história desse movimento das mulheres pelo Brasil. A gente precisa de penas mais duras para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e, uma semana depois, estar na rua para matar outra. Isso não pode acontecer”.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, também esteve na manifestação realizada na Torre de TV, região central de Brasília.

A mobilização ocorreu após novos casos de feminicídio registrados no país. No fim de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso. Na mesma semana, duas funcionárias do Cefet-RJ foram mortas a tiros por um servidor da instituição, que se matou em seguida.

Em Brasília, na sexta-feira (5), o corpo da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, foi encontrado carbonizado. O caso é investigado como feminicídio após o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, confessar o crime.

Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero indicam que cerca de 3,7 milhões de mulheres sofreram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses. Em 2024, 1.459 feminicídios foram registrados no país, representando média de quatro mortes por dia motivadas por gênero. Em 2025, já foram contabilizados mais de 1.180 casos.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





COMENTÁRIOS: