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ELEIÇÕES
Quem são as peças no tabuleiro para o Governo de Rondônia em 2026

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Pesquisas indicam disputa aberta, múltiplos polos políticos e indefinição elevada a menos de um ano do pleito

Por Informa Rondônia - sábado, 27/12/2025 - 10h48

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Porto Velho, RO – Como se apresentam os principais personagens ao Governo de Rondônia quando o assunto são as eleições de 2026? Da direita à esquerda, esses protagonistas excursionam por pautas como segurança pública, eficiência administrativa, gestão municipal como vitrine, combate à corrupção, articulação partidária e alinhamentos com forças nacionais, enquanto pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo de 2025 retratam um ambiente de alta competitividade, com empates técnicos recorrentes, índices relevantes de indecisos e alternância de liderança conforme o cenário estimulado. Nesse tabuleiro, nomes já testados em eleições majoritárias dividem espaço com prefeitos do interior em ascensão e figuras que, mesmo fora da disputa formal, seguem influenciando o desenho das alianças e a leitura do eleitorado.

Panorama das pesquisas de intenção de voto

Pesquisas realizadas entre outubro e dezembro de 2025 revelam um cenário amplamente disputado. Em levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado em outubro, quatro cenários estimulados indicaram o senador Marcos Rogério (PL) liderando a maioria das simulações, com percentuais na casa de 23%, seguido por Fernando Máximo (União Brasil), Adaílton Fúria (PSD), Hildon Chaves (PSDB), Confúcio Moura (MDB) e Samuel Costa (Rede), com variações que oscilaram entre 23% e 2%, dependendo da composição apresentada aos entrevistados.

Na mesma rodada, um cenário específico incluiu o ex-governador Ivo Cassol (PP), que apareceu numericamente à frente, com cerca de 20%, seguido por Marcos Rogério, com 18%, e Fernando Máximo, com 16%. Apesar do desempenho expressivo, Cassol figura nas pesquisas mesmo estando formalmente inelegível, o que reforça seu peso político simbólico no eleitorado rondoniense.

Em dezembro de 2025, novo levantamento do Real Time testou cenários com e sem a presença de Cassol. Sem Marcos Rogério, Fernando Máximo liderou com 26%, enquanto Adaílton Fúria apareceu com 22%. Em outro cenário, com Cassol incluído, o ex-governador registrou 23%, empatado tecnicamente com Rogério, que pontuou 19%. Em uma simulação restrita apenas a Rogério e Fúria, ambos alcançaram 23%.

O instituto IHPEC, também em dezembro, apresentou dois cenários distintos. Em um deles, Adaílton Fúria liderou com 35,3%, contra 25,5% de Marcos Rogério. Em outro, Fúria manteve a dianteira com 33,5%, seguido por Fernando Máximo, com 28,4%. Já o Instituto Perfil, em novembro de 2025, indicou Marcos Rogério liderando isoladamente em vários cenários, chegando a 42,2%. Quando Rogério foi retirado da simulação, Fernando Máximo assumiu a liderança com 29,2%, seguido por Fúria, com 20,7%.

De forma geral, os levantamentos convergem ao apontar alto índice de indecisos, variando entre 20% e 30%, e sucessivos empates técnicos, indicando um quadro ainda aberto para 2026.

Marcos Rogério e a consolidação no campo conservador

O senador Marcos Rogério, presidente regional do PL, é um dos nomes mais frequentes na liderança das pesquisas. Publicamente, ele já declarou disposição para disputar o governo estadual. Em encontro com vereadores do partido, afirmou que “coloca seu nome à disposição para ser pré-candidato a governador” e defendeu a união das forças do campo conservador em torno de sua candidatura.

Rogério tem articulado uma possível chapa majoritária que incluiria Fernando Máximo e Bruno Scheid ao Senado. Seu discurso político está alinhado às pautas do bolsonarismo, com ênfase em segurança pública, desenvolvimento econômico e críticas a agendas progressistas, embora também tenha afirmado buscar “diálogo” com diferentes setores da sociedade. O senador mantém relação direta com lideranças nacionais do PL e já divulgou encontros com o ex-presidente Jair Bolsonaro para tratar de cenários estaduais.

Fernando Máximo e o protagonismo do centro-direita

Deputado federal mais votado de Rondônia em 2022, Fernando Máximo aparece de forma recorrente como um dos principais concorrentes ao Palácio Rio Madeira. Médico de formação, foi secretário estadual de Saúde durante a pandemia de Covid-19, período frequentemente citado por ele como experiência administrativa.

Segundo informações de bastidores, Máximo teria buscado apoio do ex-governador Ivo Cassol, embora aliados de Cassol indiquem maior proximidade deste com Marcos Rogério. Máximo mantém discurso focado em eficiência administrativa e gestão técnica. Há sinalizações públicas de que ele pode trocar de legenda, apesar de ainda não haver definição oficial sobre eventual saída do União Brasil.

Ivo Cassol e o peso político mesmo fora da disputa

Ex-governador por dois mandatos e ex-senador, Ivo Cassol aparece com pontuações expressivas em diferentes pesquisas, chegando a 23% em alguns cenários. No entanto, sua inelegibilidade é considerada definitiva para 2026. Cassol foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 2013 e cumpriu pena até 2020, o que, de acordo com a legislação vigente e entendimento jurídico consolidado, o mantém impedido de disputar eleições até 2028.

Advogados eleitorais afirmam que, independentemente de tentativas de flexibilização da Lei da Ficha Limpa, Cassol não poderá concorrer em 2026. Nos bastidores, ele tem sinalizado que ouvirá diferentes pré-candidatos, mas tende a apoiar Marcos Rogério, especialmente após o senador ter votado favoravelmente à proposta de flexibilização da Ficha Limpa, posteriormente barrada.

Adaílton Fúria e a projeção do interior

Prefeito reeleito de Cacoal pelo PSD, Adaílton Fúria consolidou-se como um dos principais nomes emergentes no cenário estadual. Em entrevistas, declarou o desejo de “transformar Rondônia como transformou Cacoal” e definiu seu posicionamento como de direita moderada. Segundo ele, “o eleitor não quer saber a cor da vaca, quer saber do leite”, em referência à rejeição a radicalismos ideológicos.

Fúria tem apresentado como credenciais os resultados de sua gestão municipal nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. Seu discurso busca dialogar com diferentes campos políticos, evitando alinhamentos rígidos. Nas pesquisas, aparece liderando alguns cenários estimulados, especialmente quando confrontado diretamente com nomes tradicionais da política estadual.

Samuel Costa e a crítica interna à esquerda

Advogado e pré-candidato pela Rede Sustentabilidade, Samuel Costa se posiciona no campo progressista. Em discursos recentes, criticou a falta de unidade da esquerda rondoniense no movimento conhecido como “Caminhada da Esperança”. Segundo ele, sem reformulações profundas, o desempenho eleitoral pode ser “pífio” em 2026, a ponto de comprometer até mesmo projetos de reeleição, como o do senador Confúcio Moura.

Costa defende renovação política, autonomia partidária e a construção de uma frente ampla sem personalismos. Também destacou que, apesar de recursos limitados, a Rede teria obtido desempenho proporcional superior ao de partidos tradicionais nas eleições municipais de 2024.

Sérgio Gonçalves e o desgaste institucional

Vice-governador de Rondônia, Sérgio Gonçalves, filiado ao União Brasil, teve sua imagem política abalada em 2025 após ser exonerado da Secretaria de Desenvolvimento Econômico pelo governador Marcos Rocha. A exoneração acentuou rumores de rompimento político entre ambos.

Aliados chegaram a cogitar a abertura de processo de cassação do vice-governador na Assembleia Legislativa, o que abriria caminho para rearranjos institucionais caso Rocha decidisse disputar o Senado. Nas pesquisas de dezembro, Gonçalves aparece com índices modestos, variando entre 4% e 7%. Apesar da possibilidade de assumir o governo interinamente em caso de renúncia de Rocha, sua pré-candidatura não foi oficialmente lançada.

Delegado Flori Cordeiro e a irreversibilidade da pré-candidatura

Prefeito de Vilhena pelo Podemos, Delegado Flori Cordeiro é tratado por aliados, como o prefeito de Porto Velho Léo Moraes, como pré-candidato “irreversível” ao governo estadual. Ex-delegado de polícia, ganhou projeção política com pautas voltadas à segurança pública e reformas administrativas.

Flori destacou-se recentemente ao negociar a transferência do Hospital Regional de Vilhena para a gestão estadual, medida que, segundo ele, liberou cerca de R$ 7 milhões mensais ao município. Em entrevistas, afirmou ter enfrentado “máfia de médicos, máfia de laboratórios” na área da saúde para melhorar os serviços públicos. Sua articulação política envolve o Podemos e grupos conservadores, com discurso fortemente associado ao combate à corrupção.

Hildon Chaves e a cautela política

Ex-prefeito de Porto Velho entre 2013 e 2020 e atual presidente da Associação dos Municípios de Rondônia (Arom), Hildon Chaves aparece como nome recorrente nas especulações eleitorais. Ao deixar a prefeitura, registrava aprovação pessoal elevada, em torno de 90%, embora seu eleitorado esteja fortemente concentrado na capital.

Nas pesquisas, Hildon aparece entre 10% e 15% das intenções de voto. Apesar de admitir a possibilidade de disputar o governo, tem mantido postura discreta, limitando-se a encontros partidários e evitando anúncios formais de pré-candidatura.

Confúcio Moura e a articulação progressista

Senador e ex-governador de Rondônia entre 2011 e 2018, Confúcio Moura segue como liderança central do MDB no estado. Em 2025, declarou apoio explícito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizando alinhamento ao campo progressista nacional. Em eventos como a “Caminhada da Esperança”, defendeu reação moderada a provocações da extrema-direita e pediu equilíbrio político.

Nas pesquisas, Confúcio oscila entre 10% e 17% das intenções de voto, mas enfrenta índices de rejeição próximos a 39%, fator que pode limitar sua competitividade. Paralelamente, articula sua reeleição ao Senado e atua na costura política do campo governista federal em Rondônia.

Movimentações partidárias, bastidores e influência nacional

O cenário é marcado por intensa movimentação partidária. O PL tem promovido seminários regionais e encontros estratégicos, enquanto União Brasil enfrenta divisões internas. O PSD e o Podemos buscam ampliar suas bases no interior, e há negociações cruzadas envolvendo lideranças municipais e nacionais.

No plano nacional, Bolsonaro e aliados demonstram interesse em manter Marcos Rogério em posição estratégica, enquanto Lula tende a apoiar o MDB local por ausência de nome próprio forte no estado. Sérgio Moro aparece como potencial fiador político de projetos do Podemos em Rondônia.

Linha do tempo recente e cenário aberto

Entre 2022 e 2025, o estado passou por reeleição do governador Marcos Rocha, confirmação da inelegibilidade de Cassol, eleições municipais que fortaleceram prefeitos como Adaílton Fúria e Léo Moraes, além de crises institucionais envolvendo o vice-governador Sérgio Gonçalves. As pesquisas mais recentes reforçam a indefinição e a possibilidade concreta de segundo turno.

A menos de um ano do pleito, o tabuleiro político rondoniense segue com múltiplas peças em movimento, alianças ainda não consolidadas e forte influência do cenário nacional. As próximas pesquisas, definições partidárias e movimentos de massa nos municípios devem ser determinantes para a configuração final da disputa em 2026.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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