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RESENHA POLÍTICA
Governo de Rondônia: os blefes de Netto, Flori, Maurício e Gurgacz

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Entre balões de ensaio ao Governo de Rondônia e o cinismo geopolítico na Venezuela, a política se revela como jogo de interesses, encenações eleitorais e subserviência travestida de estratégia

Por Robson Oliveira - terça-feira, 06/01/2026 - 14h14

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BLEFE

O ano começou com políticos de baixíssima densidade eleitoral anunciando-se como prováveis candidatos ao governo. O primeiro foi o ex-deputado federal Expedito Neto, derrotado na última campanha e esquecido até pelos próprios dirigentes do PSD. Ninguém com mais de dois neurônios levou a sério, porque é notório que seu pai, Expedito Júnior, presidente do partido, articula a candidatura do prefeito de Cacoal, Adailton Fúria. Trata-se de um blefe típico de quem não tem o que fazer. A lorota, além de inócua, constrange o próprio pai, empenhado em reunir forças para viabilizar Fúria. Tudo indica que a ideia nasceu entre um gole e outro de uísque.

LOROTA

Depois foi a vez do prefeito de Vilhena, Flori Júnior, do Podemos. Bem avaliado localmente, anunciou-se candidato ao governo com o discurso de romper a polarização entre o senador Marcos Rogério e o prefeito Adailton Fúria. O problema não está em sua condição de liderança regional, mas na tentativa de atrelar sua pretensão aos interesses políticos de Léo Moraes, prefeito da capital. Quem espera unção ao governo por vontade alheia pode tirar o cavalo da chuva. A possibilidade de o prefeito de Porto Velho embarcar nessa aventura é virtualmente nula. A lorota de Flori aponta menos para a titularidade e mais para a vice-governadoria.

EMBROMAÇÃO

Outro que aparenta ter exagerado na festa de fim de ano é o deputado federal Maurício Carvalho, do União Brasil, que também manifestou desejo de disputar a sucessão de Marcos Rocha. Trata-se de embromação em estado puro. Mentira sem sutileza. O partido possui nome com densidade eleitoral superior e o irmão de Mariana Carvalho nunca foi, não é e não será candidato a governador. O balão de ensaio pode seguir o mesmo roteiro de Vilhena. Mariana tende a ser a candidata a deputada federal do grupo empresarial da família, enquanto a Maurício restaria pleitear a vice-governadoria em uma composição mais ampla entre União Brasil e Republicanos, legendas sob controle familiar. Curiosamente, a família acumula derrotas em todas as eleições majoritárias disputadas por Mariana nos últimos anos. O lançamento soa como efeito colateral da ressaca.

EMBUSTE

Entre os que se insinuam ao governo e podem levar a ideia até o fim está o ex-senador Acir Gurgacz, do PDT. Atua em reserva, tentando empurrar o ex-governador Confúcio Moura ao cadafalso da disputa, mirando exatamente a vaga ao Senado. Ocorre que Confúcio não tem a ingenuidade nem na careca e não aceitará ser descascado por Gurgacz, isso na improvável hipótese de o ex-senador recuperar seus direitos políticos. O embuste tem lógica. O campo autodenominado de esquerda precisa de candidaturas majoritárias para dar oxigênio às proporcionais e influenciar um eventual segundo turno.

REABILITAÇÃO

Ainda no campo progressista, quem mede os passos com alguma racionalidade é a ex-senadora Fátima Cleide, do PT. Provável candidata a deputada estadual, não demonstra qualquer entusiasmo em ser empurrada à força para uma disputa federal. Ela sabe que a matemática eleitoral não é tão generosa quanto imagina a militância. Está correta na conta e na política. Recuperar um mandato é passo essencial para uma reabilitação consistente e voos futuros menos temerários.

CINISMO

A forma como Maduro foi retirado de seu país para uma prisão americana constitui afronta inequívoca à soberania venezuelana e ao Direito Internacional, do qual os Estados Unidos são signatários. Esse é um ponto. O outro é que todos sabem, desde sempre, que Maduro tentou perpetuar-se no poder por meio de um golpe. O cinismo de parte da esquerda reside em defender o golpista venezuelano enquanto condena o golpista brasileiro. Golpista é golpista, seja de direita ou de esquerda. Não há espaço democrático para quem atenta contra ela.

TRAIÇÃO

Não é preciso ser cientista político para deduzir que a operação cinematográfica da tropa de elite americana contou com colaboração decisiva de generais chavistas. A conclusão se impõe diante das baixas na guarda presidencial, todas compostas por cubanos. Foram mortos exatamente os cubanos presentes no palácio naquela noite. Não há registro de oficiais de alta patente do regime executados. A traição veio de dentro.

HÍGIDO

É igualmente revelador que, em nenhum momento, o governo americano tenha pronunciado as palavras democracia ou mudança de regime. O governo bolivariano permanece intacto, comandado pelos mesmos que há duas décadas impõem restrições às eleições livres.

LUCRO

Donald Trump, negociador pragmático, não perde tempo com abstrações democráticas. Seu idioma é o dólar. As petroleiras americanas vão abocanhar parte expressiva da PDVSA. A direita brasileira celebrou a invasão como se fosse a libertação messiânica de Bolsonaro, imaginando que o presidente americano deporia o regime para instalar outro alinhado ao extremismo local. Erraram, de novo. Errarão também nas eleições brasileiras. O interesse de Trump é o lucro para os seus. Alguns brasileiros, lamentavelmente, preferem a subserviência e sonham com intervenção externa.

AUTOR: ROBSON OLIVEIRA





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