Prefeito afirma que auditoria contratada no início da atual gestão identificou irregularidades no instituto e levou à denúncia que resultou na ação da Polícia Civil
Porto Velho, RO – O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), afirmou que a Operação Sutura, deflagrada nesta sexta-feira (16) pela Polícia Civil de Rondônia, é resultado direto de levantamentos realizados no início de sua gestão e tem como pano de fundo atos praticados durante a administração anterior, comandada por Hildon Chaves (PSDB). Embora não tenha citado nominalmente o ex-prefeito, Léo deixou claro que as suspeitas recaem sobre diretores e estruturas da “gestão passada”, período ao qual se referem os fatos investigados.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Léo Moraes classificou a operação como “urgente” e explicou que a atuação policial decorre de uma denúncia formalizada logo nos primeiros meses de sua administração, após a contratação de auditoria e contra-auditoria privadas para analisar contratos e procedimentos do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Município (Ipam). Segundo ele, os indícios levantados pela auditoria apontaram irregularidades graves, o que levou ao imediato encaminhamento das informações às autoridades competentes.
De acordo com dados divulgados pela própria Prefeitura de Porto Velho, a auditoria interna foi iniciada nos primeiros meses de 2025 e culminou na instauração de investigação pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO-II), da Polícia Civil. As informações repassadas pelo Executivo Municipal indicaram suspeitas de fraudes em contratos relacionados a serviços prestados pelo Ipam, órgão responsável tanto pelo atendimento médico dos servidores municipais, em modelo semelhante ao de plano de saúde, quanto pela gestão de aposentadorias.
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A Polícia Civil cumpriu 14 mandados de busca e apreensão na capital e no município de Guajará-Mirim. As apurações apontam que uma empresa credenciada para serviços básicos de saúde teria faturado procedimentos cirúrgicos de alta complexidade em desacordo com os contratos, além de superfaturamento, duplicação de guias médicas, manipulação de sistemas informatizados e pagamentos irregulares, envolvendo servidores públicos e particulares. As irregularidades sob investigação teriam ocorrido, em tese, entre os anos de 2020 e 2024, período que coincide integralmente com a gestão de Hildon Chaves à frente da Prefeitura de Porto Velho.
Ao comentar os fatos, Léo Moraes citou exemplos classificados por ele como cruéis. “Para vocês terem uma ideia, uma mulher, infelizmente, teria sido cobrada cinco vezes por uma cirurgia de retirada de útero”, afirmou. Segundo o prefeito, práticas desse tipo geram prejuízo direto aos servidores municipais, comprometem a sustentabilidade financeira do Ipam e afetam a sociedade como um todo. Ele defendeu que todos os fatos sejam completamente esclarecidos e que os responsáveis sejam punidos com rigor, caso as irregularidades sejam confirmadas.
A Prefeitura informou ainda que irá solicitar às autoridades policiais o detalhamento das informações obtidas a partir da análise dos materiais apreendidos durante a operação, com o objetivo de adotar medidas administrativas e legais cabíveis, caso ainda existam resquícios dessas práticas no âmbito da administração municipal. Léo Moraes destacou que a atual gestão seguirá colaborando integralmente com as investigações e reforçou que ações semelhantes vêm sendo adotadas ao longo de 2025 como parte de um esforço para fortalecer o Ipam, preservar seus recursos e garantir que os serviços prestados aos servidores sejam ampliados com transparência, controle e responsabilidade.




