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IDENTIDADE CULTURAL
Bairros históricos moldam a identidade cultural de Porto Velho desde a ferrovia

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Triângulo, Arigolândia e Caiari revelam como a ocupação urbana e a diversidade de povos influenciaram a formação da capital rondoniense

Por Informa Rondônia - segunda-feira, 19/01/2026 - 11h07

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Porto Velho, RO – A expansão urbana de Porto Velho ao longo do tempo consolidou bairros que hoje são reconhecidos como referências históricas, sociais e culturais da capital. Essas regiões surgiram a partir de ocupações ligadas à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e à chegada de diferentes grupos populacionais, que se fixaram no território e deram origem a uma identidade urbana marcada pela diversidade.

Entre os núcleos mais antigos está o bairro Caiari, apontado por historiadores como o primeiro espaço de planejamento urbano da cidade. Projetado para abrigar engenheiros e funcionários de alto escalão da ferrovia, o bairro refletiu a hierarquia social daquele período. Considerado um dos primeiros conjuntos habitacionais do Brasil, o Caiari foi inaugurado em 1940, durante o governo do presidente Getúlio Vargas, e concentra parte expressiva do patrimônio histórico da capital, com praças, edifícios públicos, instituições culturais e religiosas.

Outro território relevante no processo de formação da cidade é o Arigolândia. A região teve origem na ocupação de trabalhadores nordestinos, conhecidos como arigós, que chegaram a Porto Velho atraídos pelas atividades ligadas à ferrovia e aos seringais. Segundo a historiadora Rita Vieira, há registros de que o bairro teria funcionado, em determinado período, como área de quarentena, onde esses migrantes permaneciam por cerca de 40 dias antes de serem inseridos no trabalho da Madeira-Mamoré. Com o passar dos anos, o Arigolândia consolidou-se como espaço de organização social, manifestações culturais e memória da presença nordestina, ainda que atualmente seja reconhecido como uma área valorizada da cidade.

Já o bairro Triângulo é citado como um dos mais antigos da capital, formado de maneira espontânea nas proximidades do complexo ferroviário. Localizado entre o rio Madeira e os primeiros eixos comerciais, tornou-se ponto de circulação intensa de pessoas e mercadorias. De acordo com Rita Vieira, trabalhadores da ferrovia e famílias barbadianas residiram por longos períodos no Triângulo, o que contribuiu para a convivência entre diferentes origens e para a consolidação do bairro como espaço popular.

A historiadora também destaca a existência de antigos bairros que não fazem mais parte do mapa urbano atual, como os morros Querosene e Alto do Bode. O primeiro teria sido ocupado por migrantes nordestinos desde o ciclo da borracha, enquanto o segundo abrigava uma população afro-caribenha barbadiana, formada por mão de obra especializada trazida para atuar na construção da ferrovia.

Com o crescimento populacional, Porto Velho avançou além de seus núcleos iniciais. Novas ocupações surgiram de forma espontânea, ampliando o território urbano e incorporando diferentes bairros à dinâmica social e econômica da cidade. Esse processo, segundo a historiadora, reorganizou o espaço urbano e fortaleceu a diversidade que caracteriza a capital rondoniense.

Para o prefeito Léo Moraes, a formação desses bairros demonstra que a história da cidade não se resume a grandes obras de engenharia. Ele afirma que a presença de diferentes povos influenciou costumes, memórias e a identidade coletiva de Porto Velho. Em declaração, destacou que Caiari, Triângulo e Arigolândia concentram histórias do cotidiano, do trabalho e da cultura, preservando a trajetória dos pioneiros que contribuíram para a construção da capital às margens do rio Madeira.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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