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PRÉ-CANDIDATO AO GOVERNO
Em entrevista, prefeito de Vilhena lança desafios inéditos e ataca “clãs”, concorrentes e modelo do pedágio na BR-364

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Flori Cordeiro (Podemos) detalha "revolução" na saúde com modelo de OS, defende posicionamento de direita, critica "pés em duas canoas" de Expedito Júnior (PSD) e Expedito Netto (PT)

Por Informa Rondônia - quarta-feira, 21/01/2026 - 16h29

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Porto Velho, RO – Na tarde da última terça-feira, 20, o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, do Podemos, concedeu entrevista extensa e detalhada à redação do jornal Rondônia Dinâmica/Informa Rondônia, apresentada pelo repórter Vinicius Canova. Durante a conversa, o gestor, que se projeta como pré-candidato ao Governo do Estado, abordou polêmicas, defendeu sua gestão, fez críticas contundentes a adversários e lançou dois desafios inéditos, um deles envolvendo uma aposta de alto valor.

A entrevista iniciou com questionamentos sobre a recente viagem do prefeito e, rapidamente, adentrou o tema do pedágio na BR-364. Flori Cordeiro fez uma crítica ao modelo de cobrança, mas elogiou a qualidade das estradas concessionadas em outros estados.

“Você veja, você anda no estado de São Paulo, e as estradas são estradas decentes, são estradas funcionais. As pessoas pagam a propriedade justo, há décadas. Não tem nenhuma revolta, não tem nenhuma cobrança”, disse. No entanto, ele condenou a lógica aplicada em Rondônia: “Agora essa coisa de primeiro pagar e depois eles investirem é uma coisa um pouco… Eu acho que soa até um pouco estranho”. Ele foi além: “Se o senhor soubesse que era desse jeito, que não precisava investir um real. Era só cobrar primeiro pra depois fazer. O senhor não teria entrado na licitação?”.

Críticas a adversários e “clãs”

Questionado sobre ser um candidato “brigão”, especialmente após críticas públicas aos ex-governadores Expedito Júnior (PSD) e seu filho, Expedito Netto (recém-filiado ao PT), Flori defendeu-se afirmando ter “coragem para falar certas coisas”. Sobre os Expeditos, foi taxativo: “O senhor aposta que uma pessoa que tem minimamente um discernimento vai acreditar que o Expedito [Júnior] tá de um lado com o Fúria e o Expedito [Netto] tá do outro com o filho dele que tá dentro da casa dele e ele é de direita e ele é de esquerda ao mesmo tempo? Então quer dizer… se você cair nessa, você tá caindo, tá sendo um idiota. É isso”.

Sem nominar diretamente, o prefeito atacou os “clãs” que, segundo ele, administraram Vilhena antes de sua gestão, descrevendo um sistema político “imbatível” criado por um “gênio do mal”. “Ele criou um jeito de fazer política que você não ganhava dele. A não ser que você fosse igual a ele… Ele foi um gênio, um gênio que reduziu a capacidade da cidade de crescer em décadas”, afirmou, alegando que esse método “destruiu o serviço público” municipal.

Só um opositor…

Sobre a dinâmica com a Câmara Municipal, Flori Cordeiro afirmou que, dos 13 vereadores, 12 estão alinhados com sua gestão. Quanto ao único parlamentar da oposição, o prefeito revelou adotar uma postura provocativa para gerar reação. “Por exemplo, eu digo que ele não é um opositor que me traz problema porque ele acorda no meio-dia. Então ele não trabalha muito, então não dá pra falar”, declarou, completando em seguida que esse tipo de comentário é feito intencionalmente: “Aí ele vem e fica bravo, aí ele me ataca… Quando o senhor está entediado, o senhor vai dizer que ele acorda no meio-dia”.

A “Revolução” na Saúde e o modelo das OS

Grande parte da entrevista foi dedicada ao que Flori Cordeiro chamou de “revolução” na saúde de Vilhena. Ele detalhou a implantação de um modelo de gestão por Organização Social (OS), sem fins lucrativos, similar ao usado em hospitais de referência nacionais. “Nós colocamos a iniciativa privada para ajudar o poder público a ser eficiente”, explicou.

O prefeito creditou a resistência anterior a esse modelo a três fatores: “Máfia de branco, máfia de empresário de laboratório, e de imagem e certos, não todos, sindicatos de ladrões”. Ele desafiou: “Eu sou briguento por falar essas três coisas? Ou eu tenho independência o bastante e coragem o bastante pra desafiar esse povo a me processar e eu ir lá no Judiciário e provar que é isso mesmo que acontece”.

Segundo seus dados, o município saltou da 27ª para a 2ª posição no ranking do Ministério da Saúde entre as cidades de Rondônia, passando a ser o primeiro entre os grandes municípios. “Cacoal… a saúde dele é a trigésima terceira”, comparou, em referência ao prefeito Adaílton Fúria (PSD), seu potencial adversário.

Posicionamento ideológico e lawfare

Ao ser questionado sobre como se posicionaria no espectro ideológico, Flori Cordeiro se definiu como de direita, baseado na defesa da liberdade e do livre mercado. “As questões de costume e essa coisa toda, sinceramente, cada um faz o que bem entender. Pra mim, tanto faz. Mas a minha direita é esta direita”.

Sobre o processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, emitiu opinião: “Acho que o presidente Bolsonaro está sendo vítima de lawfare, acho que ele está sendo perseguido, acho que o Supremo Tribunal Federal não deveria estar, não tinha competência para julgá-lo… Acho que o ministro Alexandre de Moraes deveria ter julgado, é um inimigo jurado”. No entanto, afirmou não ter constrangimento em receber verbas de representantes do governo Lula, citando o senador Confúcio Moura (PT) como exemplo.

Pré-candidatura e relação com Fernando Máximo

Sobre sua pré-candidatura ao Governo de Rondônia, Flori Cordeiro afirmou que a decisão se tornou mais viável com o apoio privado do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos). “O que me deixou um pouco mais seguro disto é porque o prefeito Léo Moraes, pelo menos privadamente, me dá a palavra de que é um apoiador incondicional da campanha”.

Ele explicou que anteriormente foi especulado como vice do deputado federal Fernando Máximo, mas que o cenário mudou. “Ele decidiu que ele é o candidato a senador do PL. Então, esta preferência que a gente tinha acabou ficando vaga”.

Defesa sobre ser “advogado do PT”

O prefeito também rebateu as acusações de que já foi “advogado do PT”. Ele narrou ter atendido, no início da carreira, um cliente que era filiado ao partido por um valor baixo. “Eu era um recém-ingresso faculdade… e um cliente apareceu no meu escritório, e eu vendi os meus serviços para ele por um único caso, técnico, sem amor, sem paixão… meio salário mínimo eu recebi”. E ironizou: “Enriqueci no PT, igual o Toffoli [ministro do STF]. O Jaime Bagattoli [senador da República do PL] vende todo dia gasolina para o PT… O Tarcício de Freitas foi ministro da Dilma. Eu poderia dizer que o Bagattoli é um financiador do PT? Não, né?”.

Os dois desafios inéditos

Durante a entrevista, Flori Cordeiro lançou dois desafios, que classificou como inéditos e exclusivos. O primeiro foi encontrar outro gestor municipal no estado que tenha “colocado em ordem o serviço público”, dando aumentos salariais de cerca de 30% e, ao mesmo tempo, reduzido o percentual da folha de pagamento no orçamento de 54% para 36%, como alega ter feito em Vilhena.

O segundo desafio, e o que considerou “imbatível”, foi uma aposta valendo uma caminhonete. Ele desafiou qualquer município, inclusive a capital, a lançar um pacote de obras e serviços com recursos próprios no valor de R$ 60 milhões, como anunciou para Vilhena. “É o maior pacote de início de ano com dinheiro próprio de prefeituras do estado de Rondônia, que já se viu. Nem a capital tem condição de fazer isso aqui”, afirmou.

Minúcias da gestão e projetos

No terço final da entrevista, o prefeito detalhou minuciosamente os investimentos que compõem o pacote anunciado, que reúne ações em diferentes áreas da administração. Entre os principais pontos, citou os repasses de R$ 2,3 milhões à Associação de Mães de Autistas e de R$ 1 milhão ao Lar dos Idosos, além da execução anual de R$ 3,5 milhões destinados à substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto. O conjunto de obras inclui ainda a construção da maior escola do município, orçada em R$ 10 milhões, a implantação do programa de tarifa zero no transporte coletivo, com a aquisição de 13 ônibus, e a revitalização da principal avenida da cidade, com investimento de R$ 5,3 milhões.

Também estão previstos R$ 1 milhão para a elaboração do projeto de viaduto ou trincheira, R$ 2 milhões para a reforma do Estádio Municipal, R$ 8 milhões em obras de combate a enchentes, R$ 3,5 milhões para a ampliação da UPA com a construção de uma ala pediátrica e R$ 4 milhões voltados à implantação de praças esportivas. O pacote contempla ainda a aquisição de viaturas para a guarda de trânsito, no valor de R$ 1 milhão, o fomento à cooperativa de produtores de leite, incluindo a compra de usina e terreno, a revitalização da Praça do Ângelo Espadário, estimada em R$ 1,23 milhão, e a construção de uma cobertura externa de 300 metros em uma avenida, com investimento de R$ 6 milhões, totalizando R$ 58.948.000,00 em recursos próprios.

Sobre o programa de emagrecimento “Monjauro”, explicou que só é viável via Organização Social (OS), que permite contratações ágeis de endocrinologistas e educadores físicos sem a burocracia da licitação direta. “Nós temos lá o sistema de organização social… eu faço uma licitação mãe, para escolhê-lo, e a partir dali a lei autoriza que eu vá fazer com contratos pendurados de dispensa de licitação”, detalhou. O programa, segundo ele, começará com 80 pessoas.

Por fim, o prefeito justificou sua ausência quase total das redes sociais desde a reeleição como um “experimento sociológico” para reduzir atritos e ciúmes na administração, permitindo uma gestão mais eficiente e “desinflamada”.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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