Mulheres à frente de casas tradicionais em Porto Velho destacam ancestralidade, resistência e o direito à liberdade de crença diante do preconceito ainda presente na sociedade
Porto Velho, RO – No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, lideranças de religiões de matriz africana em Porto Velho compartilharam relatos sobre trajetória, identidade religiosa e os desafios enfrentados cotidianamente. Foram ouvidas: Marinilde de Oyá, Rita Ojuobá, Ya Nilda da Oxum e Wilma de Oyá, mulheres que comandam casas religiosas e exercem papel central na preservação de tradições ancestrais na capital rondoniense.
À frente de seus respectivos espaços religiosos, as quatro sacerdotisas relataram experiências marcadas pela responsabilidade espiritual, pela transmissão de saberes tradicionais e pela necessidade constante de afirmação do direito à fé. Segundo os relatos, a atuação vai além da condução dos rituais: envolve acolhimento social, orientação comunitária e a manutenção de práticas herdadas de gerações anteriores.
As lideranças também destacaram que, apesar dos avanços no debate público sobre diversidade religiosa, situações de preconceito e discriminação ainda fazem parte da realidade. Esse cenário, conforme relataram, exige resistência diária e fortalecimento coletivo para garantir a continuidade das casas e a segurança dos praticantes.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
Em meio aos desafios, a ancestralidade foi apontada como elemento central de sustentação. As dirigentes afirmaram que os ensinamentos transmitidos pelos mais velhos, os vínculos espirituais e o compromisso com a tradição são fatores que mantêm vivas as religiões de matriz africana, mesmo diante de contextos adversos.
No âmbito institucional, o Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre reforçou, por meio de posicionamento público, que o respeito à crença do outro constitui um direito fundamental e um dever coletivo. O órgão destacou que a liberdade religiosa é indispensável para a construção de ambientes de trabalho e de uma sociedade pautados pela igualdade, pelo respeito e pela convivência democrática.
A data de 21 de janeiro é dedicada nacionalmente ao enfrentamento da intolerância religiosa e à promoção da liberdade de crença, reafirmando princípios constitucionais e a necessidade de reconhecimento da diversidade de manifestações religiosas existentes no país.
