Corpo de Bombeiros alerta para riscos em áreas urbanas e rurais e orienta sobre prevenção e procedimentos em casos de picadas
Porto Velho, RO – Com a intensificação das chuvas na Região Amazônica, o aumento de registros de animais peçonhentos em áreas habitadas tem exigido atenção redobrada da população em Rondônia. A presença desses animais em residências, propriedades rurais e zonas periurbanas levou o governo do estado a reforçar medidas preventivas e orientações de segurança por meio do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO), diante dos riscos que acidentes desse tipo representam para a saúde.
Nesse período, é comum que espécies silvestres e peçonhentas se desloquem de seus habitats naturais e sejam encontradas em sítios, fazendas, chácaras e também dentro de casas, inclusive na área urbana. Segundo o CBMRO, a ocorrência está relacionada ao alagamento de tocas e abrigos naturais, o que força esses animais a buscarem locais secos e protegidos.
Entre os acidentes mais frequentes estão os provocados por serpentes, com predominância das jararacas do gênero Bothrops, responsáveis pela maioria dos casos na região. Também há registros envolvendo surucucus do gênero Lachesis, corais-verdadeiras do gênero Micrurus e cascavéis do gênero Crotalus. Escorpiões, especialmente o escorpião-amarelo Tityus serrulatus e outras espécies do gênero Tityus, são recorrentes, principalmente por sua adaptação aos ambientes urbanos. Acidentes com aranhas envolvem, em maior número, a aranha-armadeira do gênero Phoneutria e a aranha-marrom do gênero Loxosceles. Também são registrados casos com lagartas conhecidas como taturanas, especialmente do gênero Lonomia, que podem provocar quadros graves, como a síndrome hemorrágica. Abelhas e vespas, embora comuns em todo o país, na Amazônia podem formar grandes enxames e causar acidentes severos, sobretudo em pessoas alérgicas.
Os locais de maior incidência variam conforme o ambiente. Em áreas rurais e de mata, os animais costumam ser encontrados em trilhas, plantações, pastagens, áreas de reflorestamento e margens de rios, além de locais com acúmulo de folhas secas, troncos, cupinzeiros, palhas de babaçu ou coco e pedras. Já nas áreas urbanas e perimetropolitanas, terrenos baldios, canteiros de obras, depósitos de entulho, lixo acumulado, caixas de gordura, frestas em muros, galpões e o interior das residências, como sapatos, roupas e atrás de móveis, são apontados como pontos comuns de abrigo.
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A prevenção, segundo as orientações, passa pela manutenção de quintais, jardins e terrenos sempre limpos, com grama aparada e folhas secas recolhidas. A eliminação de possíveis abrigos é indicada, evitando o acúmulo de lixo, entulho, telhas, madeira ou materiais de construção próximos às casas. Também é recomendado vedar frestas e buracos em paredes, muros e assoalhos, além da instalação de telas em ralos de chão, pias e tanques. O acondicionamento correto do lixo doméstico, em sacos bem fechados e recipientes com tampa, é apontado como medida importante para não atrair insetos que servem de alimento para escorpiões e aranhas.
Em caso de picada ou ferroada, o CBMRO orienta que a calma seja mantida para evitar a aceleração da circulação sanguínea. O local deve ser lavado com água e sabão, o membro afetado mantido elevado e em repouso, e objetos como anéis, pulseiras ou calçados retirados para evitar garroteamento em situações de inchaço. A recomendação é procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo. Se possível, e sem qualquer risco, uma imagem do animal pode auxiliar na identificação e na definição do soro antiveneno adequado.
Procedimentos como torniquete, garrote, cortes, perfurações, sucção do local ou aplicação de substâncias caseiras são contraindicados, pois podem agravar o quadro, causar infecções, necrose ou até amputações. Também não é recomendado oferecer bebidas alcoólicas ou qualquer líquido tóxico à vítima, nem tentar capturar o animal se houver risco.
Diante de sintomas graves, como falta de ar, desmaio, inchaço excessivo ou reações alérgicas severas, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros Militar pelo 193, para prestação de primeiros socorros e encaminhamento hospitalar. O CBMRO também deve ser chamado quando o animal estiver em local que ofereça risco, como residências, escolas ou ambientes de trabalho, para que seja feita a remoção e devolução segura à natureza.
O comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia, Nivaldo de Azevedo Ferreira, ressaltou que as equipes permanecem em prontidão para atender ocorrências desse tipo e destacou que a corporação está preparada para recolher animais peçonhentos ou silvestres e transportá-los de forma segura aos seus habitats naturais. Ele enfatizou que “é muito importante que a população não hesite em pedir ajuda” e compreenda que o manejo desses animais exige técnica e o cumprimento rigoroso de instruções.




