Deputado federal do União Brasil tratou do tema em entrevista à Rádio & TV Informa na Hora, onde também falou sobre o acidente aéreo que sobreviveu, o pedágio na BR-364, alianças políticas e os planos eleitorais de Mariana Carvalho
Porto Velho, RO – O deputado federal Maurício Carvalho (União Brasil) iniciou 2025 como um parlamentar em plena rotina entre Brasília e Rondônia e terminou o ano com a convicção de que a vida pública, embora central, não é mais o único eixo de suas decisões. Sobrevivente de um acidente aéreo ocorrido no fim do ano passado, ele voltou a falar publicamente sobre o episódio pela primeira vez em entrevista ao programa “De Olho na Notícia”, apresentado por Fábio Camilo, na Rádio & TV Informa na Hora, em 26 de janeiro de 2026. O relato veio sem dramatização, mas com um peso claro: o episódio mudou sua relação com o tempo, com a família e com a política.
“Foi um ano de milagre”, resumiu ao lembrar que, além do acidente, 2025 também marcou o nascimento da filha Olívia, após um longo e difícil processo de gestação. Segundo o próprio deputado, a filha tinha menos de um mês quando ele sofreu o acidente. “A gente repensa tudo”, disse, afirmando que passou a olhar o mandato, as viagens e as prioridades sob outra perspectiva. Não por acaso, o tema abriu a entrevista e serviu como fio condutor para as reflexões que viriam depois.
Esse reposicionamento pessoal ajuda a entender a postura que Maurício descreve hoje em relação às alianças políticas locais, especialmente com o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves. Ao longo da conversa, o deputado fez questão de destacar a relação de amizade e confiança construída com Hildon, a quem atribuiu um perfil técnico e gestor. Disse acreditar que, caso o ex-prefeito mantenha uma candidatura ao Governo de Rondônia, tem chances reais de chegar ao segundo turno, citando a forma como ele assumiu a capital e a entregou ao final do mandato. O tom não foi de campanha, mas de leitura de cenário, reforçando que, para ele, política se constrói no diálogo e não apenas no período eleitoral.
Na sequência, o debate entrou em um dos temas mais sensíveis do momento em Rondônia: a cobrança de pedágio na BR-364. Maurício foi direto ao afirmar que a bancada federal não teve ingerência direta sobre o formato da concessão e que, segundo ele, o modelo já estava definido quando os deputados tomaram conhecimento. Relatou reuniões com parlamentares, disse que a maioria da bancada se posicionou contra a forma como a concessão foi implementada e explicou a estratégia adotada: uma ação judicial protocolada por meio do União Brasil, partido do qual é dirigente no estado, com assinaturas e procurações dos parlamentares federais. Em sua fala, evitou promessas de solução rápida e afirmou que qualquer reversão depende exclusivamente do Judiciário, ressaltando que não pretende “iludir a população” com discursos fáceis.
Só depois de quase uma hora de entrevista é que o tema eleitoral apareceu de forma direta. Questionado sobre 2026, Maurício afirmou que mantém sua pré-candidatura à reeleição como deputado federal, mas reconheceu que colocou o nome à disposição para discussão em um cenário muito específico: caso o vice-governador Sérgio Gonçalves não seja candidato ao Governo de Rondônia.
Segundo ele, se o governador Marcos Rocha permanecer no cargo e Sérgio assumir naturalmente o papel de candidato do União Brasil, não haveria espaço para outro nome do partido. A eventual pré-candidatura ao Palácio Rio Madeira, portanto, não é apresentada como decisão tomada, mas como hipótese condicionada a movimentos alheios à sua vontade.
Nesse mesmo tabuleiro, o nome de Mariana Carvalho aparece como peça central. O deputado afirmou que o grupo político trabalha, desde eleições anteriores, para consolidar a irmã como candidata ao Senado Federal.
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Lembrou que Mariana teve votações expressivas em disputas majoritárias e que sua atuação não se restringe à capital, mas alcança os 52 municípios do estado. A possível desistência do governador Marcos Rocha de disputar o Senado, segundo Maurício, altera o cenário e amplia as possibilidades para essa construção, ainda que ele tenha reforçado que “até abril muita coisa pode acontecer”.
Ao final da entrevista, entre comentários sobre a coordenação da bancada federal, defesa da transposição de servidores e a presidência da Comissão de Educação, Maurício voltou ao ponto inicial: a necessidade de coerência entre discurso e prática. Disse que não se vê como um político midiático, mas como alguém que prefere bastidores, articulação e entrega.
O acidente aéreo, tratado sem detalhes técnicos, surge como pano de fundo de uma mudança mais profunda: menos pressa, mais cautela e uma política pensada não apenas como projeto de poder, mas como consequência — e não ponto de partida — de decisões pessoais e familiares.
Silêncio sobre o Enamed
Outro ponto que chamou atenção ao longo da entrevista foi a completa ausência de qualquer menção aos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e ao vínculo direto de Maurício Carvalho com as instituições avaliadas.
Em mais de uma hora de conversa, o deputado não foi questionado nem abordou espontaneamente as notas atribuídas à FIMCA e à Faculdade Metropolitana — mantidas pelo Grupo Aparício Carvalho e classificadas entre os piores desempenhos de Medicina em Rondônia — tampouco comentou sua atuação privada como dirigente do grupo educacional.
O silêncio ganha relevo diante do fato de Maurício ocupar, desde 2025, a presidência da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, instância responsável justamente pelo acompanhamento, fiscalização e debate das políticas nacionais de ensino superior, incluindo a formação médica.




