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RELATO PESSOAL
“Não sei o que passou pela cabeça do governador eleito Jerônimo Santana”, diz Confúcio ao relembrar convite para chefiar a Saúde em 87

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Em texto publicado em seu blog, senador descreve surpresa ao ser escolhido secretário pelo então governador Jerônimo Santana, admite falta de experiência e narra implantação do SUS no estado

Por Informa Rondônia - segunda-feira, 26/01/2026 - 15h29

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Porto Velho, RO – Em texto publicado no domingo, 25, em seu blog pessoal, o senador Confúcio Moura (MDB) fez um relato em primeira pessoa sobre o convite que recebeu, em 1987, para assumir a Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia, durante o início do governo de Jerônimo Santana. No artigo, intitulado “Secretário de Saúde”, o parlamentar reconstrói o contexto da indicação, descreve sua formação à época, detalha as dificuldades iniciais e aponta esse episódio como decisivo para sua entrada definitiva na vida política.

Confúcio afirma que foi surpreendido ao ser convidado pelo então governador eleito. Segundo o senador, até hoje não compreende os motivos que levaram Jerônimo Santana a escolhê-lo para o cargo. “Fiquei surpreso. Talvez mais do que isso: assustado”, escreveu. À época, ele se definia como “apenas um médico de Ariquemes”, sem experiência administrativa ou atuação prévia na política institucional.

No texto, o senador relata que sua formação era a de médico generalista e que não possuía conhecimento sobre gestão pública ou estrutura administrativa da Secretaria de Saúde. Ele afirma que desconhecia o funcionamento da pasta, não tinha contato com servidores da área e não possuía qualquer familiaridade com o Hospital de Base. “Absolutamente nada. Um ignorante completo naquele universo”, registrou.

Confúcio relata que chegou a recusar o convite inicialmente e que, em conversa com o governador Jerônimo Santana e o vice-governador Orestes Muniz, indicou outros dois nomes que considerava mais preparados para a função: o médico José Augusto e Carlos Marquezine, de Vilhena. De acordo com o texto, mesmo após as indicações, o governador insistiu por cerca de trinta dias para que ele aceitasse o cargo.

No relato, o senador atribui sua escolha ao vínculo político que mantinha com Jerônimo Santana naquele período. Ele afirma que seu único “mérito” era ter sido apoiador do então deputado federal, atuando como admirador e colaborador de sua campanha eleitoral. Ao final do período de insistência, Confúcio diz que acabou aceitando o convite.

Ao assumir a Secretaria de Saúde, segundo o texto, enfrentou dificuldades operacionais imediatas. Ele afirma que não possuía conhecimento sobre processos licitatórios, não tinha equipe técnica formada e desconhecia os trâmites administrativos da pasta. “Sentei-me à mesa e fiquei ali, recebendo pedidos, anotando, tentando entender”, escreveu.

Sete dias após assumir o cargo, Confúcio relata que convocou a equipe da gestão anterior e comunicou que não haveria demissões. Na ocasião, afirmou aos servidores: “Não sei nada de saúde pública. Preciso que vocês me ajudem. Que me orientem”. Segundo o texto, essa postura resultou no apoio da equipe técnica, que ele descreve como “guerreiros”.

Ainda de acordo com o relato, ao longo do período à frente da Secretaria, a equipe implantou o Sistema Único de Saúde (SUS) em Rondônia, ampliou a rede hospitalar e estruturou unidades de atendimento em diversas regiões do estado. O senador menciona a construção de hospitais, Centros de Saúde Diferenciados (CSD) e mini-hospitais em distritos e vilas, além da formação de equipes médicas para atendimento em áreas onde antes não havia serviços de saúde.

Ao concluir o texto, Confúcio Moura afirma que a experiência à frente da Secretaria de Saúde marcou uma mudança definitiva em sua trajetória profissional. Segundo ele, a partir daquele momento, deixou gradualmente a atuação exclusiva como médico e passou a se dedicar integralmente à política.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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