Agência mantém avaliação favorável de risco-benefício, mas orienta uso apenas com prescrição e acompanhamento médico
Porto Velho, RO – O controle na dispensação das chamadas canetas emagrecedoras foi intensificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde junho de 2025, quando passou a ser exigida a retenção da receita nas farmácias. A prescrição deve ser emitida em duas vias e a venda somente pode ocorrer com a retenção do documento, procedimento semelhante ao adotado para antibióticos. As receitas têm validade de até 90 dias a partir da emissão.
A medida foi adotada após a identificação de número elevado de eventos adversos associados ao uso fora das indicações aprovadas. Segundo a agência, o objetivo foi proteger a saúde da população diante do aumento de ocorrências relacionadas ao uso inadequado desses medicamentos.
Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos no Brasil, além de seis suspeitas de casos com desfecho de óbito, conforme dados da própria Anvisa. No cenário internacional, também houve alerta semelhante. No início deste mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) comunicou risco, ainda que pequeno, de pancreatite aguda grave em usuários dessas medicações.
O novo alerta de farmacovigilância foi divulgado nesta segunda-feira (9), em Brasília, e trata dos riscos associados ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, grupo que inclui dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, esses fármacos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações descritas em bula e com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado, informou a agência.
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O monitoramento médico é considerado necessário devido à possibilidade de eventos adversos graves, entre eles pancreatite aguda, que pode apresentar formas necrotizantes e até fatais. A Anvisa ressaltou, contudo, que não houve alteração na relação entre risco e eficácia dessas substâncias. De acordo com a avaliação técnica, os benefícios terapêuticos continuam superiores aos riscos, desde que respeitadas as indicações e modos de uso aprovados.
A agência advertiu ainda que o uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, aumenta significativamente o risco de efeitos adversos e pode dificultar o diagnóstico precoce de complicações graves.
Usuários devem buscar atendimento médico imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, com possível irradiação para as costas e presença de náuseas e vômitos, sintomas compatíveis com pancreatite. Profissionais de saúde são orientados a interromper o tratamento diante de suspeita da reação e a não retomar o medicamento caso o diagnóstico seja confirmado.
A Anvisa reforçou a importância da notificação de eventos adversos por meio do sistema VigiMed, utilizado para monitoramento de ocorrências relacionadas a medicamentos e vacinas. O acompanhamento contínuo é considerado relevante, já que esses produtos estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.
Nos últimos anos, outros comunicados já haviam sido emitidos sobre o tema. Em 2024, foi divulgado alerta para risco de aspiração durante procedimentos anestésicos. Em 2025, houve comunicação sobre perda de visão rara associada à semaglutida.




