Comentário foi feito por Samuel Costa, apresentador do programa News 5.1, da Rema TV, durante debate sobre lei que afasta a tese de perdão bilionário à concessionária de energia no estado
Porto Velho, RO – Durante a edição do programa News 5.1, exibido pela Rema TV, afiliada da TV A Crítica, o apresentador Samuel Costa fez duras declarações envolvendo a atuação da Energisa em Rondônia, ao comentar o tema “Lei esclarece: não há perdão bilionário para a Energisa em Rondônia”. O assunto foi abordado após intensas discussões entre agentes políticos acerca de um suposto “perdão” bilionário de dívidas da concessionária, hipótese que vem sendo rechaçada tanto pelo Poder Executivo estadual quanto pela Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero).
Ao tratar do tema, Samuel Costa contextualizou o debate afirmando que a polêmica surgiu a partir de interpretações políticas sobre um projeto apresentado pelo Executivo e aprovado pelo Legislativo estadual. Segundo ele, apesar das negativas oficiais dos dois Poderes, o assunto ganhou repercussão pública e passou a ser amplamente discutido.
Durante o comentário, o apresentador utilizou um exemplo hipotético para explicar, de forma didática, o que classificou como a lógica econômica por trás da atuação da empresa no estado. “Imagine você aí de casa comprando uma vila de apartamento que cada apartamento o aluguel é de R$ 1 mil”, iniciou. Em seguida, detalhou o cenário proposto: “São 10 apartamentos e aí o dono da vila de apartamento te oferece por R$ 100 mil e fala, olha, me dá R$ 10 mil de entrada, me paga 18 parcelas de R$ 5 mil”.
Na sequência, Samuel Costa afirmou que, nesse exemplo, o comprador utilizaria a própria renda gerada pelos aluguéis para quitar o imóvel. “A pessoa inteligentemente dá os R$ 10 mil e fica ali com o dinheiro do aluguel dos R$ 10 mil pagando R$ 5 mil todo mês”, disse. Logo depois, completou: “E sabendo que em um ano e meio, ou seja, em 18 meses, vai quitar os R$ 90 mil com os R$ 10 mil de entrada e vai ser proprietário ad eterno, ad infinito dessa vila de apartamento”.
Após apresentar a analogia, o apresentador fez a ligação direta com a Energisa. “Foi isso que a Energisa fez”, afirmou. Segundo ele, a empresa teria adquirido a antiga concessionária de energia do estado, a Ceron, por um valor considerado baixo, assumindo passivos financeiros relevantes. “Comprou a antiga Ceron por R$ 50 mil e assumiu os passivos”, declarou.
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Samuel Costa também mencionou valores relacionados às dívidas herdadas no processo. De acordo com sua fala, a dívida inicial girava em torno de R$ 2 bilhões. “A dívida que era de R$ 2 bilhões, pagou alguns milhões e fica em torno de R$ 1,7 bilhões com o B de bola”, disse. Para dimensionar o montante, acrescentou que o valor corresponderia a “cerca de 70% do PIB de Porto Velho”.
O apresentador ainda abordou a discussão envolvendo benefícios fiscais e créditos concedidos no estado. Segundo ele, haveria a previsão de R$ 5 bilhões em créditos e benefícios destinados a diversas empresas em Rondônia, e a Energisa ficaria com uma parcela significativa desse total. “Desses 5 bilhões que vai ser concedido de crédito de benefício a diversas empresas do Estado de Rondônia, quem vai levar uma terça parte desse quantitativo, a critério da Procuradoria Geral do Estado de Rondônia e do Secretário de Finanças, que vão utilizar do ato discricionário, é a Energisa, que vai fazer lobby”, afirmou.
Na parte final do comentário, Samuel Costa adotou um tom mais enfático ao tratar da imagem da empresa junto à população. “A empresa que é inimiga do povo de Rondônia”, declarou. Em seguida, utilizou uma comparação provocativa para ilustrar o que classificou como alto grau de rejeição popular. “Faça uma pesquisa, coloca Anticristo, Adolf Hitler e Energisa, e tenta descobrir qual é a entidade mais odiada pelo rondoniense”, disse.
Ao encerrar sua fala, o apresentador concluiu com outra declaração contundente: “Sem sobra de dúvida, eleita em primeiro turno com maioria ampla dos votos, Energisa é a empresa inimiga do povo”.
O comentário foi feito no contexto de um debate que, segundo o próprio programa, buscava esclarecer que a legislação aprovada não prevê perdão bilionário de dívidas à Energisa, tese que segue sendo oficialmente negada tanto pelo Executivo estadual quanto pela Assembleia Legislativa de Rondônia.




