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ELEIÇÕES 2026
Marcos Rocha diz que “não blefa” ao descartar candidatura em 2026 e projeta avanço do PSD em Rondônia

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Governador reforça que não disputará eleições, sinaliza apoio a Adailton Fúria, critica pedágio da BR-364 e rebate rótulo de anistia fiscal em projeto sobre grandes devedores

Por Informa Rondônia - terça-feira, 10/02/2026 - 10h33

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Porto Velho, RO – O reposicionamento partidário do governador Marcos Rocha passou a ser tratado como movimento central para a reorganização do tabuleiro político de Rondônia com foco nas eleições de 2026. A migração para o PSD foi apresentada por ele como parte de uma estratégia de fortalecimento da sigla no Estado, com expectativa de montagem de chapas competitivas e ampliação da presença municipal. Nesse contexto, ele lançou um recado político direto ao afirmar: “Quem não entrar no nosso barco depois vai se arrepender”. A declaração foi feita ao comentar a procura de prefeitos e lideranças pela nova estrutura partidária, além da intenção de repetir resultados eleitorais anteriores na formação de bancadas.

Durante entrevista concedidda a Robson Oliveira, do podcast Resenha Política, também foi projetado crescimento eleitoral do partido e ventilada a possibilidade de candidatura ao Senado pela legenda, sem definição de nome. A primeira-dama Luana Rocha foi citada como liderança com potencial eleitoral expressivo. Paralelamente, o governador afirmou que decidiu trocar de partido após diálogo com lideranças nacionais e com o governador de São Paulo, além de comunicação formal ao comando do União Brasil. Segundo ele, a permanência chegou a ser considerada, mas o alinhamento político acabou sendo direcionado ao partido ligado ao prefeito de Cacoal, Adailton Fúria.

A sucessão estadual foi tratada como tema sensível, porém com sinalização clara de preferência política. O prefeito de Cacoal foi descrito pelo governador como gestor que reconhece parcerias institucionais e mantém postura considerada positiva na relação com o Estado. Foi relatado que a observação do comportamento de prefeitos após recebimento de recursos estaduais influenciou essa percepção. Nesse ponto, o governador resumiu o diferencial afirmando que seria “a capacidade de humildade da pessoa de falar a verdade”.

No campo eleitoral, Rocha reiterou que não disputará cargos em 2026 e disse que pretende concluir integralmente o mandato até janeiro de 2027. Ele declarou que não costuma blefar em decisões políticas e reafirmou que não será candidato ao Senado, mesmo citando levantamentos eleitorais favoráveis. Também afirmou que existem pesquisas direcionadas e outras consideradas confiáveis, ressaltando que não contrata levantamentos e utiliza dados apenas para leitura de cenário político e administrativo.

Ainda sobre ambiente eleitoral, o governador avaliou que parte do debate político nas redes sociais não refletiria necessariamente a opinião majoritária da população. Ele fez alerta sobre manipulação eleitoral e declarou: “Cuidado… com os enganadores”. Na mesma linha, sustentou que técnicas de comunicação poderiam ser utilizadas para influenciar o eleitorado, inclusive com formação especializada nesse tipo de estratégia.

No campo administrativo, temas estruturais dominaram parte relevante da conversa. Sobre saúde pública, foi contestada a narrativa de colapso do sistema estadual. Foi citado que filas de cirurgias eletivas teriam sido eliminadas e que houve ampliação de leitos e regularização de fornecimento de medicamentos em unidades estaduais. Sobre o Hospital João Paulo II, foi reconhecida limitação estrutural e superlotação, mas o governador afirmou que imagens negativas seriam divulgadas principalmente em momentos de pico. Ele sintetizou essa crítica ao dizer: “Somente filmam quando lota”.

Também foi revelada possibilidade de aquisição do Hospital 9 de Julho, caso ocorra negociação considerada adequada financeiramente. Segundo o governador, tratativas anteriores não avançaram por aumento expressivo do valor. Ao mencionar o tema, afirmou que era a primeira vez que comentava publicamente a possibilidade. A eventual compra permitiria, segundo ele, ampliar a capacidade hospitalar com dois grandes centros na capital.

No debate tributário, o projeto sobre grandes devedores foi defendido como mecanismo de recuperação de valores considerados difíceis de receber judicialmente. O governador rejeitou a classificação de anistia fiscal e explicou que a proposta não prevê perdão da dívida principal, mas permite negociação de juros e multas. Ele afirmou que a intenção sempre foi ampliar arrecadação e declarou que o objetivo era “trazer os recursos para o Estado”. Também foi informado que parte da arrecadação seria destinada aos municípios, com percentuais vinculados a áreas como educação, saúde e obras públicas.

A proposta também foi associada à tentativa de encerrar disputas financeiras históricas entre empresas públicas estaduais e concessionárias de energia, com objetivo de retirar o tema do centro do debate eleitoral.

Outro eixo de destaque foi a política de saneamento. Foi confirmada a intenção de estruturar parceria público-privada para a CAERD, com argumento de que o modelo poderia acelerar a universalização do serviço. O governador citou experiências nacionais de concessão como referência, mas reconheceu riscos políticos e preocupação com tarifas consideradas abusivas.

No campo da infraestrutura, o tema mais sensível foi o pedágio da BR-364. A duplicação foi defendida como necessária, mas houve crítica ao modelo tarifário. O governador declarou: “Eu não sou contra o pedágio, mas não dessa forma”. Ele classificou os valores como elevados e criticou a possibilidade de cobrança antes da entrega completa das obras. Também atribuiu à bancada federal a responsabilidade principal pela fiscalização contratual, afirmando que audiências públicas após assinatura não teriam efeito prático.

No plano político interno, um episódio envolvendo o vice-governador foi tratado como superado. O governador evitou detalhar o caso e afirmou que considera legítimo o direito político do vice disputar cargos majoritários. Ele resumiu a posição afirmando: “Já virou a página”.

Ao final da entrevista, Rocha afirmou estar tranquilo em relação ao cenário político e declarou não ter ambição por novos cargos. Disse que sua prioridade é deixar projetos estruturados para continuidade administrativa após o fim do mandato.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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