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BEBIDAS ADULTERADAS
Carnaval 2026: estados reforçam alerta após mortes por metanol em bebidas alcoólicas

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Autoridades de saúde orientam foliões a consumir apenas bebidas de procedência conhecida diante de casos confirmados e investigações em andamento

Por Informa Rondônia - sábado, 14/02/2026 - 10h48

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Porto Velho, RO – A intensificação das ações de fiscalização e o reforço dos alertas ao consumidor marcam a preparação de diversos estados para o Carnaval de 2026 após a confirmação de mortes e intoxicações causadas pelo consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. O cenário preocupa autoridades de saúde, especialmente em locais que registraram ocorrências recentes, levando à adoção de medidas preventivas e campanhas de orientação à população.

Dados consolidados pelo Ministério da Saúde indicam que, ao longo de 2025, foram confirmados 76 casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas no Brasil, além de 29 ocorrências ainda sob investigação. No mesmo período, houve 25 óbitos confirmados e outros oito em apuração. Em 2026, até o dia 3 de fevereiro, sete casos já haviam sido confirmados e 13 permaneciam em investigação.

O estado de São Paulo concentrou o maior número de registros. A Secretaria de Estado da Saúde informou que foram confirmados 52 casos de intoxicação por metanol, com 12 mortes. As vítimas incluíram moradores da capital paulista, de São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí, Sorocaba e Mauá, com idades entre 23 e 62 anos. Outras quatro mortes seguem em investigação, envolvendo pacientes de Guariba, São José dos Campos e Cajamar. Diante do quadro, a pasta reforçou a orientação para que a população adquira apenas bebidas de estabelecimentos regularizados, verifique rótulos, lacres e selos fiscais e evite produtos de origem desconhecida.

Em São Paulo, o Centro de Vigilância Sanitária coordena operações com as vigilâncias municipais, responsáveis por inspecionar bares, empresas e vendedores ambulantes, com foco na origem e procedência das bebidas comercializadas durante o período festivo. A recomendação oficial é de atenção redobrada por parte dos comerciantes e cautela dos consumidores.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou oito casos de intoxicação por metanol, com cinco mortes registradas em outubro e novembro de 2025. A pasta alertou que bebidas destiladas de procedência duvidosa podem conter substâncias altamente tóxicas e orientou a população a desconfiar de preços muito abaixo do mercado, evitar misturas prontas vendidas em recipientes inadequados e priorizar produtos lacrados adquiridos em estabelecimentos licenciados. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária informou que pretende ultrapassar 500 inspeções sanitárias, incluindo fiscalizações em bares, camarotes, restaurantes e comércio ambulante.

Na Bahia, nove casos de intoxicação por metanol foram confirmados, com três óbitos registrados em Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. A Secretaria da Saúde informou que reforçou os estoques do antídoto utilizado no tratamento da intoxicação e incentivou os municípios a ampliar a fiscalização da venda e distribuição de bebidas destiladas.

O Paraná encerrou, em novembro de 2025, a Sala de Situação criada para monitorar os casos de intoxicação por metanol. O estado confirmou seis ocorrências, das quais três resultaram em mortes. Já em Mato Grosso, apesar da ausência de novos casos confirmados há mais de 30 dias, a Secretaria de Estado de Saúde informou que manteve as ações de vigilância e fiscalização. O estado contabilizou seis casos confirmados e quatro óbitos entre novembro e dezembro de 2025, com orientação para que foliões procurem atendimento imediato diante de sintomas suspeitos.

No Rio de Janeiro, não houve registro de casos ou mortes relacionados ao consumo de metanol em bebidas. Mesmo assim, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon intensificaram as ações de fiscalização com o uso de um laboratório itinerante capaz de testar bebidas em tempo real. Durante operações realizadas em blocos da zona sul e do centro da capital e no Sambódromo, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos. Segundo o secretário Gutemberg Fonseca, a comercialização desses produtos representa prática criminosa e risco direto à vida dos consumidores.

Especialistas alertam que a intoxicação por metanol pode apresentar sintomas iniciais semelhantes aos de uma ressaca comum, o que dificulta a identificação precoce. O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho explicou que o metanol, ao ser metabolizado, gera substâncias altamente tóxicas que afetam principalmente o sistema nervoso, podendo causar acidose metabólica grave, alterações visuais, convulsões, coma e até a morte. De acordo com o médico, os sintomas costumam surgir entre seis e 24 horas após a ingestão, podendo se manifestar até 48 horas depois.

O Ministério da Saúde orienta que, diante de sinais como visão turva, dor abdominal intensa, tontura ou confusão mental após o consumo de bebidas alcoólicas, a pessoa procure imediatamente uma unidade de saúde, sem aguardar confirmação laboratorial. A recomendação preventiva é consumir apenas bebidas de procedência conhecida, evitar produtos sem rótulo ou vendidos em condições suspeitas e relatar ao serviço de emergência qualquer suspeita de ingestão de bebida adulterada.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





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