Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

PREVENÇÃO
Especialistas reforçam hidratação e alimentação adequada para reduzir riscos à saúde no carnaval

🛠️ Acessibilidade:

Calor intenso, álcool e alimentação irregular exigem cuidados redobrados para evitar desidratação, infecções e complicações cardiovasculares

Por Informa Rondônia - sábado, 14/02/2026 - 10h59

Facebook Instagram WhatsApp X
Conteúdo compartilhado 36 vezes

Porto Velho, RO – Problemas de saúde recorrentes durante o carnaval, como desidratação, distúrbios gastrointestinais e complicações cardiovasculares, têm levado especialistas a reforçar orientações preventivas para quem pretende passar longos períodos em blocos de rua e eventos ao ar livre. A combinação de calor intenso, consumo de álcool, privação de sono e alimentação inadequada cria um cenário de maior risco ao organismo.

Entre os pontos considerados centrais está a hidratação. A recomendação mínima indicada por profissionais de saúde é a ingestão diária de pelo menos dois litros de água, podendo ser maior conforme o peso corporal e a exposição ao calor. A perda hídrica ocorre de forma acelerada por meio do suor, do consumo de bebidas alcoólicas e do esforço físico prolongado, o que pode comprometer o funcionamento do sistema digestivo, reduzir a imunidade e provocar tonturas e quedas de pressão.

A nutricionista Anete Mecenas explicou que o folião tende a permanecer muitas horas na rua, sob altas temperaturas, o que torna essencial o consumo frequente de líquidos como água, água de coco e bebidas isotônicas. Segundo ela, essas opções ajudam a prevenir mal-estar relacionado à desidratação. Também foi destacado que pular refeições ou permanecer longos períodos sem se alimentar pode levar à queda de glicemia, aumentando o risco de tontura e fraqueza.

A orientação é optar por refeições leves e regulares, com alimentos de fácil digestão. Frutas, iogurtes, sanduíches naturais, castanhas e barras de cereais com menor quantidade de conservantes foram citados como alternativas adequadas. A nutricionista alertou ainda para o risco de consumir alimentos como maioneses e produtos mal conservados, comuns em ambientes de rua, que podem favorecer contaminações e infecções intestinais.

Outro ponto de atenção envolve a procedência dos alimentos. Carnes armazenadas em temperatura inadequada, sanduíches mantidos por longos períodos em isopor e produtos vendidos sem controle sanitário aumentam o risco de gastroenterites bacterianas. Alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, açúcar e sódio, também devem ser evitados, pois oferecem baixo valor nutricional e podem agravar desconfortos gastrointestinais, especialmente quando associados ao álcool.

Para reduzir esses riscos, a recomendação é priorizar alimentos minimamente processados, como frutas, verduras e legumes, e, sempre que possível, realizar uma refeição mais completa. Segundo a nutricionista, uma alimentação simples à base de arroz, feijão, legumes e proteína magra contribui mais para o equilíbrio do organismo do que produtos industrializados consumidos de forma improvisada.

O consumo de álcool merece atenção específica. A orientação é evitar beber em jejum e intercalar cada dose alcoólica com água, como forma de minimizar a desidratação. Após o período de festas, o ideal é adotar uma alimentação rica em proteínas, vitaminas e minerais, favorecendo a recuperação do organismo.

O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa destacou que a hidratação funciona como uma estratégia de controle de danos durante o carnaval, período marcado por fatores de risco conhecidos, como pouco sono, calor excessivo, exposição ao sol, álcool e alimentação irregular. Segundo ele, esses fatores explicam o aumento de atendimentos em prontos-socorros com quadros de diarreia, vômito, gastrite intensa, refluxo e desidratação, além de casos de hepatite alcoólica.

O médico ressaltou que parte dessas ocorrências pode ser evitada. A perda de líquidos reduz o fluxo sanguíneo gastrointestinal, favorece dores abdominais, constipação e queda da imunidade. Ele indicou que a ingestão mínima de água deve ser de cerca de 35 mililitros por quilo de peso corporal, especialmente em situações de risco de desidratação. O uso de bebidas isotônicas também foi apontado como útil para prevenir desequilíbrios eletrolíticos, principalmente em casos de diarreia.

Barbosa chamou atenção para o álcool como um dos principais irritantes da mucosa gástrica, capaz de aumentar o risco de gastrite, refluxo e infecções intestinais. Ele alertou ainda para bebidas vendidas sem procedência conhecida nos blocos de rua, lembrando que intoxicações por substâncias como o metanol podem causar consequências graves. A privação de sono também foi citada como fator que aumenta a permeabilidade intestinal e agrava problemas digestivos.

O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios e antiácidos, também foi apontado como um risco. Segundo o cirurgião, esses remédios podem causar úlceras, sangramentos digestivos ou mascarar sintomas mais graves. Ele reforçou que sinais persistentes, como diarreia por mais de 48 horas, vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal progressiva, exigem procura imediata por atendimento médico.

No campo cardiovascular, o cardiologista Leandro da Silva Elias alertou que as altas temperaturas sobrecarregam o coração e o sistema circulatório. O esforço do corpo para regular a temperatura pode provocar aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, desidratação e desequilíbrio de eletrólitos, elevando o risco de arritmias, desmaios, coágulos e acidente vascular cerebral.

Crianças, idosos e pessoas com comorbidades, como obesidade, diabetes, doenças cardíacas ou renais, formam o grupo mais vulnerável e precisam de cuidados adicionais. O médico destacou que sinais como suor excessivo, tontura, falta de ar, cansaço incomum e sensação de desmaio devem ser encarados como alertas. Em situações de exposição prolongada ao sol, pode ocorrer insolação, condição grave em que a temperatura corporal ultrapassa 40 °C, com risco de danos cerebrais, falência de órgãos e morte se não houver tratamento rápido.

O cardiologista também advertiu sobre o uso de drogas durante o carnaval, ressaltando que essas substâncias podem afetar significativamente o coração, aumentar palpitações e agravar quadros de desidratação. A associação entre drogas, álcool, calor e falta de líquidos amplia de forma significativa os riscos à saúde do folião.

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





COMENTÁRIOS: