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ESPAÇO ABERTO
Marcos Rocha; Confúcio Moura e o debate sobre prioridades; e Marina Silva e o impacto social da ciência

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Reflexão contrapõe avanços científicos capazes de transformar vidas à predominância de temas triviais no debate público e nas redes sociais

Por Cícero Moura - sexta-feira, 20/02/2026 - 14h36

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Nesta sexta-feira, 20, o jornalista Cícero Moura aborda como discussões políticas e sociais se cruzam com a forma como a sociedade escolhe onde colocar sua atenção, contrastando a relevância de avanços científicos que podem devolver mobilidade a pessoas com lesões medulares com o espaço desproporcional ocupado por polêmicas, disputas e temas imediatos no ambiente público e digital, além de refletir sobre os impactos éticos, culturais e econômicos dessas escolhas coletivas.

DESTAQUES

No momento em que as redes sociais fervilham com o escândalo da semana, a briga do reality show ou o tropeço de uma celebridade, uma descoberta científica com potencial de mudar radicalmente a vida de milhares de pessoas passa quase despercebida.

REVOLUÇÃO

E não se trata de possibilidades. Estamos falando de pesquisas que podem permitir que tetraplégicos voltem a andar.

PESQUISAS

Nos últimos anos, avanços liderados por instituições como a École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL) e centros hospitalares universitários na Europa vêm desenvolvendo interfaces cérebro-coluna.

PESQUISAS 2

São estimuladores neurais implantáveis e sistemas que reconectam sinais cerebrais às áreas da medula espinhal responsáveis pelo movimento.

PESQUISAS 3

Em experimentos divulgados por grupos ligados à EPFL e ao CHUV, pacientes com lesões graves na medula conseguiram ficar em pé e dar passos com auxílio de dispositivos eletrônicos que “traduzem” a intenção do cérebro em impulsos elétricos direcionados.

SOBRENATURAL

Não se trata de milagre. Trata-se de ciência de altíssimo nível, construída ao longo de décadas, envolvendo neuroengenharia, inteligência artificial e reabilitação intensiva.

FATO

É a prova de que o cérebro humano continua emitindo sinais mesmo após uma lesão medular — e que, com tecnologia adequada, esses sinais podem ser reaproveitados.

REALIDADE DA INTERNET

Embora isso seja uma revolução para a humanidade, compare o espaço dedicado a esse avanço com o espaço dado a assuntos banais.

FOFOCA

Uma polêmica trivial vira manchete principal, gera debates inflamados, ocupa horas de programação e domina timelines.

SEM INTERESSE

Já uma descoberta que pode devolver autonomia, dignidade e esperança a tetraplégicos recebe, quando muito, uma nota tímida.

PREFERÊNCIA

Isso revela algo incômodo: nossa atenção coletiva está cada vez mais capturada pelo imediato, pelo raso e pelo emocionalmente fácil.

DIVERGENTES

Ciência exige contexto, explicação, paciência. Futilidades exigem apenas reação.

MUITO ALÉM

A possibilidade de um tetraplégico voltar a dar passos não é apenas uma notícia médica. É um divisor de águas ético e social.

SAÚDE

Significa menos dependência, menos internações, menos custos públicos de longo prazo e, principalmente, mais qualidade de vida.

DEPENDÊNCIA

Significa devolver a alguém o controle sobre o próprio corpo. Movimentar muito mais do que apenas os olhos.

PAULATINAMENTE

É claro que ainda estamos em fase de testes clínicos. Não é uma solução disponível amanhã para todos.

ESPERANÇA

Há desafios técnicos, custos elevados e necessidade de validação em larga escala. Mas o simples fato de já haver pacientes com lesões severas conseguindo movimentar as pernas com auxílio de implantes é um marco histórico.

VIDA REAL

Enquanto isso, seguimos debatendo trivialidades com fervor quase religioso.

DEBATE

A questão não é ignorar o cotidiano ou os temas leves. É reequilibrar prioridades. É reconhecer que avanços científicos que ampliam a autonomia humana deveriam ocupar o centro do debate público.

INSPIRAÇÃO

Deveriam inspirar jovens a seguir carreira científica. Deveriam mobilizar investimento e políticas públicas.

CONTRAMÃO

Se a sociedade aprende a vibrar com o irrelevante e bocejar diante do extraordinário, algo está fora do eixo.

CULTURA

Talvez a verdadeira revolução não seja apenas tecnológica. Talvez seja cultural: aprender a dar mais espaço ao que transforma vidas — e menos ao que apenas entretém por alguns minutos.

FRASE

O que realmente importa quase nunca grita — exige reflexão.

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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