Presidente afirma que países em desenvolvimento podem alterar a lógica econômica mundial e destaca papel do Brics, da ONU e das parcerias internacionais
Porto Velho, RO – A possibilidade de mudanças na dinâmica econômica internacional foi apontada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao sustentar que a articulação entre países em desenvolvimento pode redefinir a lógica global. A declaração ocorreu na madrugada deste domingo (22), pouco antes de ele concluir a visita oficial à Índia e seguir viagem para a Coreia do Sul, em agenda voltada à ampliação de cooperação comercial e estratégica.
Na avaliação do presidente, o Brics tem contribuído para a construção de novos arranjos internacionais e já demonstra consolidação institucional, inclusive com a criação de um banco próprio. Ele afirmou que o grupo não pretende instituir uma moeda comum, mas defende a ampliação do comércio em moedas nacionais para reduzir custos e dependências. Segundo Lula, o objetivo é fortalecer o bloco e ampliar sua integração com outros fóruns multilaterais, evitando qualquer cenário de polarização global.
O presidente voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e reiterou a necessidade de maior representatividade e eficácia da Organização das Nações Unidas. Ele relatou ter dialogado com diversos chefes de Estado para discutir respostas conjuntas a crises recentes e afirmou que não deve ser permitido que países atuem de forma unilateral em conflitos internacionais, destacando que a ONU precisa retomar protagonismo para preservar a paz.
Sobre a relação com os Estados Unidos, Lula disse que parcerias podem avançar caso haja disposição conjunta para enfrentar o crime organizado transnacional. O presidente classificou essas organizações como estruturas multinacionais e afirmou que a cooperação entre forças policiais é essencial. Ele também defendeu que a relação da potência com a América do Sul e o Caribe seja pautada pelo respeito, ressaltando que a região é pacífica e busca desenvolvimento econômico e social.
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Ainda no campo diplomático, Lula informou que pretende discutir com o presidente Donald Trump o papel dos Estados Unidos na América do Sul e afirmou que o mundo necessita de estabilidade diante do aumento de conflitos internacionais. Ao comentar medidas comerciais adotadas pelos EUA e posteriormente revertidas pela Suprema Corte daquele país, afirmou que não cabe ao Brasil julgar decisões judiciais estrangeiras.
Durante a passagem pela Índia, o presidente relatou que as reuniões com o primeiro-ministro Narendra Modi priorizaram temas econômicos e comerciais. Ele disse que os dois países concentraram o diálogo em pontos de convergência e na meta de fortalecimento das economias nacionais. Lula também afirmou que empresários indianos demonstraram otimismo com o mercado brasileiro e sinalizaram ampliação de investimentos.
O presidente reiterou que o Brasil permanece aberto à exploração de minerais críticos e terras raras por parceiros internacionais, desde que haja agregação de valor no território nacional. Segundo ele, a transformação industrial desses recursos deve ocorrer no país, evitando a repetição de ciclos históricos de exportação de matérias-primas sem processamento.
A viagem presidencial teve início na última terça-feira (17) e inclui agendas voltadas ao comércio e à cooperação estratégica. Após compromissos em Nova Delhi, Lula desembarca em Seul neste domingo (22), onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029 para elevar o nível das relações bilaterais com a Coreia do Sul.
Com informações de: Agência Brasil




