Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

8 DE MARÇO
Manifestação do 8 de Março em Brasília cobra combate ao feminicídio, critica escala 6×1 e questiona governo do DF

🛠️ Acessibilidade:

Ato do Dia Internacional da Mulher reuniu centenas de pessoas no centro da capital federal com denúncias de violência de gênero, críticas ao governo distrital e defesa de políticas públicas para mulheres.

Por Yan Simon - segunda-feira, 09/03/2026 - 08h18

Compartilhe
37 compartilhamentos
Facebook Instagram WhatsApp X

Porto Velho, RO – Centenas de pessoas participaram, neste domingo (8), de uma manifestação em Brasília durante o Dia Internacional da Mulher. O ato ocorreu nas proximidades da Torre de TV e reuniu coletivos feministas, partidos políticos, sindicatos e grupos culturais. Entre as principais reivindicações apresentadas estavam o combate ao feminicídio, críticas ao governo do Distrito Federal e a defesa do fim da escala de trabalho seis dias por um de descanso.

Cartazes com a frase “Parem de nos matar” foram exibidos ao longo da mobilização, que denunciou a violência de gênero no país. De acordo com dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025 foram registrados 1.568 feminicídios no Brasil, número 4,7% superior ao verificado no ano anterior.

A artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, participou do ato levando a obra intitulada Medo, que retrata um revólver apontado para uma mulher. À Agência Brasil, ela afirmou que as mulheres vivem sob constante ameaça. “A mulher não tem um minuto de paz. Ela não tem sossego no seu lar. Ela não tem sossego no seu trabalho. Em todos os lugares nós podemos ser assediadas, podemos ser assassinadas. Por isso, o nome dessa obra é medo. Medo é o que toda mulher brasileira sente”, declarou.

Durante a manifestação também foram feitas críticas ao Governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha, e à vice-governadora Celina Leão. Entre os temas citados estava a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), instituição financeira estatal do DF.

A Polícia Federal investiga a tentativa de compra. O BRB avalia oferecer 12 imóveis públicos do Distrito Federal como garantia de empréstimos, após perdas estimadas em R$ 2,6 bilhões relacionadas à aquisição de créditos do Banco Master.

A representante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Jolúzia Batista, afirmou que há falta de recursos para políticas públicas voltadas às mulheres no Distrito Federal. Segundo ela, o debate sobre orçamento é central para garantir serviços, capacitação profissional e campanhas educativas voltadas à proteção de meninas e mulheres.

Outra pauta levantada na mobilização foi a necessidade de redução da jornada de trabalho. Manifestantes defenderam o fim da escala 6×1, argumentando que o modelo impacta especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam trabalho remunerado e tarefas domésticas.

A coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, Raquel Braga Rodríguez, destacou que a principal preocupação das participantes é a persistência dos casos de feminicídio. Ela disse que as manifestantes esperam que o Pacto Nacional contra o Feminicídio, anunciado pelo governo federal, seja efetivamente implementado e produza resultados na redução dos crimes.

No início de fevereiro, um acordo entre Executivo, Legislativo e Judiciário foi firmado para a adoção de medidas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero no Brasil.

A mobilização também contou com a presença da professora de música aposentada Lydia Garcia, de 88 anos, integrante do Coletivo Mulheres Negras Baobá. Militante histórica do movimento de mulheres negras do Distrito Federal, ela afirmou que a marcha expressa a luta por melhores condições de vida e contra a violência.

Uma das organizadoras da manifestação, Thammy Frisselly, ressaltou que o evento marca os dez anos da Marcha Unificada do 8 de Março na capital federal. Segundo ela, a mobilização contribuiu para avanços institucionais, como a ampliação do número de delegacias especializadas no atendimento às mulheres.

Além das pautas nacionais, o ato incluiu críticas à atuação de potências internacionais em países como Irã, Cuba e Venezuela, bem como à ação israelense na Palestina, temas que apareceram em falas e cartazes durante a marcha.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





COMENTÁRIOS: