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ELEIÇÕES 2026
Hildon Chaves diz “não estou nem aí para Lula, Bolsonaro” e afirma que bancada “cochilou” sobre pedágio na BR-364

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Ex-prefeito diz que articulação política e vazamento de filiação mudaram o cenário eleitoral, critica a condução do Heuro, aponta abuso na concessão da BR-364 e evita entrar na polarização entre Lula e Bolsonaro

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 02/04/2026 - 10h30

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Porto Velho, RO – A entrevista concedida por Hildon Chaves ao podcast Resenha Política foi marcada por declarações duras sobre temas centrais do debate público em Rondônia e por uma sequência de posicionamentos que ele apresentou como definidores de sua pré-candidatura ao governo. Ao longo da conversa com Robson Oliveira, o ex-prefeito de Porto Velho sustentou que sua entrada na disputa alterou o quadro eleitoral em curto espaço de tempo, atribuiu esse movimento à união de forças políticas e afirmou que a repercussão de sua filiação ao União Brasil superou o ambiente restrito da política e alcançou os 52 municípios do estado.

Segundo Hildon, o movimento não nasceu de um lançamento planejado, mas de um vazamento de informações que antecipou uma articulação que, segundo ele, ainda não seria divulgada naquele momento. Ele relatou que estava em Brasília, onde saiu filiado ao União Brasil pelo presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, ao lado de ACM Neto e do deputado federal Maurício Carvalho, e afirmou que, a partir desse vazamento, sua rotina política foi alterada de forma brusca. Na entrevista, ele declarou: “O sonho era que esta união de pessoas, que este grupo, se disfarcelasse. Seria tudo, seria, porque realmente isso mudou o jogo.” Em seguida, descreveu que, antes mesmo de chegar ao hotel, sua situação política já havia se transformado, e relatou que, ao desembarcar em Porto Velho durante a madrugada, saiu poucas horas depois para Cacoal, onde cumpriu agenda em rádios, sites e televisão para confirmar o novo cenário.

O ex-prefeito também apontou que houve forte pressão política para que seu nome fosse colocado à disposição. Ao explicar a aproximação com o grupo que hoje o cerca, ele disse que o movimento não foi resultado isolado da atuação de Maurício Carvalho, mas de um conjunto de lideranças. Citou nominalmente a deputada federal e pré-candidata ao Senado, Silvia Cristina, o grupo político dela, os deputados estaduais Cirone Deiró, Crispim e Ieda Chaves, além de outras forças políticas. Nas palavras dele, “houve realmente uma pressão muito grande”. Ainda nesse trecho, Hildon afirmou que, se essa movimentação for “para o bem do nosso estado de Rondônia”, seu nome está à disposição da população.

Ao tratar da composição majoritária, Hildon afirmou que a pré-candidatura de Silvia Cristina ao Senado já está fechada dentro do grupo político ao qual se vinculou. Questionado por Robson Oliveira se havia margem para revisão dessa definição, respondeu de maneira taxativa: “Não, isso aí já é prego batido e ponta virada.” Na justificativa, destacou a atuação da deputada na área da saúde e disse que ela “praticamente construiu três hospitais no Estado de Rondônia” com emendas e com o trabalho político que desenvolveu.

Outro eixo sensível da entrevista foi a forma como Hildon apresentou a própria viabilidade eleitoral. Ele revelou a existência de uma pesquisa qualitativa interna, que, segundo ele, não foi divulgada anteriormente e não se destinava à medição de intenção de voto. Na explicação que deu, afirmou que esse levantamento buscava compreender o que a população pensa e deseja e declarou que, entre os pré-candidatos avaliados naquele momento, o nome que mais se ajustava aos anseios populares era o dele. Para sustentar essa leitura, mencionou sua trajetória de 21 anos no Ministério Público, a atuação empresarial no setor educacional, com a construção de um grupo que depois foi vendido ao segundo maior grupo educacional do país, e os oito anos de gestão à frente da Prefeitura de Porto Velho. No mesmo trecho, fez uma afirmação de forte peso político e administrativo ao dizer que, até o momento da entrevista, nem ele nem seus secretários respondiam a ações da Polícia Civil, da Polícia Federal, do Tribunal de Contas do Estado ou do Tribunal de Contas da União. Na formulação usada por ele, “ninguém responde absolutamente nada”.

A área da saúde ocupou uma das partes mais tensas da conversa. Ao comentar a situação do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II e o debate sobre o futuro do chamado Heuro, Hildon declarou que o problema da rede hospitalar estadual é antigo e atravessou diferentes governos. Disse conhecer a realidade do João Paulo II desde o período em que atuou como promotor da saúde e afirmou que a crise vem desde o governo Ivo Cassol, passou pelos governos de Confúcio Moura e continua no presente. Quando entrou na discussão sobre o modelo de contratação do Heuro, afastou a crítica ao formato BTS em si e concentrou o ataque na execução do projeto em Rondônia. Ao mencionar a modelagem feita durante a gestão de Fernando Máximo na Secretaria de Estado da Saúde, afirmou que ali havia “problemas terríveis” e declarou que alertou o governador Marcos Rocha de que o consórcio escolhido não chegaria a lugar nenhum. Na fala reproduzida na entrevista, afirmou: “Eu avisei, mas insistiram. E deu no que deu.” Também disse que o líder do consórcio já havia sido preso quatro vezes, informação usada por ele para reforçar a crítica à condução do processo.

Ainda na saúde, Hildon disse que pretende adotar o mesmo caminho de contratação por BTS caso seja eleito, mas afirmou que faria a execução de maneira distinta. Segundo ele, a dificuldade não estaria no modelo, mas na forma como a atual gestão conduziu a papelada e a contratação. A frase que resumiu essa crítica foi direta: “A gestão atual, infelizmente, se atrapalhou em papel. É essa a situação. Eu pretendo fazer a mesma coisa, mas fazer.” Para reforçar a viabilidade da proposta, citou a construção da rodoviária de Porto Velho, obra que classificou como complexa e que, segundo ele, foi entregue em um ano e meio. A partir desse exemplo, sustentou que o problema está na capacidade do gestor e da equipe escolhida para tocar o projeto.

A concessão da BR-364 e a cobrança de pedágio apareceram como o ponto mais agressivo da entrevista em termos de linguagem. Hildon responsabilizou diretamente a bancada federal de Rondônia e os senadores pela forma como o processo foi conduzido e atacou o resultado licitatório. Ao comparar a concessão com procedimentos licitatórios que disse ter realizado durante sua gestão municipal, afirmou que nunca promoveu licitação sem deságio mínimo relevante e classificou como inaceitável o percentual obtido na BR-364. Em um dos trechos mais contundentes da conversa, declarou: “Isso é uma vergonha. Isso é um absurdo. Um absurdo que não tem…” Na sequência, ao explicar como, na visão dele, um gestor deveria agir diante de apenas um concorrente restante, acrescentou: “Um pregoeiro e um gestor honesto faz isso. Agora, fazer um deságio, acho que é de 0,1%. Isso é uma piada de mau gosto.” Na mesma linha, disse que “a bancada deveria ter acompanhado” e concluiu que deputados e senadores “cochilaram”.

Ao abordar a discussão sobre uma nova rota de infraestrutura e sobre a chamada Rodovia do Boi, Hildon rejeitou promessas que, segundo ele, não têm sustentação prática. Sem vincular a crítica a um nome específico, afirmou que quem assumiu compromisso de construir uma nova BR estaria mentindo. A frase usada por ele foi categórica: “Quem assumiu o compromisso de fazer uma nova BR, isso é mentira, não vai acontecer.” Em seguida, sustentou que Rondônia precisa primeiro consertar o que já está deteriorado e só depois ampliar a rede. Também declarou que, diante das controvérsias sobre a concessão, imagina fazer sentido a atuação do Ministério Público Federal e disse acreditar que “realmente houve um abuso”, embora tenha reconhecido que não havia lido a ação mencionada no debate.

No campo ideológico e eleitoral, Hildon procurou se afastar da polarização nacional e recusou transformar a disputa local em extensão do confronto entre Lula e Bolsonaro. Ao ser perguntado se apoiaria algum nome na eleição presidencial, respondeu que esse nunca foi o centro de suas campanhas anteriores e afirmou que o mais importante é resolver os problemas de Rondônia. Na resposta, fez uma das declarações mais incisivas de toda a entrevista: “Não estou nem aí para Lula, Bolsonaro, não quero saber disso. Na hora do voto, vou votar e acabou.” Ainda assim, quando questionado sobre sua posição ideológica, declarou-se de “centro-direita”.

A segurança pública foi o outro grande tema em que Hildon apresentou diagnóstico severo. Ao lembrar episódios de rebelião no presídio Urso Branco, disse que acompanhou de perto uma das crises e relatou ter estado a cerca de dez metros de uma situação em que 14 cabeças foram decepadas. A partir dessa lembrança, afirmou que a situação do sistema penitenciário só piorou e declarou que o sistema prisional brasileiro está falido há muitos anos. Em outro momento, também disse que, segundo dados que reconheceu poderem estar desatualizados, o país teria meio milhão de presos no sistema e outro meio milhão de pessoas soltas que deveriam estar presas. Na parte específica sobre a Polícia Militar de Rondônia, criticou a falta de recomposição da base da corporação e afirmou que, em quase oito anos de governo, não foi contratado um soldado. Na formulação apresentada por ele, “hoje, praticamente, todo mundo é de cabo ou sargento para cima” e “não tem mais soldado em Rondônia”.

A partir daí, Hildon defendeu o uso de tecnologia como eixo de enfrentamento ao crime. Disse não considerar mais razoável manter viaturas em ronda aleatória sem saber onde o crime está ocorrendo e sustentou que a integração de câmeras de monitoramento, iluminação pública e reconhecimento facial pode oferecer resposta mais eficiente. Na entrevista, afirmou que Porto Velho já teria a infraestrutura necessária para esse sistema, em razão da ampliação de 20 mil para 100 mil pontos de iluminação durante sua administração. Também mencionou visita a laboratórios da Huawei, no México, em missão que liderou com prefeitos, e disse que a tecnologia de reconhecimento facial já está disponível, bastando ser usada. Ao mesmo tempo, ponderou que, quando era prefeito, deixou de implantar esse modelo porque, naquele momento, os arquivos do sistema prisional estariam defasados, o que poderia gerar prisões de pessoas já soltas.

Na parte final da entrevista, Hildon deslocou a conversa para minúcias políticas, relações pessoais e episódios de bastidor. Ao tratar de possíveis atritos com o atual prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, afirmou que não faria sentido transformar a relação institucional em conflito caso venha a ser eleito governador. Disse que, se estivesse na posição do prefeito, torceria pelo projeto estadual, porque as parcerias entre prefeitura e governo são inevitáveis. Em seguida, relatou que sofreu falta de apoio do governo Confúcio Moura e disse, em tom irônico, que no primeiro mandato de Marcos Rocha não recebeu “nem um sorrisal furado, vencido”, acrescentando, porém, que no segundo mandato, após o apoio eleitoral, o governador teve participação importante e ajudou sua gestão.

Questionado se perseguiria Léo Moraes caso chegasse ao Palácio Rio Madeira, Hildon respondeu de forma direta e utilizou uma expressão popular para negar essa hipótese. Disse: “Claro que não. Quem pensa dessa forma tem espírito de porco.” Na mesma resposta, afirmou que torce para que Léo faça uma gestão extraordinária, continue em frente e seja reeleito, porque, segundo ele, o problema não é o atual prefeito, mas a entrada de alguém que comprometa a relação institucional entre os entes públicos.

Também no trecho derradeiro da entrevista, Hildon confirmou que houve conversas com o senador Marcos Rogério sobre a possibilidade de composição como vice, mas negou que o acordo tenha chegado ao estágio de definição irreversível. Disse que existiu o convite e que conversaram várias vezes, porém afirmou que em nenhum momento houve a situação de “prego batido e ponta virada”. Atribuiu a indefinição do período a hesitações dentro de seu grupo político e à demora nas definições envolvendo Maurício Carvalho, até que o novo arranjo com o União Brasil e aliados se consolidasse.

Encerrando a participação, o ex-prefeito procurou projetar uma imagem de amadurecimento do eleitorado e de estabilidade do processo eleitoral. Disse acreditar que Rondônia vem amadurecendo a cada eleição e afirmou que o estado tem bons nomes em disputa. Ao longo de toda a entrevista, no entanto, o que mais chamou atenção foi a soma de críticas à bancada federal pelo pedágio da BR-364, o ataque à condução do Heuro, a recusa em entrar na polarização nacional, a cobrança por gestão na segurança pública e a tentativa de transformar a própria entrada no jogo sucessório em evidência de que “do dia para a noite” o quadro político rondoniense mudou.

FRASES DE HILDON CHAVES DURANTE O RESENHA POLÍTICA:

01) “Isso é uma vergonha. Isso é um absurdo. Um absurdo que não tem…”

A frase foi dita quando Hildon criticava a concessão da BR-364 e o resultado licitatório com deságio que ele classificou como irrisório, responsabilizando a bancada federal e os senadores pela falta de acompanhamento do processo.

02) “Um pregoeiro e um gestor honesto faz isso. Agora, fazer um deságio, acho que é de 0,1%. Isso é uma piada de mau gosto.”

A declaração apareceu no momento em que ele comparou a licitação da BR-364 com procedimentos que disse ter conduzido na Prefeitura de Porto Velho, afirmando que, diante de apenas um concorrente, o correto seria exigir desconto ou refazer a disputa.

03) “Eu avisei, mas insistiram. E deu no que deu.”

A fala foi usada por Hildon ao comentar a modelagem do Heuro e o consórcio escolhido na época da condução atribuída à gestão de Fernando Máximo, afirmando que alertou o governador Marcos Rocha de que o projeto não avançaria.

04) “A gestão atual, infelizmente, se atrapalhou em papel. É essa a situação. Eu pretendo fazer a mesma coisa, mas fazer.”

Nesse trecho, ele diferenciou o modelo BTS da execução prática do Heuro e sustentou que o problema não está no formato, mas na incapacidade administrativa de entregar o empreendimento.

05) “Não estou nem aí para Lula, Bolsonaro, não quero saber disso. Na hora do voto, vou votar e acabou.”

A manifestação surgiu quando Robson Oliveira perguntou se ele declararia apoio a algum presidenciável num estado cujo eleitorado, segundo pesquisas citadas na entrevista, se autodeclara majoritariamente de direita.

06) “Quem assumiu o compromisso de fazer uma nova BR, isso é mentira, não vai acontecer.”

Hildon disse isso ao tratar da discussão sobre novas rotas e infraestrutura em Rondônia, rejeitando promessas que, segundo ele, não são exequíveis nas condições atuais do estado.

07) “O sonho era que esta união de pessoas, que este grupo, se disfarcelasse. Seria tudo, seria, porque realmente isso mudou o jogo.”

A frase apareceu quando o ex-prefeito descrevia a reação dos adversários à consolidação do grupo político que passou a cercar sua pré-candidatura ao governo.

08) “Não, isso aí já é prego batido e ponta virada.”

A resposta foi dada por Hildon quando Robson perguntou se havia possibilidade de mudança na definição de Silvia Cristina como nome do grupo para o Senado.

09) “Claro que não. Quem pensa dessa forma tem espírito de porco.”

A frase foi dita ao responder se perseguiria Léo Moraes caso viesse a se eleger governador, negando qualquer possibilidade de retaliação política contra o atual prefeito de Porto Velho.

10) “Nem o ex-prefeito Hildon Chaves e nenhum de seus secretários respondem a qualquer ação judicial, seja de Polícia Civil, Polícia Federal, seja Tribunal de Contas do Estado, Tribunal de Contas da União, ninguém responde absolutamente nada.”

A afirmação foi usada por ele para sustentar a defesa de suas duas gestões à frente da Prefeitura de Porto Velho, dentro do argumento de que entregou resultados sem deixar passivos judiciais contra sua equipe.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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