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ENTREVISTA
Jaqueline Cassol relembra acusação no caso Naiara Karine, relata abuso na infância e admite ruptura com o irmão Ivo

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Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, ex-deputada relata fake news que a ligou a crime, diz que sofreu violência política de gênero dentro da própria família e confirma que segue sem falar com o ex-governador Ivo Cassol

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 09/04/2026 - 10h01

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Porto Velho, RO – A entrevista da ex-deputada federal Jaqueline Cassol ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, foi marcada por uma sequência de declarações sobre episódios traumáticos de sua vida pessoal e política, com destaque para a repercussão de uma notícia falsa que a ligou ao assassinato de uma ex-funcionária chamada Naiara Karine, para a revelação de que foi vítima de abuso na infância e para a confirmação de que ainda não retomou o diálogo com o irmão, o ex-governador e ex-senador Ivo Cassol.

Logo no início da conversa, Jaqueline afirmou que sua entrada na política foi impulsionada por um episódio que classificou como cruel. Segundo ela, em 2013, quando presidia o então PR, hoje PL, passou a ser associada publicamente, de forma falsa, ao assassinato de uma ex-funcionária de sua loja. Ao relembrar o caso, disse que a mulher “foi abusada e assassinada” e declarou que uma notícia publicada à época a apontou como mandante do crime. “Na verdade, o que saiu na imprensa e ficou duas horas no ar foi que eu havia sido presa como mandante do assassinato”, afirmou, ao sustentar que jamais foi investigada e que a própria Polícia Civil, ainda de acordo com seu relato, concedeu coletiva para desmentir a informação.

Ao detalhar a repercussão do episódio, Jaqueline disse que recebeu a notícia em estado de choque e que a principal preocupação naquele momento não era a repercussão pública sobre seu nome, mas o impacto imediato sobre os filhos, então com 10 e 16 anos. Segundo ela, mesmo após a retirada da informação e o desmentido oficial, os efeitos permaneceram ao longo do tempo. A ex-parlamentar afirmou que, passados 13 anos, ainda há pessoas que mantêm suspeitas contra ela por causa de seu sobrenome e de sua atuação política. Ao comentar a dimensão do dano, afirmou que o que foi feito com sua honra se assemelha a “pegar um travesseiro de pena, subir na torre mais alta e espalhar”, numa referência à dificuldade de reparar integralmente uma acusação falsa depois de sua circulação pública.

Na mesma entrevista, Jaqueline associou a brutalidade do ambiente político ao episódio que viveu e disse que, justamente por causa daquela experiência, decidiu aceitar o desafio de disputar o governo em 2014. Segundo ela, a lógica que adotou foi a de que, depois de enfrentar uma acusação daquela magnitude, pouco poderia ser pior no debate público. Ao tratar do assunto, também afirmou que moveu ações judiciais, venceu parte delas e recebeu indenizações por danos morais de algumas empresas de comunicação, embora tenha dito que não acionou todas.

Outro dos pontos mais sensíveis da entrevista surgiu quando Jaqueline relatou, de forma direta, que foi vítima de abuso aos seis anos de idade, quando morava em uma fazenda. Ela afirmou que o autor era um funcionário e disse que, durante muito tempo, carregou sentimento de culpa pelo que havia acontecido. Segundo seu relato, a superação desse trauma passou pela terapia e por um processo posterior de fala pública sobre o tema. Ao abordar o assunto, declarou que hoje consegue tratar do episódio com tranquilidade, mas reconheceu que por muitos anos a experiência foi de extrema dificuldade. A ex-deputada relacionou a própria história à necessidade de ampliar o debate sobre proteção de crianças e adolescentes e citou a atuação que teve na Câmara dos Deputados em pautas voltadas ao enfrentamento da violência no ambiente doméstico e familiar.

Ainda no campo das controvérsias, Jaqueline afirmou que também enfrentou violência política de gênero “dentro de casa”, referindo-se ao irmão Ivo Cassol. Embora tenha classificado o tema como superado do ponto de vista pessoal, confirmou que ambos continuam sem se falar. A ex-deputada relatou que o distanciamento ganhou contornos ainda mais dolorosos no funeral do pai, quando, segundo ela, não houve reconciliação entre os dois. “Foi muito triste enterrar o meu pai sem eu e ele estarmos conversando”, disse. Ao lembrar aquele momento, contou que uma irmã chegou a imaginar que os dois se abraçariam, o que não aconteceu porque, conforme afirmou, ela ainda não havia conseguido liberar perdão e acreditava que o irmão também não.

Sem romper com o reconhecimento político da trajetória do ex-governador, Jaqueline fez uma distinção entre a avaliação administrativa e a convivência familiar. Disse ver Ivo Cassol como “um excelente governador” e afirmou que ele “fez a diferença no estado de Rondônia”, citando, inclusive, que participou de parte dessa gestão como diretora do Detran e depois como secretária de Estado de Assuntos Estratégicos. Ao mesmo tempo, atribuiu os atritos ao temperamento da família e ao fato de os conflitos privados se tornarem públicos por se tratar de um núcleo familiar com forte exposição política. Ela afirmou que famílias italianas têm “sangue forte”, descreveu brigas recorrentes entre irmãos e disse que, apesar disso, permanece a noção de pertencimento e defesa mútua.

O relato sobre a relação com Ivo também avançou para uma interpretação mais ampla sobre machismo e disputa por espaço. Jaqueline disse que enviou mensagem de Natal ao irmão, sem receber resposta, e afirmou que o episódio precisa ser lido também sob a ótica de uma cultura conservadora e machista, em que a ascensão de uma irmã mais nova a uma posição de destaque político pode gerar tensões adicionais. Sem acusar diretamente o ex-governador de um ato específico além da referência à violência política de gênero, ela sustentou que há, em torno da família, muitas pessoas interessadas em ampliar distâncias e alimentar intrigas.

Outro bloco de declarações de forte repercussão surgiu quando a ex-deputada associou o conservadorismo de Rondônia aos altos índices de feminicídio, gravidez precoce e violência contra meninas e mulheres. Embora tenha se definido como de centro-direita e ressalvado seu vínculo com o governo Marcos Rocha, ela afirmou que o estado, apesar de conservador, cristão e com grande presença religiosa, segue registrando números graves nesse campo. Em sua avaliação, há resistência em discutir educação sexual, orientação preventiva, papéis de gênero e acesso de crianças a conteúdos inadequados na internet, fatores que ela relacionou ao agravamento do quadro social. Também criticou o uso instrumental de candidaturas femininas e disse que há mulheres lançadas apenas para cumprir cota ou captar recursos que acabam sendo direcionados a outros projetos eleitorais.

No plano político-eleitoral, Jaqueline confirmou que é pré-candidata a deputada federal pelo PSD, legenda à qual se vinculou depois de deixar o PP em 2024. Informou que integra a estrutura partidária como vice-coordenadora e declarou que seguirá a orientação política do governador Marcos Rocha, hoje presidente estadual da sigla. Ao tratar da sucessão estadual, reforçou apoio ao nome de Fúria como pré-candidato do PSD e evitou endossar interpretações sobre um eventual apoio já consolidado de Ivo Cassol a outro projeto. Disse não ter visto definição nesse sentido e observou que o cenário eleitoral para o governo ficou mais aberto nas últimas semanas, com a entrada de novos nomes, o que, segundo ela, amplia as opções do eleitor.

Depois de concentrar a maior parte da conversa em temas de alta carga pessoal e política, a entrevista avançou para aspectos mais particulares e laterais de sua trajetória. Jaqueline relembrou que nasceu em Santa Catarina e chegou a Rondônia aos três anos de idade. Disse que, entre os irmãos de pai e mãe, foi a única que teve a oportunidade de estudar e ressaltou sua formação em Direito Público. Também relatou que voltou à sala de aula aos 50 anos e que atualmente é mestranda no IFRO em propriedade intelectual e inovação.

Ao falar da vida familiar, mencionou que o pai sofreu um AVC hemorrágico em 2 de janeiro de 2024 e afirmou que, embora ele ainda tenha vivido por quase um ano e meio, a convivência depois do episódio já não foi a mesma. Lembrou com afeto das idas ao clube do idoso para dançar e jogar dominó e afirmou que valorizar as pessoas em vida é uma convicção que se fortaleceu após a morte dele. Também destacou a figura da mãe, Helga Cassol, de 88 anos, descrita por ela como a matriarca da família, ainda ativa no campo e respeitada por todos os filhos.

Na parte final da entrevista, Jaqueline também comentou vínculos com o meio rural e com a história patrimonial da família. Disse que é pecuarista, situou propriedades em Santa Luzia e relembrou referências antigas como a Vila Cassol, associada a festas tradicionais promovidas na região. Segundo ela, após a separação dos pais, houve divisão patrimonial entre os familiares, mas a mãe e irmãs seguem com áreas próximas umas das outras. Entre observações de bastidor, ainda mencionou que faz terapia, que considera a prática essencial e que vê o tempo como fator decisivo para reorganizar feridas abertas tanto na vida privada quanto na política.

DEZ FRASES DE JAQUELINE CASSOL AO RESENHA POLÍTICA

01) “Na verdade, o que saiu na imprensa e ficou duas horas no ar foi que eu havia sido presa como mandante do assassinato.”

A declaração foi dada quando Jaqueline relembrou a notícia falsa publicada em 2013 sobre o assassinato de uma ex-funcionária de sua loja. Ela disse que a informação a apontava falsamente como mandante do crime e que a Polícia Civil desmentiu a versão ainda no mesmo dia.

02) “Foi muito difícil, foi muito difícil, por mais que depois de duas horas a polícia civil concedeu uma coletiva, disse que era mentira, que eu sequer fui investigada, que não tinha nada contra mim.”

A ex-deputada usou essa frase ao narrar o efeito imediato da acusação falsa, ressaltando que, mesmo com o desmentido oficial, o impacto emocional e familiar já havia sido produzido.

03) “O que fizeram com a honra da Jaqueline Cassol foi pegar um travesseiro de pena, subir na torre mais alta e espalhar.”

A comparação apareceu quando ela tentou dimensionar o dano causado à sua imagem pública, afirmando que a reparação posterior não foi suficiente para eliminar totalmente as suspeitas que continuaram circulando.

04) “Aos seis anos eu fui vítima de abuso quando eu morava na fazenda por um funcionário e durante muito tempo eu me sentia culpada.”

Jaqueline mencionou esse episódio ao explicar por que passou a tratar publicamente de proteção a crianças e adolescentes e ao relatar que sua própria história foi marcada por violência ainda na infância.

05) “Hoje eu consigo falar tranquilamente, mas lá atrás era muito difícil.”

A fala surgiu na sequência do relato sobre o abuso sofrido na infância e foi usada por ela para mostrar que a elaboração desse trauma levou tempo e passou por terapia.

06) “Eu já sofri violência política de gênero dentro de casa com o meu irmão e foi público.”

A declaração foi feita quando o debate avançou para a baixa presença feminina na política e para as barreiras enfrentadas por mulheres em posições de comando. Foi nesse momento que ela vinculou o conflito familiar com Ivo Cassol a uma dimensão também política.

07) “Foi muito triste enterrar o meu pai sem eu e ele estarmos conversando.”

A frase sintetizou o ponto mais delicado de seu relato sobre a briga com o irmão. Ela a utilizou para mostrar que o rompimento extrapolou a política e permaneceu até um momento de luto familiar.

08) “E nós ainda não estamos nos falando.”

A afirmação foi feita de forma direta, sem rodeios, ao responder sobre a situação atual da relação com Ivo Cassol, depois de confirmar o histórico recente de atritos entre os dois.

09) “Eu admiro o Ivo como gestor, como pessoa que foi, como pai, como marido.”

Mesmo em meio ao relato da ruptura, Jaqueline fez essa ressalva para separar a divergência pessoal da avaliação que mantém sobre a trajetória administrativa e familiar do ex-governador.

10) “Eu vou apoiar quem o meu governador coronel Marcos Rocha bateu martelo.”

A frase apareceu na reta final da entrevista, quando ela confirmou alinhamento político com Marcos Rocha, reforçou apoio ao pré-candidato Fúria no PSD e vinculou sua posição à ideia de gratidão e lealdade.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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