Parlamentares rondonienses priorizam agendas pessoais enquanto o estado enfrenta isolamento aéreo, infraestrutura precária e a negligência de uma concessionária endividada
Porto Velho, RO – Rondônia enfrenta um cenário de desafios crônicos, que vão desde o isolamento aéreo até problemas graves com a prestação de serviços essenciais, como o fornecimento de energia elétrica. Enquanto passagens aéreas ultrapassam a marca de R$ 3 mil e a população sofre com quedas de energia constantes, a bancada federal composta por oito deputados federais e três senadores tem se destacado mais por discursos ideológicos e ações de pouca efetividade do que por resultados concretos. A realidade é alarmante e escancara a inação de representantes eleitos para defender os interesses do estado.
O problema da conectividade aérea em Rondônia é um dos exemplos mais evidentes de negligência. Com tarifas exorbitantes e poucas opções de voos, o estado segue “ilhado”. Essa situação afeta não apenas o turismo, mas também o comércio e até o acesso a tratamentos médicos em outras regiões. Apesar da gravidade, a bancada federal não apresentou propostas concretas ou se mobilizou para pressionar as companhias aéreas e o governo federal por soluções.
A deputada federal Cristiane Lopes (União Brasil) recentemente chamou atenção ao visitar Israel. Durante sua viagem, destacou temas internacionais, emitindo notas de repúdio contra grupos terroristas como Hamas e Hezbollah. No entanto, sua atuação falhou em gerar qualquer impacto positivo para Rondônia. As imagens de Cristiane em um kibutz e em eventos simbólicos foram interpretadas como ações voltadas para autopromoção, enquanto demandas locais urgentes, como a crise aérea e a precariedade da infraestrutura, foram ignoradas.
O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL) também tem mantido um padrão de inação prática. Em um dos momentos mais criticados, Chrisóstomo usou a tribuna da Câmara para repetir uma fake news já amplamente desmentida sobre a ex-presidente Dilma Rousseff. Além disso, dedicou grande parte de seus discursos a atacar instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF), sem apresentar iniciativas voltadas às necessidades concretas do estado.
A falta de projetos para combater a crise aérea ou melhorar a infraestrutura básica é um reflexo de um mandato centrado mais em agradar sua base ideológica do que em resolver os problemas da população.
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No Senado, Jaime Bagattoli (PL) adotou uma postura crítica a diversas instituições, como o STF e o Ministério Público, ao mesmo tempo em que admitiu incapacidade de enfrentar desafios internos em seu partido. “Eu não tenho forças para fazer frente a isso”, declarou ao perder o controle do diretório estadual do PL para Marcos Rogério. Embora critique os gastos públicos e clame por uma reforma administrativa, Bagattoli nunca abordou os privilégios do Senado, incluindo salários e benefícios elevados, que ele mesmo utiliza.
Além disso, o senador relativizou os atos de vandalismo de 8 de janeiro, alegando que os envolvidos “não tinham armas”. Essa postura gerou indignação, principalmente por minimizar a gravidade dos ataques às instituições democráticas.
Além da inação política, os rondonienses enfrentam o descaso da concessionária Energisa, que acumula uma dívida de R$ 3 bilhões com o estado. A empresa tem sido alvo de críticas constantes por tarifas abusivas e práticas que sobrecarregam os consumidores. Um dos exemplos mais revoltantes é o pedido para que os clientes realizem a leitura de seus próprios relógios de consumo, trabalho que deveria ser realizado pela concessionária. Quem não segue a orientação é penalizado com contas inflacionadas pela chamada “leitura por média”.
A CPI que investigou a Energisa, conduzida na Assembleia Legislativa, terminou como muitas outras: sem resultados concretos. Os relatórios foram enviados ao Ministério Público Federal e à Controladoria-Geral da União, mas até agora, nada foi feito. Deputados como Rodrigo Camargo denunciaram a situação. “É um tapa na sua cara, na minha cara, na cara dessa casa”, afirmou, referindo-se à impunidade da concessionária.
A campanha publicitária da Energisa, que utilizou o humorista Paulo Vieira para ironizar os altos valores das contas de energia, só aumentou a revolta popular. Em vez de assumir responsabilidades, a empresa atribuiu os valores exorbitantes ao clima quente e aos hábitos dos consumidores, recomendando até “chupar um sorvete” para “esfriar a cabeça”. O episódio foi amplamente criticado por desrespeitar os clientes, muitos dos quais já sofrem com prejuízos causados por quedas constantes de energia.
A ausência de pressão da bancada federal para resolver os problemas causados pela Energisa reflete a falta de alinhamento com as demandas da população. Enquanto a concessionária lucra, rondonienses enfrentam contas exorbitantes e serviços precários. Comerciantes de Rolim de Moura e Ariquemes relatam prejuízos constantes devido à falta de energia, enquanto famílias inteiras precisam abandonar suas casas por falta de condições mínimas de conforto.
A população rondoniense espera mais de seus representantes. As viagens internacionais, os discursos ideológicos e os ataques seletivos a instituições não têm ajudado a resolver os problemas do estado. A crise aérea, as deficiências de infraestrutura e os abusos da Energisa são apenas alguns dos exemplos de questões urgentes que continuam sem solução. Rondônia merece uma bancada federal que priorize as demandas reais do estado e lute por resultados concretos. Até que isso aconteça, a população continuará sofrendo as consequências de uma política baseada mais em palavras do que em ações.
