Ação do MP de Rondônia cumpre mandados em quatro Estados e mobiliza mais de 500 agentes públicos
Porto Velho, RO – As investigações do Ministério Público de Rondônia (MPRO) identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 110 milhões entre 2020 e 2025, conforme dados autorizados pela 2ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho. A análise bancária dos investigados revelou um esquema que, segundo o MP, envolvia uso de empresas de fachada, contas de passagem e “laranjas” para converter recursos obtidos de atividades ilícitas em ativos de aparência legal.
A partir dessas evidências, o MPRO deflagrou, nesta quarta-feira (12/11/2025), a Operação GODOS, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Núcleo de Análises Técnicas (NAT) e de promotorias de Justiça em sete municípios do Estado. O foco é desarticular um grupo responsável por crimes como extorsão, homicídios, tortura, desmatamento ilegal, roubos, furtos, posse e porte de armas, além de ameaças a produtores rurais e posseiros na região de Nova Mutum Paraná, distrito de Porto Velho.
A ação envolve mais de 500 pessoas, entre promotores, policiais, peritos e servidores administrativos. Participam a Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado da Segurança (Sesdec), Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a Força-Tarefa Integrada de Combate ao Crime Organizado (FTICCO), além do Gaeco do Mato Grosso e das polícias civis do Amazonas e do Pará.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
++++
Foram expedidos 50 mandados de prisão temporária e 120 de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente em Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Pará. As medidas judiciais também incluem bloqueio, sequestro e arresto de bens avaliados em R$ 2.052.919.545,16, valor que corresponde a danos ambientais, patrimoniais e climáticos. De acordo com o Ministério Público, trata-se da maior operação já realizada no âmbito estadual, tanto pelo número de investigados quanto pelo montante bloqueado.
As apurações tiveram início em setembro de 2022, após notícia de fato que relatava atuação de um grupo armado e organizado na zona rural de Porto Velho. O grupo, segundo o MP, forçava vítimas a ceder propriedades sob ameaça de violência, utilizando armas de fogo, inclusive de uso restrito, e firmando contratos falsos de cessão de posse.
As investigações também identificaram cerca de 25 mil hectares de desmatamento ilegal, equivalentes a 35 mil campos de futebol. As áreas eram exploradas e revendidas, gerando lucros posteriormente lavados em operações financeiras complexas.
O MPRO afirmou que a Operação GODOS tem como meta interromper o ciclo criminoso, assegurar o ressarcimento dos danos e reforçar a atuação do Ministério Público na defesa da ordem jurídica e no combate ao crime organizado.




