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ANSELMO VASCONCELOS
Em entrevista exclusiva ao Informa Rondônia, ator da série de sucesso “Tremembé” fala como foi viver o estuprador em série Roger Abdelmassih

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Ator detalha processo de composição, carreira, relação com Rondônia e parceria com o jornalista Paulo Andreoli

Por Informa Rondônia - quarta-feira, 19/11/2025 - 11h48

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Porto Velho, RO — Anselmo Vasconcelos, intérprete de Roger Abdelmassih — estuprador em série condenado a 181 anos de prisão — concedeu entrevista exclusiva ao repórter Vinicius Canova, do site Informa Rondônia. De sua casa no Rio de Janeiro, o ator descreveu, em vídeo, a preparação para o papel na série Tremembé, relembrou momentos marcantes da carreira e falou sobre sua relação com Rondônia, incluindo as parcerias cinematográficas com o jornalista Paulo Andreoli, do portal Rondoniaovivo. Juntos, realizaram o filme “Amor de Mãe”, de 2018, e finalizaram recentemente o curta “Vai com Deus”.

Anselmo Vasconcelos é Roger Abdelmassih em “Tremembé” / Divulgação

Ao explicar como ingressou em Tremembé, disse que foi chamado para o teste do papel e aprovado. “Na série Tremembé, eu fui convidado a fazer o teste para interpretar o personagem e passei no teste”, relatou. Ele contou que sua primeira aproximação foi interpretar um pequeno recorte do texto antes de ter acesso ao roteiro completo. Segundo ele, o material tinha “uma maturação de quatro anos, vários tratamentos”, o que demonstrava uma estratégia para que o personagem “eclodisse lá no quinto episódio”.

O elenco de “Tremembé” / Divulgação

O ator descreveu como a narrativa apresenta, aos poucos, a manipulação do médico para tentar escapar da prisão. “Ele vai parcialmente sendo apresentado ao público com a sua estratégia, a sua manipulação para tentar escapar do aprisionamento ali naquela carceragem”, explicou. Vasconcelos destacou que a caracterização foi decisiva: “A Britney Federline, a caracterizadora e sua maravilhosa equipe transformaram o meu visual numa aproximação muito legítima e honesta do personagem. A direção de Vera Egito deu a “cereja do bolo” na trama, guiando o texto de maneira primordial”.

Ele afirmou que o clima no set era de cuidado e preparo. “Nós tivemos um ambiente de extremo cuidado, carinho, generosidade, para que pudéssemos enfrentar o desafio de representar com honestidade a vivência desses personagens ali na prisão.” Ao comentar a complexidade do condenado, afirmou: “Ele é, sem dúvida, um homem extremamente complexo, por ser um médico de extraordinária eficiência na área da reprodução humana, mas seu distúrbio mental o acomete a realizar os crimes que cometeu”.

Fotos reais de Roger Abdelmassih / Reprodução-YouTube

Na avaliação do artista, a experiência do personagem no cárcere difere da de outros detentos. “A sua vivência na prisão é muito diferente de todos os outros personagens, porque o Roger não matou ninguém no sentido do assassinato na sua essência”, disse. Ele enfatizou que os crimes foram retratados conforme as investigações oficiais: “Tudo que nós colocamos ali está nos autos do Ministério Público. Nada foi inventado. É absolutamente honesto a descrição da vida do personagem ali naquela série”.

As filmagens ocorreram em São Paulo. “Foi gravada em São Paulo de uma maneira bastante, vamos dizer assim, intensa. Eu fiquei morando em São Paulo, vivendo aquela cidade distópica”, contou. Vasconcelos destacou que não buscou reproduzir gestos ou modos de fala de Abdelmassih. “Em nenhum momento eu procurei imitar o Roger, trejeito, fala e nada disso. Eu fui pela honestidade de me comprometer com aquilo que eu estava narrando.”

Exageros de Abdelmassih sobre a própria saúde foram relatados na série / Arquivo pessoal

A repercussão da série o surpreendeu. “O que está acontecendo com a repercussão da série me surpreende profundamente”, declarou. Ele utilizou uma metáfora para explicar o momento: “Eu costumo dizer que eu sou um pescador de vara na beira do rio. Eu não sei nunca se o peixe vai morder a isca, mas dessa vez realmente aconteceu e veio um dourado robusto na minha linha”.

O ator revisitou ainda sua trajetória no cinema. Ele mencionou ter participado de mais de 50 filmes e recordou “República dos Assassinos”, de 1979, no qual interpretou um travesti. “Beijar um outro ator na boca sem ser gay e fazer uma cena de sexo com o grande Tarcísio e saudoso Tarcísio Meira foi um escândalo que repercutiu de uma maneira extraordinária”, afirmou. “Fui vencedor em inúmeros festivais, inclusive na Colômbia, representando o Brasil.”

Anselmo Vasconcelos atuou em República dos Assassinos, de 1979 / Reprodução-YouTube

Também falou sobre sua longa passagem pela comédia televisiva. “Trabalhei 20 anos na grade de humor da TV Globo, primeiro no Zorra Total, depois no Zorra.” Ele citou trabalhos em outras emissoras e destacou que não mede tamanho de papel. “Eu pura e simplesmente sou um artífice, sou um oficiante dessa incrível arte que é a atuação.”

O ator viveu a travesti Eloína, a Rainha da Lapa / Reprodução-YouTube

A relação com Rondônia, segundo ele, começou ainda nos anos 1970, quando participou do Projeto Rondon. “Eu estive em Manaus, Belém, Santarém e Marajó”, lembrou. Ele contou que depois produziu um documentário para a Embratur sobre o Baixo Amazonas e, mais tarde, esteve em Rondônia para ministrar um workshop, oportunidade em que conheceu Paulo Andreoli. “Junto com eles idealizamos a Rondônia Cinematográfica”, disse. O primeiro produto do grupo foi um curta-metragem em coprodução com o Rondoniaovivo.

Amor de Mãe, de 2018, foi realizado em Rondônia com parceria do jornalista Paulo Andreoli / Reprodução-YouTube

Vasconcelos também lembrou o período de produção de “Amor de Mãe”, explicando que chegou a ser cogitado para o papel de Capitão Anselmo, mas que o personagem acabou sendo interpretado por José Lacerda, em seu primeiro trabalho como ator. Ele assumiu então a direção do filme e deu vida a Chico Boto, protagonista do episódio. A codireção e cinematografia do trabalho são do rondoniense Neto Cavalcanti. O ator destacou ainda que a obra está sendo relançada como “Janela Vertical”, seguindo a nova tendência de consumo audiovisual em celulares, dividida em oito episódios curtos que substituem os 48 minutos contínuos do pocket longa original.

O ator finalizou enviando uma mensagem ao público rondoniense. “Fica aqui um grande abraço ao povo de Rondônia, e realmente eu bebi a água do Rio Madeira, então estou fadado a sempre voltar.”

Paulo Andreoli e Alselmo Vasconcelos nos bastidores de “Vai com Deus” / Reprodução

A visão de Paulo Andreoli sobre a parceria

O jornalista Paulo Andreoli, do Rondoniaovivo, também conversou com o Informa Rondônia sobre sua relação com Anselmo Vasconcelos e a trajetória conjunta no audiovisual. Ele explicou que conheceram-se em 2018, durante uma oficina ministrada pelo ator em Porto Velho. “Eu mostrei alguns contos que eu tinha escrito, Amor de Mãe era um, chamava Barco Nova Esperança, Barco Amor de Mãe, e aí ele falou, aí eu comecei a conversar com ele, aí acabou progredindo a conversa, saiu o Amor de Mãe, ele veio aqui gravar, e ficamos amigos”, relatou.

Andreoli afirmou que ambos se tornaram parceiros também na monetização do filme. “Ficamos até parceiros no Amor de Mãe, na monetização do Amor de Mãe, que foi vendido para a AMC (Films&arts), e dividimos os valores.” Ele classificou Vasconcelos como um profissional completo. “Como ator não tem o que dizer, né, cara, ele é daquela… eu digo da velha guarda, aquele pessoal que já fez de tudo um pouco.”

Também destacou a ligação do ator com o estado. “A ligação dele com a Rondônia é cinematográfica. Ele também se declara rondoniano.” Sobre os bastidores das produções conjuntas, afirmou que “o Amor de Mãe foi mais amador, o Vai com Deus foi mais profissional, seguindo todos os parâmetros, até porque o Vai com Deus foi edital, né?”. Segundo ele, o curta está finalizado. “Tá tudo pronto”, encerrou.

Assista Tremembé

A série “Tremembé”, produção true crime brasileira do Amazon Prime Video, estreou em 31 de outubro de 2025 e rapidamente se tornou um enorme sucesso de crítica, após lançar de uma só vez seus cinco episódios que recriam a rotina da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado e retratam personagens centrais de casos criminais de grande repercussão no país; baseada nas obras investigativas de Ulisses Campbell, a produção foi dirigida por Daniel Lieff e Vera Egito e conta com um elenco formado por Marina Ruy Barbosa (Suzane von Richthofen), Carol Garcia (Elize Matsunaga), Letícia Rodrigues (Sandrão), Bianca Comparato (Anna Carolina Jatobá), Lucas Oradovschi (Alexandre Nardoni), Felipe Simas (Daniel Cravinhos), Kelner Macêdo (Cristian Cravinhos) e Anselmo Vasconcelos (Roger Abdelmassih).

AUTOR: INFORMA RONDÔNIA





COMENTÁRIOS:

NOME: Lisete Canova Pires

COMENTÁRIO:

Grande ator. Parabéns Vinicius pela excelente reportagem

19/11/2025

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Grande ator. Parabéns Vinicius pela excelente reportagem

19/11/2025

NOME: Lisete Canova Pires

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Grande ator. Parabéns Vinicius pela excelente reportagem

19/11/2025