Registros públicos, falas documentadas, aparições oficiais e manifestações de aliados confirmam Bruno Scheid como o principal representante de Jair Bolsonaro em Rondônia e pré-candidato número 1 do bolsonarismo ao Senado Federal; segunda vaga majoritária será definida por Marcos Rogério
A consolidação de Bruno Scheid como pré-candidato número 1 de Jair Bolsonaro ao Senado Federal não se apoia em rumores difusos, mas em fatos datados, publicações oficiais, decisões judiciais, manifestações públicas e aparições registradas que, juntos, formam uma linha contínua de lealdade e acesso raros dentro do PL. A escolha de Scheid ocorre no exato momento em que Marcos Rogério, atual senador da sigla em Rondônia, avança de maneira cada vez mais firme rumo à disputa pelo governo estadual em 2026 — e, ao fazê-lo, assume o papel de sacramentar o segundo nome majoritário da chapa bolsonarista no estado. É nesse rearranjo interno que Bruno Scheid se torna a escolha pessoal de Bolsonaro para a vaga de senador, abrindo caminho para uma chapa construída diretamente pelo ex-presidente e pelo senador rondoniense.
A relação privilegiada entre Scheid e Bolsonaro foi reconhecida de maneira pública e jurídica em 5 de setembro de 2025, quando O Globo noticiou o pedido da defesa do ex-presidente ao Supremo Tribunal Federal para autorizar “visitas contínuas” de Scheid durante o período de prisão domiciliar. No texto enviado ao STF, Scheid foi descrito como alguém que mantém “estreita relação de amizade” com Bolsonaro e sua família, além de prestar “apoio contínuo” em um momento que exigia cuidados especiais. O pedido transformou em dado oficial o que antes circulava apenas politicamente: Scheid tinha autorização permanente para entrar no cotidiano privado do ex-presidente.
Seu trânsito no núcleo duro do governo, entretanto, remonta a 2021 e 2022. Reportagem da Agência Estado publicada pelo UOL em 17 de maio de 2022 mostrou que ele esteve no Palácio do Planalto em onze ocasiões distintas entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022, integrando reuniões com Bolsonaro, ministros e representantes do setor produtivo. Essas visitas registradas apontam para uma interlocução que já se estabelecia antes do ciclo de crises que marcaria os anos seguintes.
Em 12 de setembro de 2025, horas após o Supremo Tribunal Federal impor a Bolsonaro mais de vinte e sete anos de prisão no julgamento da chamada “Trama Golpista”, Scheid publicou mensagem solidária em suas redes sociais: “Que Deus esteja aí contigo, tudo isso vai passar meu amigo […] estarei com você até depois do fim.” O gesto ecoou entre aliados e reforçou sua posição como figura de confiança do ex-presidente.
A reação à prisão de Bolsonaro em 22 de novembro de 2025 consolidaria ainda mais esse enredo. Segundo reportagem da Rondônia Dinâmica publicada às 08h25 daquele dia, Scheid afirmou publicamente: “Que dia triste meus amigos! Um homem honesto […] Nunca pensei que veria esta cena.” A manifestação ocorreu poucas horas depois de uma página conservadora divulgar imagem registrada em 21 de novembro mostrando Scheid diante da residência de Bolsonaro no condomínio Solar de Brasília, acompanhado do deputado Hélio Lopes, observando a movimentação de veículos na entrada do residencial.
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No mesmo dia, após a confirmação da prisão preventiva pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pelo advogado Celso Villardi, Scheid gravou um vídeo relatando que testemunhou a chegada dos agentes da PF enquanto “ia entregar pães” ao ex-presidente, atividade que disse realizar sempre que está em Brasília. Declarou ter visto “a cena que eu jamais gostaria de ter visto na minha vida”, acompanhado o deslocamento até a Superintendência da PF e entrado no prédio para abraçar Bolsonaro. “Estive com ele até agora pouco lá dentro da superintendência”, disse, acrescentando que o encontrou “tranquilo” e confiante de que a situação se resolveria.
A força dessa interlocução aparece também nas agendas políticas. Em 29 de setembro de 2025, Michelle Bolsonaro, durante evento do PL Mulher em Ji-Paraná, afirmou publicamente: “nosso querido Bruno Scheid, nosso pré-candidato ao Senado”, chamando-o em seguida de “Amigo, querido”. Destacou ainda que Jair Bolsonaro tem “um grande carinho pela vida dele”. No mesmo ato, Jaime Bagattoli declarou que Scheid “é o escolhido para ser candidato a senador do Jair Bolsonaro”. Marcos Rogério, por sua vez, reforçou que Rondônia “saberá reconhecer” o esforço do aliado e destacou que o PL poderá ter “três senadores de direita” após 2026, sinalizando abertamente que abençoa o papel de Scheid na disputa e que sua própria prioridade será a corrida ao governo.
Scheid também demonstrou publicamente sua gratidão após o encontro, agradecendo a Michelle, Sandra Melo, Bagattoli e Rogério e reafirmando sua posição: “Nunca vou desistir do presidente Jair Bolsonaro.”
Em 12 de setembro de 2025, ele esteve entre os seis aliados impedidos por Alexandre de Moraes de realizar visitas livres ao ex-presidente, ainda que tenha sido autorizada uma visita controlada para 19 do mesmo mês. Mesmo quando submetido a restrições, sua posição no entorno de Bolsonaro permanecia evidente.
A linha do tempo, composta por registros de 2022, setembro de 2025, 12 de setembro, 21 e 22 de novembro, mostra um padrão inequívoco. Em todas as etapas — Planalto, eventos partidários, redes sociais, residência de Bolsonaro e até na Superintendência da PF — Scheid aparece como presença constante. Com o PL reorganizando sua estrutura majoritária para 2026, a decisão está consolidada: Bolsonaro escolheu Scheid como pré-candidato número 1 ao Senado; Marcos Rogério, mirando o governo, sacramentará o segundo nome da chapa. É o arranjo mais puro da lógica bolsonarista: acesso, confiança e lealdade contínua.
Bruno Scheid chega à disputa não por conveniência eleitoral, mas por trajetória acumulada e lealdade — e isso, no projeto político liderado por Jair Bolsonaro, é o que define quem são os escolhidos.










