Da celebração do solstício de inverno ao nascimento de Cristo, a data atravessa culturas e séculos como símbolo universal de luz, renovação e esperança
Muito antes do nascimento de Jesus Cristo, diversos povos da Antiguidade já celebravam, em diferentes culturas, datas que hoje se aproximam do que conhecemos como Natal. Essas comemorações estavam profundamente ligadas aos ciclos da natureza, especialmente ao solstício de inverno, fenômeno que ocorre no hemisfério norte por volta do dia 21 de dezembro.
Nesse período do ano, os dias se tornavam cada vez mais curtos: anoitecia mais cedo e amanhecia mais tarde. Para povos que dependiam diretamente da agricultura e da observação da natureza, esse encurtamento da luz solar simbolizava dificuldades, incertezas e até medo. Por isso, o solstício de inverno marcava um momento crucial: a partir dali, os dias voltariam gradualmente a se alongar, trazendo a esperança de renovação, calor e vida.
Civilizações como os romanos, os celtas, os egípcios e povos germânicos celebravam festividades relacionadas ao retorno da luz. Em Roma, por exemplo, a Saturnália era uma grande festa marcada por confraternização, troca de presentes e suspensão temporária das hierarquias sociais. Já o culto ao Sol Invictus celebrava o “sol invencível”, simbolizando a vitória da luz sobre as trevas.
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Com o avanço do cristianismo, especialmente a partir do século IV, a Igreja passou a ressignificar essas celebrações já enraizadas no imaginário popular. A escolha do dia 25 de dezembro para comemorar o nascimento de Jesus não foi aleatória. Ela dialogava diretamente com essas festas pagãs, substituindo o simbolismo do sol físico pelo nascimento de Cristo, a “luz do mundo”.
Assim, o Natal cristão passou a representar não apenas um evento histórico-religioso, mas também um profundo símbolo espiritual: a chegada da esperança, da fé e da salvação em meio às “trevas” do mundo. O que antes era a celebração do retorno da luz natural, tornou-se, para os cristãos, a celebração do nascimento daquele que trouxe uma nova luz à humanidade.
Portanto, compreender que o Natal tem raízes anteriores ao cristianismo não diminui seu significado religioso. Pelo contrário, amplia sua compreensão histórica e cultural. O Natal é, desde sempre, uma celebração da vida, da renovação e da esperança, valores universais que atravessam séculos, crenças e civilizações.
*Samuel Costa é rondoniense, professor, advogado e especialista em Ciência Política









