Movimentações de bastidores, trocas de legenda, disputas internas e estratégias familiares começam a desenhar, com antecedência, o tabuleiro eleitoral de Rondônia para 2026
Nesta sexta-feira, 02, o jornalista Carlos Sperança aborda o início do aquecimento do cenário político de Rondônia com foco na janela partidária de abril, que deve provocar migrações estratégicas como a saída de Fernando Máximo do União Brasil para o PL com vistas ao Senado; as indefinições de Lúcio Mosquini, pressionado por alinhamentos ideológicos e pela concorrência crescente na Bacia Leiteira; e o avanço de uma tendência recorrente no estado, marcada pela projeção de esposas, filhos e parentes de lideranças tradicionais para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, em meio a um contexto de renovação forçada, inelegibilidades e disputa intensa por espaço eleitoral.
Morto-vivo
Uma das ideias mais fortes do desenvolvimento capitalista é que os eficientes prevalecem e os ineficientes desaparecem. No entanto, há uma regra conservadora que também atua: o velho resiste a morrer e busca prolongar a vida até o esgotamento de suas forças. No caso do encalacrado acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que desde 2019, concluído, aguarda as assinaturas necessárias para entrar em vigor, mesmo o “velho” estendendo seu período de vida por 26 anos – duração das negociações – e ainda extras 10 a 15 para aplicação, os ineficientes persistem em prolongar o estado de coma.
Os europeus sugaram do Mercosul até o osso ao longo das negociações e não há mais o que fazer a não ser pôr as iniciativas combinadas logo em ação. Já está claro que o acordo reduziria os preços dos produtos agrícolas na Europa e que a indústria europeia seria mais beneficiada com ele que o agronegócio brasileiro, mas o ano de 2025 se esgota e o acordo continua em banho-maria.
Como o que cabia ao Brasil já está feito, só resta ampliar as tratativas para colocar nossos produtos na Ásia e África. Aliás, já começou o envio de castanha-do-Brasil ao Japão, ovos processados para Singapura, carne de patos, outras aves e carne de coelho para o Egito, além de derivados de ossos bovinos, chifres e cascos para uso industrial à Índia. Há claros sinais de que esses negócios vão aumentar significativamente em breve.
Janela partidária
Passadas as festividades natalinas e do Ano Novo, teremos o carnaval e posteriormente então o esquentamento da campanha política 2026 com a chamada janela partidária em abril, aquele dispositivo que permite a troca de partidos pelos deputados estaduais e federais sem a punição da perda de mandatos. Existe a previsão de muitas trocas, a começar pelo alto clero da política rondoniense, deputados que vão trocar de legenda para disputar o Senado, como é o caso de Fernando Máximo, atualmente no União Brasil, pulando para o PL de Marcos Rogério.
As conveniências
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
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Por conveniências ideológicas, já que se declarou bolsonarista, temos a transferência do MDB do deputado federal Lucio Mosquini que ainda não se definiu sua próxima legenda. Entre as opções bolsonaristas estariam o PL, os Republicanos e os Progressistas. Precisa escolher bem, já que agora tem um predador no seu ninho, que é a região da Bacia Leiteira, polarizada por Jaru e Ouro Preto. Trata-se do ex-prefeito José Amauri, pertencente ao clã dos Muletas, uma família tradicional na política rondoniense que está lançando a ex-deputada estadual Cassia dos Muletas a Assembleia Legislativa.
Muitos políticos
Grande parte dos políticos rondonienses projetando suas esposas nas pelejas a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados no ano que vem. Senão vejamos: Em Vilhena o senador Jaime Bagatolli (PL) escalando sua esposa – será a grande concorrente de Natan Donadon a federal– em Cacoal o atual prefeito Adailton Fúria (PSD) projetando a eleição da sua primeira dama Joliane a Câmara dos Deputados, na capital o ex-prefeito Hildon Chaves (PSDB) que vai disputar a Câmara Federal, sua esposa Ieda Chaves (União Brasil) a Assembleia Legislativa, no caso a reeleição.
Renovação na ALE
A renovação dos quadros na Assembleia Legislativa passa por várias vertentes. Em primeiro lugar, deputados que vão disputar outros cargos eletivos, caso do Delegado Camargo (Ariquemes) que pleiteia uma cadeira ao Senado. Também passa pelos dois deputados estaduais tornados inelegíveis pela justiça eleitoral, casos dos parlamentares Jean de Oliveira (Alta Floresta) e Neiva de Carvalho (Cerejeiras). Segue pela falta de capilaridade eleitoral de alguns deputados, como Eyder Brasil (Porto Velho), que era suplente e assumiu na cadeira do prefeito eleito de Cacoal Adailton Fúria. Não bastasse temos predadores poderosos já em campanha.
Muitos cotados
Descontadas as primeiras pesquisas vigentes em 2026, temos alguns candidatos já em alta cotação para a Assembleia Legislativa. Na capital, desde o vereador Marcio Pacele ao secretário municipal Paulo Moraes Filho, ambos com forte estrutura. Também casos dos ex-deputados Hermínio Coelho e Jair Montes. Podem ser incluídos nesta lista também a ex-senadora Fatima Cleide e o ex-prefeito Roberto Sobrinho. Na região de Ariquemes, o ex-deputado estadual Adelino Follador, na região de Pimenta Bueno o deputado Só na Bença. E por aí vai, volto ao assunto porque esqueci muitos nomes em ascensão no cenário político rondoniense.
Via Direta
*** O ex-presidente do Diretório Municipal do MDB de Porto Velho Williames Pimentel reforça a nominata de candidatos a Assembleia Legislativa pelo MDB. O partido também anuncia que está recebendo novas lideranças *** No âmbito da coalisão Caravana da Esperança, que reúne oito partidos o ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho deve definir sua candidatura a Câmara dos Deputados. Mas não descarta também disputar uma cadeira a Assembleia Legislativa *** Os políticos inelegíveis para as próximas eleições vão lançar as candidaturas de irmãos e filhos, Jean Oliveira lançando o mano, ex-vereador, Neiva de Carvalho o filho Viveslando Neiva.









