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COLUNA DO SPERANÇA
Confúcio e Rocha na disputa de 2026; ex-prefeitos de Porto Velho fora do radar; e Marcos Rogério sob pressão do favoritismo

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Entre reviravoltas eleitorais, sobreviventes da velha política e apostas para 2026, Rondônia revisita seu passado para tentar decifrar o futuro

Por Carlos Sperança - terça-feira, 06/01/2026 - 14h54

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Nesta terça-feira, 06, o jornalista Carlos Sperança aborda o destino político de personagens centrais da história recente de Rondônia, com destaque para os ex-governadores ainda ativos e já em movimento para as eleições de 2026, a trajetória e o esvaziamento político dos ex-prefeitos de Porto Velho e o padrão recorrente de reviravoltas eleitorais no estado, que historicamente derruba favoritos e lança dúvidas sobre o desempenho antecipadamente atribuído a nomes como Marcos Rogério na próxima disputa majoritária.

O que a Amazônia pode esperar para 2026? A julgar pelo que aconteceu em 2025, com a tão sonhada realização da COP30 dando xabu – esperava-se uma declaração final decisiva e ela saiu com o freio puxado –, será um ano de ações rápidas por parte dos desenvolvimentistas. Contando com a neutralidade da Justiça, eles dominaram o Congresso, constituem ampla maioria no governo Lula e encurralaram os ambientalistas.

Aliás, os governos de Lula nunca foram de “esquerda”: no máximo e por algum tempo defendiam o meio ambiente. Nos dois primeiros, Lula teve o contraponto do liberal José de Alencar. Hoje conta com Geraldo Alckmin, a quem o PT tentou aplicar o carimbo de “conservador e reacionário”. Já Alckmin dizia que “Lula é o retrato do PT, partido envolvido em corrupção”.

Os dois estavam errados: o vice-presidente é democrático e há petistas combatendo a corrupção. A propaganda é a alma do negócio, mas em política é irmã da mentira, com o que discursos eleitorais valem menos que titica de passarinho. Só raras vozes ainda se levantam dentro do governo, e nem todas do PT, em favor de medidas fortes para evitar desastres climáticos. Unanimidade partidária pelo desmatamento zero só há na Rede Sustentabilidade, da ministra Marina Silva. Os negacionistas evoluíram para o desenvolvimentismo e os ambientalistas radicais só repetem argumentos que o governo e a oposição ignoram.

Os ex-governadores

Na passagem de mais um aniversário da instalação de Rondônia, em 4 de janeiro, me indagaram por onde andam os ex-governadores do estado. Nomeados, o primeiro governador, o coronel Jorge Teixeira (PDS), um gaúcho e o segundo Ângelo Angelim (MDB), paulista, já foram para o andar de cima. Igualmente o primeiro governador eleito pelo voto direto, Jeronimo Santana, nascido em Goiás, já faleceu. Estão vivos, muitos lúcidos, o ex-governador Oswaldo Piana Filho, nascido em Rondônia, eleito em 1990, o catarinense Waldir Raupp (MDB) eleito em 94, o paranaense José Bianco eleito em 1998, o catarinense Ivo Cassol consagrado nas urnas em 2002 e reeleito em 2006, na história mais recente os também reeleitos Confúcio Moura (Goiano) e Marcos Rocha (carioca)

Pendurando as chuteiras?

Dos governadores ainda vivos, Piana, o governador do Linhão, reside no Rio de Janeiro deixou as lides políticas. Os catarinenses Waldir Raupp e Ivo Cassol moram em Rondônia, assim como o paranaense José Bianco que teve uma trajetória histórica, também como presidente da Assembleia Constituinte de Rondônia e o deputado estadual mais votado na época. Também Confúcio Moura e Marcos Rocha residem no estado, ativos politicamente e disputando cargos eletivos nas eleições de 2026. Os vices governadores João Cahula (de Ivo Cassol) e Daniel Pereira (De Confúcio) que assumiram a titularidade seguem ativos politicamente.

Os ex-prefeitos de PVH

Também existe grande curiosidade sobre o destino dos ex-prefeitos de Porto Velho. Nomeado desde os idos de território, o mais longevo é acreano Sebastião Assef Valadares (PDS), também primeiro alcaide da capital já na condição de estado. Ele foi substituído pelo também nomeado, o goiano José Vieira Guedes (MDB). Então, em 1988 seria eleito o primeiro prefeito pelo voto direto de Rondônia, o amazonense Francisco Chiquilito Erse (PFL), já falecido. José Guedes voltaria ao cargo de prefeito pelo voto direto em 2002. Chiquilito teria mais um mandato, deixando parte dele ao vice, o rondoniense Carlinhos Camurça. Na sucessão de Camurça (reeleito) emergiu o paulista, Roberto Sobrinho (PT), um fenômeno nas urnas, o segundo reeleito. Na sequência, na história mais recente tivemos o fluminense Mauro Nazif, o pernambucano Hildon Chaves e atualmente temos o paranaense Leo Moraes.

Os menos votados

Em Rondônia, vigora o a adágio popular de que “os últimos serão os primeiros”. Senão vejamos: o primeiro governador nomeado, Ângelo Angelim (MDB-Vilhena), foi o deputado estadual menos votado em 1982. Inclusive obteve o cargo através de uma recontagem de votos contra o cacoalense Joaquim, que viajou festejando sua eleição e voltou suplente de Angelim. No caso de José Guedes, como prefeito nomeado de Porto Velho ele tinha sido o edil menos votado na capital e acabou obtendo nomeação para um mandato tampão.

Guedes também obteve uma vitória a vereador com recontagem de votos e foi eleito graças a redescoberta do voto de sua esposa.

Grandes reviravoltas

Rondônia também é objeto de grandes e sensacionais reviravoltas com graves prejuízos para os candidatos favoritos. Um dos maiores deles, Chiquiito Erse, tombou perante Waldir Raupp (MDB) em 94. Favoritíssimo em 98, Raupp sucumbiu a ascensão do senador José Bianco (PFL). Interessante também, é que Confúcio Moura nas duas eleições que disputou e que ganhou ao então Palácio Presidente Vargas sede do governo estadual, em nenhuma delas era favorito. Isto também ocorreu com o atual governador Marcos Rocha, ganhou duas eleições de virada. Estranho foi que o rei dos favoritos, Expedito Junior perdeu pelo menos duas eleições onde liderava as pesquisas. E 2026? Será que o grande favorito, Marcos Rogério ganha a parada?

Via Direta

*** Minha homenagem ao jornalista Paulo Martins, lá em Cascavel (PR) que deve ter emplacado os 80 anos. Ele fez história em Rondônia, na Rádio Eldorado e fundando o jornal Estadão do Norte ao final da década de 80. Foi responsável pela leva migratória de jornalistas paranaenses para cá, inclusive este que vos fala *** No Paraná acredita-se em uma nova onda migratória de venezuelanos depois da intervenção militar dos americanos sequestrando o ditador Maduro. Curitiba é a cidade que mais recebeu estes migrantes da Venezuela na década passada *** Muitos amigos e funcionários públicos em Rondônia aposentados tocando a vida em João Pessoa, a aprazível capital paraibana. Terra dos falecidos Walderedo Paiva e Paulo Queiroz, sempre lembrados.  Belos e formosos, Geraldo Rolim e Ocampo estão por lá.

AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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