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COLUNA DO SPERANÇA
Confúcio entre o Senado e o Governo; Rogério mira o Palácio; e Bolsonaro projeta domínio bolsonarista em Rondônia

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Disputa antecipada, cálculos otimistas e indefinições estratégicas marcam o tabuleiro político rondoniense às vésperas de 2026

Por Carlos Sperança - quarta-feira, 07/01/2026 - 09h25

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Nesta quarta-feira, 07, o jornalista Carlos Sperança aborda o cenário político que se desenha para as eleições de 2026, com destaque para as incertezas em torno do futuro de Confúcio Moura, dividido entre a reeleição ao Senado e uma possível candidatura ao governo estadual; a movimentação de Marcos Rogério, que articula nos bastidores sua ida ao Palácio Rio Madeira; e as projeções do bolsonarismo, que aposta alto na eleição de dois senadores e do próximo governador de Rondônia, em um ambiente marcado por negociações lentas, ambições cruzadas e forte disputa por espaços de poder.

A escritora Clarice Lispector encantou seus leitores formulando frases que os fazem refletir: “Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”, escreveu ela no livro A paixão segundo G.H. Pode ser que o biólogo Rodrigo Costa Araújo, especialista em primatas, tenha sentido o peso dessa sentença depois de trabalhar durante quinze anos em busca de espécies desconhecidas de saguis no Arco do Desmatamento da Amazônia.

Ele achou não apenas uma: foram duas, uma delas o Mico munduruku, e uma terceira, o Plecturocebus grovesi, foi descrita por ele e outros pesquisadores. Assim que foram anunciadas essas descobertas, os animais descritos logo entraram na lista dos ameaçados de extinção. Anos para descobrir e dias para receber o aviso de que a espécie corre o risco de desaparecer logo, sabendo que se isso acontecer será como anular o trabalho de uma vida.

Além disso, todo esse minucioso trabalho sofre o desestímulo de não haver a integração dos esforços para desvendar as espécies desconhecidas da alta biodiversidade da Amazônia, segundo o professor Mario Moura, da Universidade Federal da Paraíba, autor de estudo nesse sentido. É preciso um esforço dos cientistas, com o apoio da mídia, no sentido de que as espécies recém-descobertas recebam uma atenção direta, capaz de se irradiar pelo ambiente do entorno até consolidar uma área protegida. Como sagui e mico não votam, pouco resta a esperar dos políticos.

Eleições 2026

Nas eleições de outubro, dois terços das cadeiras ao Senado serão renovadas, exatamente 34 cadeiras. Conforme recente levantamento 33 senadores confirmam o propósito de disputar a reeleição e 4 anunciam a disposição de abrir aposentadoria. Em Rondônia, o senador Bagatolli (PL) que tem mandato de oito anos não entra na peleja eleitoral e está mais quatro anos garantido. Já, os senadores Marcos Rogério (PL) e Confúcio Moura (MDB), tanto podem disputar o governo estadual como a reeleição. Nos bastidores se sabe que Rogério mira o Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual e Confúcio admite a opção pela reeleição ao Senado.

Contas otimistas

Nas contas do ex-presidente Jair Bolsonaro, a família emplaca a ex-primeira dama Michele ao Senado em Brasília, o filho Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina. Em Rondônia, as contas ainda são mais otimistas para os bolsonaristas: trata-se de eleger o próximo govenador de Rondônia e dois senadores. Seriam Bruno Scheidt e Fernando Máximo para as duas cadeiras ao Senado e o senador Marcos Rogério para o governo estadual. Num estado já habituado a tantas reviravoltas, fazer barba, cabelo e bigode é uma tarefa difícil, mas que o falecido governador Teixeirão já conseguiu nas eleições de 1982.

Contagem regressiva

Começa a contagem regressiva para as eleições de outubro quando 150 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher o novo presidente, os governadores, os senadores (54 dos 81), deputados federais e estaduais. Em Rondônia se vê um cenário bem indefinido com o processo da escolha dos candidatos na esfera estadual retardado na mesa das negociações. Impede o avanço as articulações a possível decisão do governador Marcos Rocha em desistir da sua candidatura ao Senado e permanecer no cargo até o final do mandato. Na oposição, o senador Confúcio Moura (MDB) catimba o jogo adiando sua decisão. Estamos longe da definição das candidaturas que deverão se arrastar até as convenções de julho.

Predadores em ação 

Com os deputados federais Silvia Cristina (PP-Ji-Paraná) e Fernando Máximo (União Brasil-Porto Velho), se voltando a disputa ao Senado no pleito 2026, é previsível uma enorme renovação dos quadros da bancada da Câmara Federal em Rondônia já que existem postulações sólidas, como as dos ex-prefeitos de Porto Velo Hildon Chaves (PSDB) e Jesualdo Pires (PSB) em Ji-Paraná. O interior vem com candidatos vitaminados, desde o ex-deputado federal Natan Donadon (Vilhena), a Joliane Fúria (Cacoal), Jaqueline Cassol e Expedito Junior (Rolim de Moura). Que os federais fiquem de barba de molho.

Em ascensão

Tratando-se de Porto Velho, a disputa para a Câmara dos Deputados estará bem acirrada em vista de nomes em ascensão no cenário regional, desde o Pastor Valadares ao ex-prefeito da capital Roberto Sobrinho, o pedetista Célio Lopes, entre outros nomes celebrados. Com isto os projetos de reeleição dos deputados Cristiane Lopes (União Brasil), Coronel Chrisóstomo (PL) e Mauricio Carvalho (União Brasil) ficam bem ameaçados. No interior, o único parlamentar a não se preocupar é Lucio Mosquini (de saída do MDB) que ampliou suas bases. Mesmo assim terá no seu pé, com as garras afiadas o ex-prefeito de Jaru José Amauri, patriarca do clã dos Muletas.

Via Direta

*** Por mais incrível que possa parecer em pleno inverno amazônico, que é nossa estação a chuva a região do Alto Solimões padece com uma seca terrível no Amazonas *** Como se vê os efeitos das mudanças climáticas vieram para ficar até onde não se pensava, mesmo em áreas densamente cobertas pela floresta *** As redes de lojas de eletrodomésticos e de supermercados do interior vão ampliando a presença em Porto Velho. O mercado está sendo bem disputado *** No ramo das farmácias a Drogasil e a Ultrafarma duelam nas regiões mais populosas da capital rondoniense. Inclusive no sistema fuça x fuça, frente a frente. Com isto pequenas farmácias acabam fechando as portas, não resistindo a concorrência.

AUTOR: CARLOS SPERANÇA





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