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A VERDADE QUE DÓI
Pedágio na BR-364 está é barato

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Entre o pedágio, a devastação ambiental e o silêncio político, a concessão da BR-364 expõe contradições históricas de Rondônia e reacende o debate sobre quem paga a conta do chamado “progresso”

Por Professor Nazareno - quinta-feira, 08/01/2026 - 10h35

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Professor Nazareno*

A BR-364, que liga o Estado do Mato Grosso a Rondônia e ao Acre, teve uma parte privatizada recentemente. É o trecho entre as cidades de Vilhena e Porto Velho, a suja e fedorenta capital do estado Karipuna. Já a partir do próximo dia 12 de janeiro, as cobranças começarão a acontecer para o deleite da população atingida. Praticamente todos os “sofridos habitantes de antes estão eufóricos e muito alegres. A classe política, tanto a estadual quanto a federal, não esconde a sua satisfação e o regozijo com mais este grande presente dado ao povo rondoniense. A exemplo das grandes rodovias espalhadas pelo país, Rondônia também já tem a sua rodovia nas mãos da iniciativa privada. “O progresso finalmente dará as caras por aqui”, é o que se ouve das pessoas. Já é quase consenso de que quando a privatização chega a algum lugar ou instituição, tudo melhora.

Muito antes dessa “abençoada” privatização, massas de turistas chegavam aos montes para visitar Rondônia e também a sua imponente capital. Agora esse contingente vai quadruplicar, pode-se ter a certeza disso. Os brasileiros oriundos de outras unidades da Federação terão a partir de agora a oportunidade única de ver o que é uma rodovia privatizada e como ela funciona tão bem. As coisas começarão de fato a funcionar como nos países de Primeiro Mundo. Pagando uma “ninharia” os novos turistas poderão ver in loco como um povo pobre e miserável consegue militar politicamente na extrema-direita reacionária e não demonstrar nenhum tipo de arrependimento. Verão também como a produção do agronegócio promoveu um dos maiores desastres ambientais da história da Humanidade. A impenetrável floresta amazônica foi derrubada e transformada em capim. 

Com a privatização da BR-364, os turistas e forasteiros poderão acompanhar de perto e até estudar como foram feitos os massacres de várias populações originárias locais para dar lugar a cidades “pujantes e progressistas” como Jaru, Ouro Preto, Presidente Médici, Pimenta Bueno e tantas outras. Além do mais, a partir de agora certamente os novos donos da estrada farão jorrar mel e leite da sua rodovia. Em pouco tempo ela será toda duplicada, claro! E quem quiser ver “de camarote” como foi feita a maior destruição de uma floresta tropical é só pagar o pedágio. Os preços de tudo vão baixar. Vejam só: a privatização só pode mesmo ser coisa de Deus, pois a Energisa, por exemplo, depois que chegou a Rondônia tudo aqui melhorou: energia boa, barata e farta. E se você nunca foi atendido num hospital “Built to Suit” agora vai pagar pedágio num sistema “Free Flow”.

Esse baita presente de Ano Novo que Rondônia recebeu deve ser por que muitos de seus habitantes são incultos, conservadores e da extrema-direita. “E por isso, eles não reclamam de quase nada”. Óbvio que nenhum dos 3 senadores, dos 8 deputados federais do Estado e dos 24 deputados estaduais sabia dessa cobrança. Muitos desses políticos, dos prefeitos do interior e até mesmo o governador do Estado quase não falam sobre tudo isso. E como “quem cala, consente”. Mas a maioria deles espera receber votos da massa ignara em 2026. Já ouvi algumas pessoas, claro que de direita, defenderem a privatização de todo o Estado de Rondônia: as hidrelétricas, o rio Madeira, que praticamente já tem dono, o CPA, o rio Machado, o ar que respiramos, o rio Candeias, o céu azul, o que ainda resta de floresta e até a própria capital estadual. Quanto será que Porto Velho vale a preço de hoje? Ninguém percebeu que “Quando tudo for privado, seremos privados de tudo”.

*Foi Professor em Porto Velho.

AUTOR: PROFESSOR NAZARENO





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