Em nota oficial, Itamaraty lamenta mortes, pede diálogo pacífico e informa que não há brasileiros entre vítimas
Porto Velho, RO – A reação das autoridades iranianas aos protestos que se espalharam pelo país, com o uso de força letal e registro de centenas de mortes, motivou um posicionamento oficial do governo brasileiro. Em nota divulgada nesta terça-feira (13), o Ministério das Relações Exteriores afirmou acompanhar com preocupação a situação no Irã e lamentou as mortes ocorridas durante as manifestações.
Segundo o comunicado, o Brasil defende que cabe exclusivamente à população iraniana decidir, de forma soberana, os rumos do país. O texto ressalta a necessidade de engajamento de todos os envolvidos em um processo de diálogo pacífico, substantivo e construtivo, como forma de enfrentar a crise interna. A chancelaria informou ainda que, até o momento, não há registro de brasileiros entre mortos ou feridos, e que a embaixada em Teerã permanece prestando atendimento à comunidade brasileira.
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As manifestações tiveram início em 28 de dezembro, impulsionadas pelo aumento do custo de vida, e posteriormente passaram a incorporar críticas diretas ao sistema de governo clerical instaurado após a Revolução Islâmica de 1979. O cenário econômico tem agravado o contexto de insatisfação, com a moeda rial acumulando perda de quase metade do valor frente ao dólar em 2025 e a inflação alcançando 42,5% em dezembro, em meio a sanções dos Estados Unidos e ameaças de ataques por parte de Israel.
De acordo com organizações não governamentais, a repressão aos protestos resultou em pelo menos 600 mortes em diferentes regiões do país. Autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de estimular os atos e chegaram a ameaçar ataques contra bases norte-americanas. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que protestos pacíficos são tolerados, mas classificou os distúrbios recentes como ações de “terroristas do estrangeiro”.
No cenário internacional, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou a intenção de impor tarifa de 25% a países que mantenham relações comerciais com a República Islâmica do Irã e voltou a mencionar a possibilidade de intervenção militar. Caso a medida seja formalizada, o Brasil poderá ser impactado, especialmente no comércio exterior. Em 2025, o intercâmbio comercial entre os dois países somou quase US$ 3 bilhões, embora o Irã represente apenas 0,84% das exportações brasileiras. O governo federal informou que aguarda a publicação da ordem executiva norte-americana para definir sua posição.




