Investigação aponta aplicação de substância letal em pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga
Porto Velho, RO – Três mortes ocorridas em um hospital particular do Distrito Federal passaram a ser tratadas como homicídios após a prisão temporária de ex-técnicos de enfermagem suspeitos de aplicar substâncias letais em pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva. As apurações são conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal e o caso tramita sob segredo de Justiça.
Os óbitos aconteceram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, no Hospital Anchieta, em Taguatinga, mas só foram divulgados publicamente nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026. As vítimas identificadas são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos. Os nomes não foram informados pelas autoridades, assim como a identidade dos investigados.
Dois suspeitos, um homem e uma mulher, haviam sido detidos no dia 11 de janeiro, durante a deflagração da Operação Anúbis. Uma terceira investigada foi presa na quinta-feira, 15, quando policiais apreenderam dispositivos eletrônicos e outros materiais que devem auxiliar na continuidade das investigações.
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira, o delegado Wisllei Salomão afirmou que as evidências reunidas indicam a aplicação de um medicamento indevido diretamente na veia das vítimas. Segundo ele, trata-se de um fármaco de uso comum em UTIs, mas que, nessas condições, provoca parada cardíaca. Para o delegado, os pacientes “foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles”.
De acordo com a Polícia Civil, imagens do sistema de câmeras da UTI, prontuários médicos e depoimentos de funcionários do hospital foram analisados durante a investigação. A apuração indica que um dos técnicos de enfermagem utilizou acessos do sistema hospitalar que estavam abertos em nome de médicos para prescrever o medicamento indevido, retirá-lo na farmácia, prepará-lo e aplicá-lo nas vítimas. O material teria sido escondido no jaleco antes da aplicação.
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O delegado informou ainda que as duas técnicas de enfermagem presas teriam sido coniventes com a conduta. Uma delas teria auxiliado na retirada do medicamento da farmácia e também estava presente no momento em que a substância foi ministrada. Em um dos casos, conforme relatado pela polícia, além do medicamento, um desinfetante foi injetado repetidas vezes em uma das pacientes após o fim do fármaco.
Em nota, o Hospital Anchieta comunicou que demitiu os três auxiliares após um comitê interno identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes de pacientes internados na UTI. A unidade informou que acionou a Polícia Civil e compartilhou integralmente as informações levantadas durante a apuração interna, afirmando que também é vítima da ação dos ex-funcionários. O hospital declarou solidariedade aos familiares das vítimas e disse colaborar de forma irrestrita com as autoridades, respeitando o segredo de Justiça.
Segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem apontado como responsável pelas aplicações tem 24 anos e, após ser desligado do Hospital Anchieta, continuou atuando em uma UTI infantil. Ele também é estudante de fisioterapia. As duas técnicas presas têm 28 e 22 anos; uma delas já havia trabalhado em outros hospitais, enquanto a outra estava em seu primeiro emprego na área.
As prisões são temporárias, com prazo de 30 dias. O delegado afirmou que as investigações seguem em andamento para verificar se outras pessoas participaram dos crimes e para apurar se houve mortes com o mesmo padrão em outras unidades onde os investigados atuaram. Também serão analisados os aparelhos celulares e computadores apreendidos para esclarecer a motivação dos atos.
Procurado pela reportagem, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios informou que irá avaliar as medidas cabíveis após receber o procedimento apuratório da Polícia Civil.




