São inúmeras as ações para diminuir o crescente número de violência contra a mulher. Mas elas precisam ser coletivas
Começamos o ano com o Brasil batendo recorde do que não deveria existir. De acordo com os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 2025, 1.470 mulheres perderam a vida, foram assassinadas, por serem mulheres.
Para se ter uma ideia, em 2015 quando o feminicídio foi tipificado, foram 535 mortes. Isso revela que nos últimos dez anos essa violência que vem sendo tratada como rotina, interrompeu sonhos e destruiu famílias, cresceu 316%.
Rondônia apresenta uma das piores taxas do crime para cada 100 mil habitantes. O Estado ocupa a terceira posição no ranking nacional, com um índice de 1,43, ficando atrás apenas do Acre (1,58) e à frente do Mato Grosso (1,36). No ano passado, 25 mulheres foram vítimas de feminicídio aqui.
Quase todos os dias, acordamos com notícias de um novo caso de agressão brutal ou feminicídio no país. Permanecer viva é um desafio diário. Estamos com uma média de quatro mulheres sendo mortas por dia. E a pergunta é: O que estamos fazendo para mudar esses números? Quando uma mulher morre, a falha é coletiva. Precisamos de compromisso social com a vida dessas mulheres.
Os nossos representantes dizem que é possível combater a violência e salvar vidas por meio das políticas públicas bem estruturadas. Mas o que está sendo feito? Devemos fazer perguntas como: As delegacias das mulheres já estão funcionando 24h por aqui? Existem servidores suficientes para atender e investigar essas denúncias? Eles estão preparados para acolher essas mulheres nesse momento difícil?
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
Como esse tema está sendo tratado nas escolas? Como estamos educando nossas crianças? E no trabalho? As palestras ou rodas de prosa também estão sendo voltadas para o público masculino? Ou vamos continuar apenas pedindo para elas denunciarem, enquanto existem falhas nas medidas protetivas?
E a imprensa como está abordando esse tema? Está sendo divulgada a alta taxa de descumprimento das medidas protetivas? A fiscalização e o monitoramento estão sendo efetuados? A demora judicial que atrasa a proteção das vítimas tem sido cobrada? Como a desatualização de dados sobre o agressor e a vítima dificulta o cumprimento da ordem pelos oficiais de justiça? Só divulgar casos de violência contra a mulher não é bastante. Não podemos nos contentar apenas em contar corpos.
Todos nós somos influenciadores ao nosso redor. Também temos o nosso papel no dia a dia, quando podemos aprender a corrigir a piada grosseira que ofende mulheres entre amigos. Ter o bom senso de não amenizar a vida de agressores. De acolher mulheres que precisam de ajuda para sair de um relacionamento violento. Acreditar na fala de mulheres que criaram coragem para se livrar do agressor. Cobrar leis mais duras para ganhar respeito sobre nossos corpos.
São inúmeras as ações para diminuir o crescente número de violência contra a mulher. Mas elas precisam ser coletivas com o apoio da Imprensa, Governo e todos os interessados em resolver esse problema de saúde pública que vem matando mulheres e destruindo vidas por práticas hediondas que não deveriam existir, mas ainda persistem.









