Pedágio suspenso por liminar, crise no custo da energia e articulações cruzadas entre bolsonarismo e lulopetismo embaralham o tabuleiro político de Rondônia às vésperas do calendário eleitoral.
Nesta sexta-feira, 30, o jornalista Carlos Sperança aborda o acirramento do debate em torno do pedágio na BR-364, que levou o senador Confúcio Moura a reagir às críticas e a dividir responsabilidades pela concessão, enquanto a suspensão judicial traz alívio temporário à população; analisa ainda o cenário eleitoral marcado por indefinições, alianças táticas e a projeção do senador Marcos Rogério como nome forte para 2026; e contextualiza o impacto das decisões federais herdadas do período em que a infraestrutura esteve sob comando de Tarcísio de Freitas, hoje no centro das acusações sobre a modelagem que resultou em tarifas elevadas e forte desgaste político em Rondônia.
Haverá retorno?
As profecias sobre o fim do mundo que se avolumaram no final do século XX tinham um defeito elementar: datas previstas. Menos exato, o pregador William Miller anunciou a vinda de Jesus Cristo entre março de 1843 e março de 1844. Mais preciso, o Dia do Julgamento Final, segundo Harold Camping, seria exatamente 21 de maio de 2011. O Apocalipse Maia cravou o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012.
Os profetas mais acreditados da nossa época – os cientistas – remetem a desgraça final da Amazônia – o ponto a partir do qual não poderá haver recuperação – para 2035, desde que permaneçam as atuais condições de degradação florestal e piora do clima. Quem acredita nisso pede ações governamentais favoráveis à proteção da floresta e se emociona com as peças publicitárias das empresas que usam a utopia ecológica de um paraíso na Terra para vender seus peixes.
Quem não acredita prefere deixar que o tempo enterre mais essa profecia, apostando que o importante é obter o máximo de ganhos enquanto espera que o próprio desenvolvimento traga avanços científicos e tecnológicos capazes de trazer soluções para o clima, já que para a destruição não há remédio à vista. Há tantas datas anunciadas sobre o ponto sem retorno que talvez ele já tenha acontecido e só será percebido quando os catastrofistas desistirem de conscientizar o mundo e os negacionistas parem de negar.
Rondônia lascada!
Não bastasse Rondônia ter sido sacrificada nos tristes episódios travados com as empresas aéreas que redundou nas tarifas mais caras do Brasil e suspensão de voos e a recente implantação de valores brutais no pedagiamento cobrado entre Porto Velho e Vilhena, numa extensão de 700 quilômetros, eis que a Agencia Nacional de Energia Elétrica-ANEEL) definiu que três estados, inclusive nossa amada Rondônia, terão as menores reduções nas tarifas de energia elétrica no País. Mais uma causa perdida pela classe política de Rondônia, sem prestigio nas esferas federais. É coisa de louco!
Como entender?
Como entender que Rondônia, que padeceu com graves problemas ambientais com a implantação das usinas de Santo Antônio e Jirau sofre com tarifas mais elevadas do que os demais estados –exceção do Acre e Amapá – numa situação que se arrasta desde a implantação. Nossa energia vai pelas linhas de transmissão para abastecer as industrias dos caras –pálidas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e sobrando alguma coisa volta para Rondônia. Geramos a energia, pagamos caro com os problemas de infraestrutura criados e o estado mais uma vez é penalizado pela omissão da classe política rondoniense criados
Suspensão do pedágio
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
Como a justiça federal concedeu liminar suspendendo a cobrança do pedágio na BR 364, pelo menos provisoriamente a população de Rondônia suspira aliviada. Mas é uma situação que pode ser revertida a qualquer momento e a luta continua exigindo esforços das entidades já envolvidas no processo e uma união completa da bancada federal rondoniense. Um movimento que deveria ser seguido pelos prefeitos, vereadores, deputados estaduais nesta causa. Rondônia não pode ser arroxada por uma cobrança absurda que também prejudica os estados do Acre e do Amazonas.
Coragem dos Expeditos
É digna de elogios a coragem do clã dos Expeditos lançar Expedito Filho ao governo de Rondônia pelo Partido dos Trabalhadores –PT. Ocorre que a legenda mesmo com um histórico de grandes obras em Rondônia só tem levado pau nas eleições a presidência, há décadas. Padece com rejeição gigante, Nesta temporada mais de 2 bilhões são liberados para obras de vulto, entre elas a ponte binacional em Guajará Mirim. Rondônia é um dos estados mais conservadores do Brasil, ao lado de Santa Catarina, Acre e Roraima e todo mundo quer distância dos petistas por aqui.
A grande jogada
Mas no caso dos Expeditos suspeita-se de uma jogada ardilosa. O clã colocou um pé no bolsonarismo, com a candidatura do prefeito Adailton Fúria (PSD) ao palácio Rio Madeira e outro pé no Lulapetismo, com a postulação de Expedito Neto ao CPA. No segundo turno, o bolsonarismo e o lulapetismo podem estar no mesmo balaio. Quem estiver melhor ganha apoio do outro num previsível segundo turno onde por enquanto o favorito para a peleja é o senador Marcos Rogério. Se der certo, teremos Bolsonarismo e lulapetismo no mesmo balaio em 2026!
Com indefinições
Começamos o mês de fevereiro ainda com muitas indefinições sobre o quadro de candidaturas para as eleições de outubro em Rondônia. Tanto as postulações ao Senado, como as destinadas ao Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual ainda estão sob a égide de balões de ensaio, intensas conversações para a formação de chapas, e de decisões bolsonaristas. Não bastasse, aumentam as incertezas com a janela partidária aberta em março/abril permitindo aos deputados estaduais e federais a troca de partidos sem a devida punição da perda de mandatos pela justiça eleitoral. Por conseguinte, só teremos uma situação mais clara a partir de maio ou mesmo nas convenções partidárias de julho.
Via Direta
*** O senador Confúcio Moura está revoltado com os adversários que estão colocando na sua conta os elevados preços dos pedágios praticados em Rondônia*** Certamente deseja compartilhar as responsabilidades com toda a classe política rondoniense. Cita que o verdadeiro responsável pela ação é o atual governador paulista Tarcísio de Freitas que na época era ministro da infraestrutura*** Vem aí o carnaval, a Banda do Vai Quem Quer nas ruas deixando a política de lado nas próximas semanas. No carnaval só decola nas pesquisas o Rei Momo! Depois o pau atora, torcida brasileira! *** Atenção para o pagamento da cota única do IPTU em Porto Velho só vai até o dia 5 de fevereiro.









