Prefeito de Cacoal afirma que manteve o comércio aberto na pandemia seguindo orientação do então presidente e cita postura como parte de sua narrativa política rumo à disputa pelo governo de Rondônia
Porto Velho, RO – O prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria (PSD), afirmou que é pré-candidato ao Governo de Rondônia e que deixará a chefia do Executivo municipal no dia 3 de abril de 2026 para cumprir o calendário eleitoral. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Comando na TV, da TV Suruí (canal 15.1), exibido na segunda-feira, 16 de fevereiro, sob apresentação de Márcio Gomes. Ao longo da participação, Fúria tratou diretamente do cenário eleitoral, do posicionamento político que pretende adotar na disputa e de episódios que, segundo ele, influenciam sua trajetória e seu desempenho em pesquisas.
Ao responder sobre a possibilidade de candidatura, o prefeito afirmou de forma direta: “Eu sou pré-candidato a governador, pontuando nas pesquisas”, acrescentando que não entraria em uma eleição “dessa magnitude” sem ter presença nos levantamentos. Ele citou ainda que, segundo a “última pesquisa registrada no TRE”, estaria em primeiro lugar no Estado, mas ponderou que as posições variam. Na sequência, disse que as eleições para o Executivo estadual costumam ocorrer em dois turnos e afirmou que os dados indicariam seu nome entre os candidatos com condições de disputar a segunda etapa.
Durante a entrevista, Fúria também anunciou a data em que pretende se afastar do cargo. Segundo ele, no dia 3 de abril a Prefeitura será assumida pelo vice-prefeito, o “doutor Tony Pabllo de Castro Chaves”, e, no dia seguinte, iniciará a agenda eleitoral. “No dia 4 de abril, eu tô indo pra rua”, disse, acrescentando que pretende percorrer o Estado e “pegar nas mãos de cada eleitor” para apresentar sua proposta.
O posicionamento político e as alianças foram abordados em diferentes momentos. O prefeito afirmou que é alvo de críticas e tentativas de associação ideológica por parte de adversários, dizendo que há quem tente classificá-lo como “prefeito de esquerda” para influenciar o debate eleitoral. Em resposta, declarou considerar-se “um político bem diferente” e “equilibrado”, defendendo a estratégia de buscar recursos de diferentes espectros políticos para a administração municipal. Segundo ele, Cacoal recebeu recursos de “parlamentares da direita” e também de “parlamentares declarados da esquerda”, questionando se deveria deixar de receber verbas por divergências políticas. Na fala, afirmou que sua responsabilidade como gestor seria garantir serviços públicos e que a população “não quer saber de que maneira” os recursos são obtidos, desde que haja atendimento em áreas como saúde, iluminação, infraestrutura e abastecimento de medicamentos.
A relação com lideranças nacionais também apareceu no debate eleitoral. Ao relembrar decisões tomadas durante a pandemia, Fúria afirmou que seguiu “a orientação do presidente Bolsonaro” ao manter o comércio aberto, dizendo que, à época, o entendimento era de que a economia não deveria ser responsabilizada pelo avanço da doença. Ele relatou que a medida foi acompanhada de ações de saúde pública e afirmou que, posteriormente, respondeu a processo sobre o tema, que, segundo sua declaração, foi julgado em 2024 com absolvição.
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Ainda no campo político, o prefeito comentou a relação com o atual governo estadual, distinguindo “alinhamento” de “aliança”. Ele disse que eventuais divergências com o governador seriam “naturais da política” e afirmou não se considerar obrigado a concordar com todas as posições do Executivo estadual. Ao mesmo tempo, defendeu a importância de diálogo institucional, sobretudo para a construção do orçamento futuro, afirmando que é relevante que o próximo governador participe do processo orçamentário para direcionar recursos às áreas que considera prioritárias.
Questionado sobre confiança para governar o Estado, Fúria afirmou sentir-se “preparado”, argumentando que a experiência à frente da Prefeitura lhe proporcionou contato direto com problemas cotidianos da população. Na entrevista, defendeu que a gestão municipal envolve uma amplitude de demandas maior do que a esfera estadual e disse que essa vivência o habilitaria a chegar ao governo com prioridades definidas.
Ao tratar do programa que pretende defender na eleição, o prefeito indicou áreas que, segundo ele, devem concentrar atenção do próximo governo. Disse que o principal desafio do Estado seria a saúde pública e acrescentou a necessidade de ações em infraestrutura de estradas. Na avaliação apresentada na entrevista, a educação teria melhores condições de equilíbrio por contar com profissionais e estrutura, enquanto saúde e logística exigiriam medidas mais imediatas.
No encerramento, Fúria reiterou que a decisão de disputar o governo está ligada à leitura que faz do cenário político e à receptividade que afirma perceber nas pesquisas e no contato com a população. Ele concluiu agradecendo ao público e reforçando que, após deixar a Prefeitura, pretende dedicar-se integralmente à campanha eleitoral.
Com informações de: Programa Comando na TV, da TV Suruí (canal 15.1)
