Apoio institucional, dados econômicos e memória histórica reforçam o papel da festa na identidade rondoniense
Porto Velho, RO – A realização do Carnaval em Rondônia projeta efeitos diretos sobre a economia, o turismo e a preservação da identidade cultural do estado, com reflexos mais intensos em Porto Velho. Durante o período festivo, a circulação de visitantes aumenta, a rede de serviços é mais demandada e atividades ligadas à cultura popular ganham visibilidade, consolidando a festa como um dos principais eventos do calendário local.
Dados do setor de promoção e eventos turísticos indicam que o Carnaval de 2026 deve movimentar cerca de R$ 123 milhões em Rondônia, com aproximadamente R$ 30 milhões concentrados na capital. As projeções apontam crescimento estimado de 40% no fluxo turístico em Porto Velho e de 27% no interior, resultado atribuído ao aumento da ocupação hoteleira, à ampliação do consumo em bares e restaurantes e à maior procura por transporte, hospedagem e experiências culturais.
A movimentação econômica é associada à atuação conjunta de instituições públicas e entidades de apoio ao empreendedorismo. O setor turístico avalia o Carnaval como oportunidade para fortalecer serviços e criar alternativas de renda para pequenos negócios ligados à alimentação, ao transporte e à cultura. A festa também é vista como vitrine para posicionar Porto Velho no mapa turístico regional, despertando interesse de visitantes e estimulando a busca por outras vivências, como gastronomia, história e atrativos naturais durante o feriado prolongado.
No âmbito institucional, a Assembleia Legislativa de Rondônia tem atuado no fomento à cultura e ao turismo, setores que ganham destaque no período carnavalesco. O presidente da Comissão de Esporte, Turismo e Lazer destacou que, durante o Carnaval, cidades ficam mais movimentadas, hotéis registram alta ocupação e o comércio opera com maior intensidade, o que gera empregos temporários e renda para trabalhadores ligados à cultura e ao turismo. Segundo ele, o investimento público é considerado essencial para garantir organização, estrutura e segurança aos eventos, permitindo que a festa ocorra de forma planejada.
A articulação entre o Poder Legislativo, o governo estadual e o terceiro setor tem sido apontada como fator relevante para viabilizar projetos culturais. Por meio de emendas, convênios e termos de fomento, os recursos chegam às comunidades, onde entidades com atuação local transformam os investimentos em ações de impacto social e cultural. Nesse contexto, o reconhecimento dos blocos carnavalescos como patrimônio cultural imaterial é apresentado como instrumento de valorização histórica e de fortalecimento da identidade local, além de abrir espaço para políticas públicas de preservação.
A trajetória do Carnaval em Rondônia está diretamente ligada à formação histórica de Porto Velho. A consolidação da festa, a partir de meados do século XX, foi influenciada pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e pela presença de trabalhadores de diferentes regiões do país, o que favoreceu o surgimento de escolas de samba, bailes e blocos populares. Esse processo é resgatado na memória de personagens que participaram da construção cultural da cidade.
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Entre esses nomes está Waldemir Pinheiro da Silva, conhecido como Mestre Bainha, nascido em 11 de agosto de 1938. Compositor de quase cem músicas, ele participou da fundação de escolas de samba e blocos carnavalescos em Porto Velho, além de registrar episódios marcantes da história local. Bainha relembra a influência de trabalhadores estrangeiros da Estrada de Ferro, o surgimento de clubes como o Danúbio Azul e a divisão social refletida nos espaços de festa frequentados por operários e por integrantes da elite da época.
O relato inclui o surgimento de blocos tradicionais, ensaios realizados em escolas e bares da cidade e a organização das primeiras escolas de samba. A fundação da escola que mais tarde se tornaria o Grêmio Recreativo Escola de Samba Os Diplomatas é descrita como resultado da união de brincantes e músicos, com mudanças de nome ao longo dos anos até a consolidação definitiva na década de 1960.
Além das escolas, os blocos de rua se consolidaram como elementos centrais da identidade carnavalesca local. A Banda do Vai Quem Quer, considerada a maior da Região Norte, reuniu mais de 200 mil pessoas no centro de Porto Velho ao completar 46 anos de história. Outros blocos tradicionais também marcaram presença ao longo dos anos, reforçando a diversidade de manifestações culturais associadas à festa.
O reconhecimento institucional da cultura popular também alcançou personagens históricos. Com a implementação de políticas federais de fomento cultural, Mestre Bainha recebeu o título de Mestre da Cultura Popular Brasileira e foi premiado em concurso nacional da Federação Nacional do Samba, representando a região Norte. O compositor acompanhou a transformação do Carnaval desde reuniões sociais e bailes em clubes até grandes desfiles em vias públicas e eventos oficiais.
A expectativa para 2026 inclui o retorno das escolas de samba aos desfiles, após anos sem apresentações. O apoio institucional foi citado como decisivo para viabilizar essa retomada, considerada simbólica para a história do Carnaval local. A volta das escolas é apontada como marco para a cultura rondoniense, reforçando a continuidade de tradições que atravessam gerações e mantêm viva a identidade do estado.
Com informações de: Assembleia Legislativa
