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ESPAÇO ABERTO
Sites fantasmas e fiscalização; lideranças políticas e a disputa por audiência; e gestores públicos e a visibilidade de ações positivas

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Coluna discute o impacto do consumo de informação, as escolhas de anunciantes e o espaço reduzido para políticas públicas no debate digital

Por Cícero Moura - quinta-feira, 19/02/2026 - 09h21

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Nesta quinta-feira, 19, o jornalista Cícero Moura aborda a repercussão das discussões sobre supostos sites fantasmas e o desdobramento do tema em um debate mais amplo sobre consumo de conteúdo, responsabilidade de anunciantes e perfil de audiência, além de refletir sobre como ações de governos e instituições públicas — embora com efeitos concretos na vida da população — acabam ofuscadas por narrativas de forte apelo emocional no ambiente digital.

IDENTIFICAÇÃO

Nos últimos meses, Rondônia passou a discutir algo que vai muito além da descoberta de supostos sites fantasmas utilizados para receber verba pública.

DEBATE

Esse caso — que deve ser apurado com rigor pelos órgãos competentes — acabou abrindo uma reflexão mais profunda e necessária.

DEBATE 2

Afinal, quem realmente acessa o quê na internet? E que tipo de conteúdo estamos valorizando como sociedade?

ESCOLHA

Não se trata aqui de atacar veículos de comunicação ou blogs que optam por publicar conteúdos de forte apelo emocional.

DEMOCRACIA

Existe público para tudo. Tragédias, conflitos, escândalos e dramas humanos sempre despertaram curiosidade.

CONSUMIDORES

Não é fenômeno novo, tampouco exclusivo de Rondônia. O chamado “mundo cão” tem audiência no Brasil inteiro porque há quem consuma esse tipo de narrativa.

PORÉM

A questão, porém, é outra. Que tipo de público um anunciante deseja atingir? Que perfil de leitor uma marca quer atrair?

MÉTODO

A escolha de onde investir publicidade não é apenas uma decisão financeira — é estratégica e reputacional.

MÉTODO 2

Empresas sérias sabem que a associação de marca comunica valores. Não é apenas sobre alcance, é sobre identidade.

PERFIL

Há empresários em Rondônia que fazem questão de não vincular seus nomes a conteúdos baseados na exploração da desgraça alheia. Não por moralismo, mas por coerência.

PERFIL 2

Porque entendem que o público que busca informação qualificada, equilibrada e construtiva tende a ser também um público mais atento, mais crítico e mais comprometido com o desenvolvimento social.

PERFIL 3

Existe, sim, audiência para conteúdo sem sensacionalismo. Existe público para notícia que informa, contextualiza e contribui.

ANALÍTICO

Esse público talvez não reaja com cliques impulsivos, mas reage com reflexão. E é justamente esse leitor que tem maior capacidade de avaliar políticas públicas, compreender ações governamentais e cobrar melhorias de forma consciente.

COISAS BOAS

É preciso lembrar que governos, assembleias e prefeituras — com todas as críticas legítimas que possam receber — também produzem ações positivas.

POUCO NOTADAS

Muitas vezes essas iniciativas passam quase despercebidas porque não competem com o apelo imediato da tragédia.

EXEMPLOS

Exemplos não faltam. Programas de regularização fundiária que entregam títulos definitivos a famílias que esperavam há décadas.

EXEMPLOS 2

Ampliação de leitos hospitalares no interior; investimentos em pavimentação que reduzem o isolamento de comunidades rurais.

EXEMPLOS 3

Programas de capacitação profissional para jovens de baixa renda; mutirões de cirurgias eletivas que diminuem filas históricas.

POUCO NOTADAS 2

São ações concretas, que mudam vidas reais — mas raramente viralizam.

ÓRGÃOS PÚBLICOS

Quando a Assembleia Legislativa aprova projetos voltados à inclusão de pessoas com deficiência, quando o Governo do Estado amplia programas de apoio ao pequeno produtor rural ou quando a Prefeitura investe em saneamento básico em bairros periféricos, estamos falando de políticas que impactam a saúde, a renda e a dignidade da população.

SEM DESTAQUE

Ainda assim, essas pautas dificilmente recebem o mesmo destaque que um escândalo ou uma briga pública.

PREFERÊNCIA

E aqui entra outro ponto essencial: a responsabilidade de quem anuncia. Associar uma marca a conteúdos que exaltam violência, humilhação ou sofrimento é uma escolha.

PREFERÊNCIA 2

Assim como é escolha valorizar ambientes informativos que priorizam equilíbrio e responsabilidade editorial.

CANTOR

Um exemplo clássico dessa coerência entre imagem e valores pode ser visto na trajetória de Roberto Carlos.

RECUSOU

No auge da carreira, recusou propostas milionárias da indústria do cigarro por entender que não poderia associar sua imagem a algo comprovadamente nocivo à saúde.

PRESTÍGIO

Não faliu por isso. Ao contrário: fortaleceu sua reputação. A indústria do fumo continuou existindo, mas o “Rei” consolidou-se como referência de postura.

OPINIÃO

O debate que Rondônia precisa fazer não é sobre calar ninguém, nem sobre estabelecer hierarquias artificiais de conteúdo.

OPINIÃO 2

É sobre maturidade de mercado e consciência coletiva. Sobre compreender que audiência não é sinônimo automático de relevância social. E que clique não é igual a credibilidade.

OPINIÃO 3

A sociedade que deseja serviços públicos melhores precisa também valorizar informação melhor.

OPINIÃO 4

O leitor que consome conteúdo responsável tende a cobrar com mais qualidade, compartilhar com mais critério e votar com mais consciência.

OPINIÃO 5

No fim das contas, não se trata de dinheiro. Trata-se de perfil. De valores. De que tipo de ambiente informativo queremos fortalecer.

OPINIÃO 6

Há público para o espetáculo da desgraça — sempre haverá. Mas também há público para a boa informação.

OPINIÃO 7

E é esse público que, silenciosamente, sustenta o verdadeiro debate democrático.

FRASE

Entre rolar o feed atrás de caos, fofoca ou buscar conhecimento, a diferença está no que você decide levar pra dentro da cabeça.

Com informações de: Cícero Moura, mídia e audiência, sites fantasmas, responsabilidade publicitária, jornalismo em Rondônia, debate sobre informação, mercado publicitário, consumo de notícias

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AUTOR: CÍCERO MOURA





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