Juiz de Fora concentra 30 óbitos; Ubá confirma seis mortes; Inmet alerta para novas precipitações com solo já encharcado
Porto Velho, RO – O total de vítimas fatais provocadas pelas chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais chegou a 36, conforme dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros. Desse número, 30 mortes foram confirmadas em Juiz de Fora e seis em Ubá. Até a noite de terça-feira (24), 39 pessoas permaneciam desaparecidas e 208 haviam sido resgatadas com vida. Ao todo, 134 militares atuavam diretamente nas operações de busca e salvamento, com reforço de equipes enviadas de outras cidades e apoio de cães farejadores.
Em Juiz de Fora, onde foi registrado o maior número de óbitos, o volume de chuva alcançou cerca de 80% da média prevista para todo o mês em apenas sete horas. Aproximadamente 20 imóveis foram soterrados, principalmente na região sudeste do município. No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta cedeu e 12 casas foram atingidas, com ao menos quatro mortes confirmadas no local e 17 desaparecidos. O município contabiliza 440 pessoas desabrigadas, acolhidas provisoriamente em três escolas.
Entre as vítimas estão três alunos da Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves — Maitê Cedlia Pereira Fernandes e os irmãos Arthur Rafael de Oliveira Machado e Miguel Carlos da Silva Machado — além de Rosimeire do Carmo de Oliveira Souza, mãe de dois deles. A diretora da unidade, Delba Vieira Garcia, informou que a escola perdeu três estudantes soterrados e a mãe de um aluno, classificando a situação nos bairros Bom Jardim e Linhares como devastadora e caótica, com previsão de mais chuva. A instituição foi aberta para receber desalojados e deve abrigar cerca de 60 pessoas, além de funcionar como ponto de arrecadação de doações.
Diante do cenário, a prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública em Juiz de Fora, medida reconhecida pelo governo federal. Ela afirmou que este foi “o dia mais triste” de sua gestão ao registrar, pela primeira vez, mortes decorrentes de deslizamentos associados a fenômenos climáticos. Em Ubá, onde choveu cerca de 170 milímetros em aproximadamente três horas e meia e o rio Ubá atingiu 7,82 metros, também foi decretada calamidade pública pelo prefeito José Damato Neto (PSD), que descreveu o episódio como a maior enchente da história do município.
O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias e declarou que o Estado fará “tudo o que estiver ao seu alcance” para amenizar o sofrimento das famílias atingidas. Em viagem oficial à Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou o envio de equipes federais para apoiar os municípios afetados. Em publicação na rede social X, informou que o reconhecimento federal da calamidade em Juiz de Fora seria formalizado no Diário Oficial da União e destacou que o foco é garantir assistência humanitária, restabelecer serviços básicos, atender desabrigados e apoiar a reconstrução.
AS ÚLTIMAS OPINIÕES
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Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado recente na Zona da Mata chegou a 209,4 milímetros, totalizando 589,6 milímetros em fevereiro. A partir de quarta-feira (25), o avanço de uma nova frente fria poderá provocar chuvas intensas inicialmente na Zona da Mata e nas regiões Sul e Sudoeste de Minas. O instituto recomenda atenção redobrada devido ao solo encharcado e ao risco de alagamentos, enxurradas e novos deslizamentos, especialmente em áreas vulneráveis.
A formação da tempestade foi atribuída à combinação entre a passagem de uma frente fria, temperaturas elevadas, alta umidade e a atuação de um cavado, fenômeno associado à baixa pressão em médios níveis da atmosfera, que favorece a formação de nuvens e tempestades. Também houve registro de supercélula, caracterizada por corrente de ar ascendente e rotativa. Em Juiz de Fora, foram contabilizados 100 milímetros de chuva em menos de 12 horas, ante média mensal de 170 milímetros em fevereiro.
Moradores relataram ter sentido um tremor de terra no sábado (21), quando foi registrado abalo sísmico de magnitude 2,1 pela Rede Sismográfica Brasileira em parceria com o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo. O sismólogo Bruno Collaço descartou relação entre o fenômeno e os deslizamentos, afirmando que tremores dessa magnitude ocorrem semanalmente no país e não possuem força suficiente para comprometer estruturas ou desencadear movimentos de massa.
No Rio de Janeiro, uma idosa de 85 anos morreu afogada em São João de Meriti após ficar presa em casa durante o temporal. Cerca de 600 pessoas estão desalojadas no município, que decretou situação de emergência. Em São Paulo, a Defesa Civil contabiliza 19 mortes desde o início da Operação Verão, em 1º de dezembro, com maior risco concentrado no litoral, onde há alerta vermelho para acumulados de até 175 milímetros até sexta-feira (27).
Com informações de: Agência Brasil
