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OBESIDADE INFANTIL
Atlas Mundial aponta que 20,7% das crianças e adolescentes vivem com sobrepeso ou obesidade no mundo

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Levantamento divulgado no Dia Mundial da Obesidade indica 419 milhões de jovens afetados globalmente e projeta crescimento até 2040, com impactos também observados no Brasil.

Por Yan Simon - quarta-feira, 04/03/2026 - 09h34

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Porto Velho, RO – A obesidade infantil tem avançado em diferentes regiões do mundo e deve atingir números ainda mais elevados nas próximas décadas. Projeção da Federação Mundial de Obesidade indica que, até 2040, cerca de 507 milhões de crianças e adolescentes poderão viver com sobrepeso ou obesidade em todo o planeta.

Os dados constam no Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgado nesta quarta-feira (4), data em que é lembrado o Dia Mundial da Obesidade. O levantamento aponta que atualmente 20,7% da população mundial entre 5 e 19 anos apresenta excesso de peso, o que corresponde a aproximadamente 419 milhões de crianças e adolescentes — proporção equivalente a uma em cada cinco.

Segundo a federação, o excesso de peso na infância está associado ao desenvolvimento de problemas de saúde semelhantes aos observados em adultos. Entre eles estão hipertensão e doenças cardiovasculares. A entidade estima que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais precoces de doença cardiovascular e outras 43,2 milhões poderão desenvolver hipertensão.

O documento também avalia que as respostas adotadas globalmente para enfrentar o problema ainda são insuficientes. De acordo com a federação, as ações voltadas à prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo da obesidade infantil permanecem abaixo do necessário em diversos países.

Entre as medidas indicadas estão a adoção de impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar, restrições ao marketing direcionado ao público infantil — inclusive em plataformas digitais —, incentivo à atividade física para crianças, proteção ao aleitamento materno, melhoria dos padrões alimentares nas escolas e integração das estratégias de prevenção e tratamento aos sistemas de atenção primária.

No Brasil, o levantamento aponta que 16,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade. Desse total, 6,6 milhões estão na faixa etária de 5 a 9 anos, enquanto 9,9 milhões têm entre 10 e 19 anos.

Os dados também indicam impactos na saúde dessa população. Em 2025, aproximadamente 1,4 milhão de crianças e adolescentes no país foram diagnosticados com hipertensão atribuída ao Índice de Massa Corporal (IMC). Outros 572 mil apresentaram hiperglicemia associada ao IMC, enquanto 1,8 milhão registraram triglicerídeos elevados e cerca de 4 milhões foram diagnosticados com doença hepática esteatótica metabólica, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.

A projeção para 2040 aponta aumento nesses indicadores. A estimativa é que mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes apresentem hipertensão relacionada ao IMC. O número de casos de hiperglicemia pode chegar a 635 mil, enquanto os diagnósticos de triglicerídeos elevados devem alcançar cerca de 2,1 milhões. Já os registros de doença hepática esteatótica metabólica podem atingir 4,6 milhões.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Bruno Halpern, os dados indicam avanço significativo da obesidade infantil em diferentes países, especialmente em nações de média e baixa renda. Segundo ele, o atlas revela um crescimento expressivo desses índices em escala global.

Halpern afirma que a expansão do consumo de alimentos ultraprocessados, geralmente mais baratos e com menor valor nutricional, tem contribuído para esse cenário, afetando principalmente crianças de famílias com menor renda. Ele ressalta que o Brasil acompanha essa tendência e que os dados atuais confirmam projeções já apontadas anteriormente.

O especialista também defende que a obesidade seja tratada como uma questão coletiva e não apenas individual. Em sua avaliação, fatores sociais e econômicos têm influência direta no aumento dos casos, o que exige estratégias amplas de enfrentamento.

Entre as medidas defendidas, ele cita políticas de taxação de produtos ultraprocessados e refrigerantes, restrições à publicidade voltada ao público infantil e ações voltadas à saúde materna. Segundo Halpern, o controle da obesidade entre mães pode contribuir para reduzir o risco de excesso de peso nas crianças no futuro.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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