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PITACO DA CASA
Governador de Rondônia já deixou claro — várias vezes — que não vai concorrer nem quer saber de reatar com o vice

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Declarações públicas, registros em redes sociais e entrevista ao podcast Resenha Política reforçam a decisão do governador de permanecer no cargo até 2027 e afastam especulações sobre reconciliação política com o vice Sérgio Gonçalves

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 05/03/2026 - 09h00

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Nos bastidores já movimentados da política rondoniense, o governador Marcos Rocha voltou ao centro do debate ao reiterar, em diferentes ocasiões públicas, que não pretende disputar nenhum cargo em 2026 e que permanecerá no comando do Executivo estadual até o final do mandato. A posição, reafirmada recentemente a jornalistas e também registrada anteriormente em entrevista e nas redes sociais, cria um marco político claro que tende a influenciar a leitura do cenário eleitoral que se desenha para os próximos meses.

O próprio governador tratou de dar publicidade a esse posicionamento de forma direta e inequívoca. Em 11 de fevereiro de 2026, após conceder entrevista ao jornalista Robson Oliveira no podcast Resenha Política, Rocha publicou em seu perfil oficial no Instagram, @celmarcosrocha, um trecho específico da conversa no qual reforça a decisão de não disputar cargos no próximo pleito. Na publicação, afirmou: “Não serei candidato a nada em 2026! Eu não sou homem de blefe, nem de fazer promessa pensando em outro cargo. Meu compromisso é com Rondônia até o último dia do mandato, em 5 de janeiro de 2027. Entrei para servir, fui eleito, reeleito, e sigo trabalhando com responsabilidade e gratidão a Deus para manter o nosso Estado no patamar que alcançamos.”

A frase escolhida para ser destacada pelo próprio governador nas redes sociais dialoga diretamente com um dos trechos mais contundentes da entrevista concedida ao Resenha Política. Ao ser questionado sobre a possibilidade de disputar o Senado, Rocha procurou encerrar a especulação com uma declaração categórica. “Você já viu que quando eu falo algo, eu não tô blefando… eu não sou um homem de blefe, de tentar enganar as pessoas pra tentar conseguir algo… eu não sou candidato ao Senado, apesar das pesquisas estarem me colocando à frente”, disse durante a conversa.

A insistência do governador em registrar publicamente essa posição cria um elemento político relevante para a interpretação do momento atual. Ao escolher tornar pública a afirmação de que não age com blefes e de que não pretende disputar cargos em 2026, Rocha estabeleceu um compromisso que ultrapassa o campo das conversas de bastidores e passa a integrar o registro público de sua atuação política. Em termos institucionais e políticos, voltar atrás após declarações dessa natureza produziria inevitável constrangimento diante da própria narrativa construída pelo mandatário.

Esse contexto se torna ainda mais significativo diante dos rumores recentes sobre uma eventual reconciliação política com o vice-governador Sérgio Gonçalves, filiado ao União Brasil. Nos últimos dias, especulações circularam em redes sociais e em ambientes políticos sugerindo uma possível reaproximação entre os dois. As conjecturas ganharam força após viagem internacional do governador, período em que o vice assumiu interinamente o comando do governo, conforme determina o protocolo institucional.

Rocha, no entanto, tratou de afastar qualquer interpretação política desse episódio. Em contato com jornalistas, negou aproximação com o vice e explicou que a substituição temporária ocorreu exclusivamente por razões administrativas, sem qualquer significado de rearticulação política. Ao mesmo tempo, reafirmou que não pretende deixar o cargo antes do término do mandato, descartando a hipótese de renúncia para disputar vaga no Senado Federal.

Nesse ponto, a discussão sobre eventual acerto político entre governador e vice tende a ocupar um espaço secundário dentro da análise mais ampla do cenário eleitoral. Mesmo que houvesse algum tipo de reaproximação — ou mesmo que ela venha a ocorrer no futuro — a configuração administrativa do governo não sofreria alteração substancial. O chefe do Executivo já deixou claro que permanecerá no cargo até a posse do sucessor, prevista para 5 de janeiro de 2027.

Mais do que isso, a própria estratégia política para a sucessão estadual foi explicitada pelo governador em sua entrevista ao podcast Resenha Política. Durante a conversa, Rocha indicou o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, como nome que pretende apoiar para a disputa pelo Palácio Rio Madeira em 2026. A escolha foi apresentada como parte da reorganização política que acompanhou sua saída do União Brasil e filiação ao PSD.

Ao longo da entrevista, Rocha descreveu Fúria como um gestor que considera alinhado ao seu grupo político e sinalizou que pretende trabalhar para fortalecer o PSD no estado, inclusive com a formação de nominatas competitivas. O movimento reforça a ideia de que a sucessão estadual já começa a ser desenhada dentro do campo político liderado pelo atual governador.

Diante desse conjunto de declarações e registros públicos, o debate sobre uma eventual reconciliação entre governador e vice perde peso diante da estratégia eleitoral já delineada. O próprio Rocha reconheceu o direito político de Sérgio Gonçalves disputar cargos majoritários, mas sem indicar qualquer mudança no rumo que afirma ter escolhido para o encerramento de sua gestão.

O que emerge desse quadro é uma narrativa política construída pelo próprio chefe do Executivo estadual: a de que sua decisão de permanecer no cargo até o final do mandato não constitui movimento tático ou cálculo eleitoral, mas sim compromisso assumido publicamente. Ao reiterar que não é “homem de blefe” e ao tornar essa afirmação parte de seu discurso institucional, o governador transformou a própria palavra em elemento central da disputa narrativa que envolve o cenário político de Rondônia rumo a 2026.

Nesse contexto, as especulações sobre rearranjos políticos imediatos passam a ocupar posição periférica diante de um fato mais concreto: a definição de que Rocha pretende concluir integralmente o mandato e apoiar um projeto político para sua sucessão. O restante, como costuma ocorrer na política, permanece sujeito às interpretações que orbitam os bastidores — mas não altera o compromisso que o próprio governador decidiu registrar de forma pública e reiterada.

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





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