Advogados pedem dados brutos extraídos de dispositivos analisados pela Polícia Federal e apontam preocupação com vazamentos de conversas sob sigilo judicial.
Porto Velho, RO – O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (6) a abertura de um inquérito na Polícia Federal para investigar o vazamento de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro. As conversas, que estariam protegidas por sigilo judicial, teriam sido divulgadas durante o andamento das apurações relacionadas à Operação Compliance Zero.
No dia seguinte, a defesa de Vorcaro reiterou ao STF um pedido para acessar as perícias realizadas pela Polícia Federal nos aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação. Os advogados informaram que a solicitação original foi protocolada em 14 de fevereiro e tem como finalidade verificar a integridade das análises feitas nos dispositivos.
Segundo a defesa, a intenção é examinar os dados brutos extraídos dos celulares e de outros equipamentos pertencentes ao empresário. O material seria submetido à avaliação de um assistente técnico indicado pelos advogados.
“O objetivo é permitir a análise independente por assistente técnico da defesa, conforme previsto na legislação processual, garantindo que a prova digital seja examinada com transparência, integridade e respeito ao devido processo legal”, afirmou a defesa.
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Os advogados também manifestaram preocupação com a divulgação de conteúdos que estariam sob sigilo. De acordo com a defesa, o compromisso é utilizar qualquer material obtido apenas para fins processuais e preservar a confidencialidade das informações.
A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias no Banco Master. As irregularidades investigadas teriam provocado um rombo estimado em até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo destinado ao ressarcimento de investidores.
Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal na quarta-feira (4), durante a terceira fase da operação. No ano anterior, ele já havia sido alvo de um mandado de prisão no mesmo inquérito, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da investigação. De acordo com os autos, os registros indicariam ameaças direcionadas a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.
Com informações de: Agência Brasil
