Informa Rondônia Desktop Informa Rondônia Mobile

SÉTIMA ARTE
Exibições dos curtas Destino da Pele e Beira em Porto Velho promovem debate sobre racismo, espiritualidade e diversidade

🛠️ Acessibilidade:

Sessões gratuitas marcadas para 13 de março utilizam o cinema como ponto de partida para discutir intolerância religiosa, misoginia e identidade na Amazônia

Por Vinicius Canova - quinta-feira, 12/03/2026 - 15h10

Compartilhe
33 compartilhamentos
Facebook Instagram WhatsApp X

Porto Velho, RO – A cidade de Porto Velho receberá, no dia 13 de março, duas sessões de exibição dos curtas-metragens Destino da Pele e Beira, produções que utilizam narrativas ambientadas na Amazônia para abordar temas sociais como racismo, intolerância religiosa, misoginia e diversidade. As atividades ocorrerão em dois locais distintos e incluem apresentação das obras, presença da equipe de produção e momentos de diálogo com o público.

A primeira sessão está prevista para ocorrer às 9h, no auditório do Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre, situado na Avenida Presidente Dutra, nº 4055, no bairro Olaria. A programação contará com exibição dos filmes pelo projeto Cine MPT, participação do elenco, roda de conversa com integrantes das produções e distribuição de pipoca ao público. No período da noite, a partir das 19h, haverá nova sessão no Templo Espiritualista de Umbanda Nosso Lar, localizado na Rua Neuza, nº 6583, no bairro Igarapé.

Os dois curtas apresentam histórias construídas a partir de experiências sociais que atravessam diferentes gerações na região amazônica. Segundo a diretora das obras, Marcela Bonfim, a proposta é que o audiovisual funcione como instrumento de reflexão sobre vivências cotidianas e sobre os desafios presentes na sociedade. Ela afirma que o cinema pode ser utilizado para apresentar realidades sociais e estimular novas formas de compreensão dessas experiências, destacando que o audiovisual também pode contribuir para a ressignificação de histórias individuais e coletivas.

No curta Destino da Pele, interpretado por Agrael de Jesus e Haroldo Saraiva, a narrativa acompanha a trajetória de Tereza, uma mulher negra retinta que atua como benzedeira em Guajará-Mirim, município localizado na fronteira entre Brasil e Bolívia. Reconhecida na comunidade por suas práticas espirituais, a personagem dedica sua rotina a atender pessoas que buscam cura, orientação e proteção espiritual. Durante um desses atendimentos, ocorre o reencontro com um antigo colega de infância que, no passado, havia manifestado atitudes racistas contra ela. A situação provoca o retorno de lembranças marcadas pelo preconceito e evidencia impactos deixados por essas experiências ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, a narrativa apresenta a possibilidade de reflexão sobre memória, identidade e processos de reconstrução ligados à vivência de mulheres negras na Amazônia.

Já o curta Beira apresenta a história de Eva, personagem que retorna a Porto Velho após o falecimento da avó, conhecida na comunidade por atuar como parteira e benzedeira. A tentativa de recuperar a antiga casa da família e os objetos deixados pela matriarca conduz a protagonista a revisitar memórias e afetos ligados à ancestralidade e à espiritualidade. Ao longo da trama, são exploradas experiências relacionadas às vivências negras e LGBTQIA+ nas margens urbanas da cidade. O elenco reúne Keline Leigue da Silva, Rafaela Brito Correia, Regina Coely, Amanara Brandão dos Santos Lube e Agrael de Jesus.

A obra Beira também integrou circuitos de exibição em festivais de cinema. O curta foi apresentado na Mostra de Cinema de Tiradentes e participou do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, onde integrou a sessão “BRÉSIL 2”, inserida na programação do Marché du Film Court, espaço voltado à circulação internacional de produções audiovisuais contemporâneas.

Para a diretora Marcela Bonfim, a realização de sessões públicas seguidas de debates contribui para ampliar a discussão sobre transformações sociais e urbanas vividas em Rondônia. Ela ressalta que temas como racismo, intolerância religiosa, violência de gênero e diversidade podem ser abordados de forma mais próxima do público quando apresentados por meio do cinema, destacando que esse tipo de iniciativa favorece o diálogo coletivo sobre desafios sociais presentes na região amazônica.

Com informações de: Camila Lima / Assessoria

AUTOR: VINICIUS CANOVA (DRT 1066/RO) – LinkedIn





COMENTÁRIOS: