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POLÍTICAS AMBIENTAIS
Workshop em Porto Velho debate impactos da poluição do ar e das queimadas na saúde na Amazônia

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Evento reuniu pesquisadores, instituições e autoridades para discutir clima, meio ambiente e riscos à saúde na Amazônia Ocidental, com participação do Ministério Público de Rondônia

Por Yan Simon - quinta-feira, 12/03/2026 - 10h54

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Porto Velho, RO – A relação entre mudanças climáticas, degradação ambiental e saúde pública foi discutida durante o I Workshop AMAZCLIM – Clima e Saúde na Amazônia Ocidental, realizado na quarta-feira (11/3), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia (OAB/RO), em Porto Velho. O encontro reuniu pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes e gestores públicos para apresentar estudos e promover intercâmbio de conhecimento sobre os impactos ambientais na região amazônica.

O evento contou com apoio da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e da Fiocruz Rondônia. As atividades incluíram painéis científicos voltados à análise das interações entre clima, meio ambiente e saúde, com participação de diferentes instituições envolvidas em pesquisa e gestão pública.

Durante o Painel 3 – Poluição Atmosférica e Saúde na Amazônia, a promotora de Justiça Valéria Giumelli Canestrini, coordenadora do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema), representou o Ministério Público de Rondônia (MPRO). Na exposição, foram abordados os impactos da poluição do ar e das queimadas sobre a saúde das populações da região.

Ao apresentar a atuação institucional, a promotora explicou que o Ministério Público possui atribuições constitucionais relacionadas à defesa da sociedade, do meio ambiente e da saúde pública. Segundo ela, essa atuação envolve fiscalização de políticas públicas e responsabilização por danos ambientais, além de instrumentos como investigações, ações judiciais e monitoramento de desmatamento e queimadas por meio de tecnologia e imagens de satélite.

De acordo com a promotora, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto na Constituição Federal, mantém relação direta com a garantia do direito à saúde. Conforme explicou, processos de degradação ambiental e poluição podem gerar riscos à saúde coletiva e também interferir em atividades sociais e econômicas.

Entre os fatores de maior impacto ambiental na Amazônia, as queimadas foram apontadas como uma das principais fontes de poluição atmosférica. Esse cenário está associado ao aumento de doenças respiratórias, alergias, problemas cardiovasculares e limitações a atividades escolares e laborais durante períodos de forte presença de fumaça. “A qualidade do ar está diretamente ligada à saúde da população. Proteger o meio ambiente é também proteger a vida e o bem-estar das pessoas”, afirmou.

Ao concluir a apresentação, a promotora destacou que a proteção da qualidade do ar depende da atuação integrada de instituições públicas e da participação da sociedade. Segundo ela, a proteção da saúde e do meio ambiente exige integração entre órgãos e mobilização coletiva. “O sucesso na proteção da saúde e meio ambiente depende da integração interinstitucional e da coletividade em sua totalidade. Que a sociedade participe, que a sociedade seja atenta”, pontuou.

Outro debate relacionado ao tema climático ocorreu nesta semana em Porto Velho. Na segunda-feira (9/3), o MPRO sediou a aula inaugural intitulada “Diálogos entre Ciência e Defesa Ambiental”, realizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (Unir).

Durante o encontro, foram apresentadas análises sobre projeções climáticas para a Amazônia e os riscos associados ao chamado ponto de não retorno do bioma. A exposição foi conduzida pelo professor Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), pesquisador da área de física atmosférica.

Segundo o estudo “Critical Transitions in the Amazon Forest System”, publicado na revista Nature em 2024, o sistema florestal amazônico aproxima-se de um possível ponto de ruptura irreversível. A pesquisa aponta como limites críticos aproximadamente 40% de desmatamento e aumento de 4°C na temperatura média, fatores que podem desencadear o processo de savanização do bioma.

Com informações de: Ministério Público de Rondônia

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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