Declaração foi feita durante agenda no Rio de Janeiro; visita de Darren Beattie a Jair Bolsonaro foi negada pelo STF após questionamentos diplomáticos.
Porto Velho, RO – A tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de receber a visita do assessor do governo norte-americano Darren Beattie acabou barrada por decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido na quinta-feira (14), apontando que a viagem não havia sido comunicada previamente à diplomacia brasileira nem constava da agenda oficial prevista para a passagem do representante dos Estados Unidos pelo país.
O tema também foi abordado pelo Ministério das Relações Exteriores. Em ofício encaminhado ao STF, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a presença de um funcionário de Estado estrangeiro ao lado de um ex-presidente da República, em período eleitoral, poderia caracterizar interferência em assuntos internos do Brasil. No documento, o ministro registrou que a situação poderia representar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
O pedido para a visita havia sido apresentado ao Supremo na terça-feira (10) pela defesa de Bolsonaro. A solicitação previa que o encontro com Beattie ocorresse na manhã de segunda-feira (16) ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estaria no Brasil em missão oficial. No mesmo requerimento, também foi solicitada autorização para a presença de um tradutor durante a visita.
A discussão sobre a viagem do assessor norte-americano foi mencionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante agenda pública no Rio de Janeiro, na sexta-feira (13). Segundo o presidente, a entrada de Darren Beattie no Brasil estaria condicionada à liberação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para ingresso nos Estados Unidos.
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Lula afirmou que a decisão foi adotada após o bloqueio de documentos ligados à família do ministro. De acordo com ele, o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha foi cancelado pelos Estados Unidos em 2025, enquanto o documento do próprio ministro estava vencido e, por isso, não poderia ser formalmente revogado.
Durante a declaração, o presidente afirmou que havia determinado restrições à entrada do assessor estrangeiro no país enquanto a situação não fosse resolvida. “Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, disse.
Ao se dirigir a Alexandre Padilha, Lula acrescentou que o ministro estaria sendo defendido pelo governo brasileiro diante do impasse diplomático. “Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, declarou.
Com informações de: Agência Brasil
