Iniciativa do MPRO propõe uso de bancos como canais de informação e orientação, com possibilidade de expansão nacional
Porto Velho, RO – A ampliação de canais de informação para mulheres em situação de violência está no centro do projeto “Conta Comigo”, apresentado ao Ministério das Mulheres com a proposta de alcançar alcance nacional. A iniciativa prevê o uso de agências bancárias, caixas eletrônicos, aplicativos e sites de instituições financeiras como meios de orientação e divulgação de serviços de apoio.
A apresentação foi realizada em Porto Velho, na segunda-feira (23/3), pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO), representado pela promotora de Justiça Tânia Garcia, em conjunto com Benedita Nascimento, do Fórum Popular de Mulheres e do Levante Feminista, à secretária executiva nacional do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa. A proposta foi levada ao governo federal como modelo para possível implementação em todo o país.
Coordenado pelo MPRO, com suporte técnico do Fórum Popular de Mulheres, o projeto estabelece parcerias com bancos públicos e privados. Está prevista a veiculação de mensagens simples e imagens que orientem sobre como identificar situações de violência doméstica, além da divulgação de canais de denúncia e apoio. A estratégia busca inserir essas informações no cotidiano da população e facilitar o acesso das vítimas aos serviços de proteção.
A reunião contou ainda com a presença da chefe de Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, Flávia Barbosa Shimizu Mazzini, além de representantes do Ministério das Mulheres, Coletivo Pró-Mulher, Rede Lilás, Levante Feminista, Rede de Orfandade e Direitos, Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa de Rondônia, Fórum Popular de Mulheres e do Subprocurador-Geral de Justiça Administrativo, Marcelo Lima de Oliveira.
A origem do projeto está relacionada ao período da pandemia, quando, segundo Tânia Garcia, foram observadas dificuldades enfrentadas por mulheres no acesso a serviços essenciais, incluindo atendimento bancário e saúde. Nesse contexto, a liberação de auxílios federais também revelou episódios de violência patrimonial, como o controle de recursos financeiros por agressores.
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De acordo com a promotora, a proposta permanece atual diante da frequência com que mulheres utilizam serviços bancários, o que amplia o potencial dessas instituições como espaços de orientação e acolhimento. Ela afirmou que a mensagem central é de que a mulher não está sozinha e pode encontrar apoio também nesses ambientes.
A iniciativa inclui a orientação de funcionários das instituições financeiras para identificação de possíveis situações de violência, reforçando que esse tipo de crime pode ser percebido em diferentes contextos do cotidiano. O projeto parte do entendimento de que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da integração entre diferentes setores.
Dados nacionais indicam crescimento dos casos de violência de gênero no Brasil, com registros de milhares de mortes de mulheres nos últimos anos. Parte significativa desses crimes ocorre dentro de casa e envolve pessoas próximas. Estatísticas recentes apontam média de quase quatro mortes por dia, com maior incidência entre mulheres negras e pardas.
Como próximo passo, estão previstos Acordos de Cooperação Técnica para adesão de instituições financeiras. O Ministério das Mulheres manifestou apoio à iniciativa junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal. A execução inclui produção de conteúdos digitais, definição de cronograma de divulgação e ações conjuntas entre o MPRO, organizações sociais e bancos participantes, com o objetivo de ampliar a prevenção e fortalecer a rede de apoio às mulheres.
Com informações de: Ministério Público Federal
