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CRIME ORGANIZADOTJRO participa de debate do CNJ sobre estratégias do Judiciário no combate ao crime organizado

TJRO participa de debate do CNJ sobre estratégias do Judiciário no combate ao crime organizado
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Evento reuniu magistrados, especialistas e autoridades para discutir desafios, investigação criminal e sistema prisional no enfrentamento às facções no Brasil

Por Yan Simon - quarta-feira, 25/03/2026 - 09h37

Porto Velho, RO – A necessidade de aprimorar a atuação institucional diante do avanço das organizações criminosas foi um dos pontos centrais debatidos durante encontro promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que contou com a participação de representantes do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO). O evento reuniu autoridades do Judiciário e especialistas para discutir medidas relacionadas à segurança pública, investigação criminal e sistema prisional.

Entre os participantes estiveram o presidente do TJRO, desembargador Alexandre Miguel, e o corregedor-geral, desembargador Glodner Luiz Pauletto. Também participaram as magistradas Cláudia Mara da Silva Faleiros Fernandes, juíza auxiliar da presidência, e Roberta Cristina Garcia Macedo, juíza auxiliar da corregedoria. O encontro, iniciado na segunda-feira (23), teve continuidade na terça-feira (24), com foco na formulação de estratégias institucionais voltadas ao enfrentamento do crime organizado.

Durante a programação, foram discutidos aspectos relacionados à persecução penal e à necessidade de integração entre diferentes instituições. O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, delegado Dennis Cali, destacou que a resposta ao problema depende da atuação conjunta entre órgãos. Segundo ele, apenas a soma de esforços pode ampliar a efetividade das ações contra a criminalidade organizada.

A procuradora de Justiça Ana Lara Camargo também ressaltou a importância da articulação entre setores. Ao abordar a realidade do Mato Grosso do Sul, ela mencionou a construção da rota bioceânica de capricórnio, que ligará o Porto de Santos a portos do Chile, passando por Paraguai e Argentina. De acordo com a procuradora, além do potencial econômico, é necessário avaliar possíveis impactos da obra na dinâmica do crime organizado.

O evento também tratou da complexidade das facções no país. A desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, apresentou o conceito jurídico de crime organizado previsto na legislação e abordou a Lei Antifacção, destacando mudanças e dispositivos mantidos. Ela observou que atualmente existem 88 facções mapeadas no Brasil, com presença em todos os estados, além de destacar a influência do contexto geopolítico, especialmente em regiões de fronteira com países produtores de drogas.

No campo acadêmico, o presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, apontou que as organizações criminosas exercem domínio territorial e operam atividades econômicas com grande volume financeiro. Ele alertou para o risco de a economia nacional ser impactada por essa lógica. Ainda segundo Lima, o Judiciário precisa se estruturar de forma dinâmica para compreender tanto crimes já conhecidos quanto aqueles que passam a seguir a lógica das facções. Para ele, trata-se de um problema com tendência de crescimento.

O sistema prisional também foi tema de debate. O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, coronel Marcello Streifinger, e a juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, apresentaram a situação carcerária em suas unidades. A mediação foi realizada pelo desembargador Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ.

Durante a discussão, Lanfredi relembrou que o Supremo Tribunal Federal classificou o sistema prisional brasileiro como um estado inconstitucional de coisas, caracterizado por violações generalizadas de direitos fundamentais. Ele destacou a importância do Plano Pena Justa, iniciativa do CNJ em conjunto com o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, voltada à reestruturação do sistema e ao enfrentamento de problemas como a superlotação. Segundo o magistrado, o plano representa um marco ao propor diretrizes para organização do sistema prisional no país.

Com informações de: Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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