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Estudo aponta que mais de 95% dos resíduos no Brasil ainda não são reaproveitados

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Pesquisa financiada pela Finep mapeia composição do lixo no país e busca ampliar inserção de materiais na economia

Por Yan Simon - quarta-feira, 08/04/2026 - 11h29

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Porto Velho, RO – A baixa taxa de reaproveitamento de resíduos no Brasil é um dos pontos centrais de um estudo em andamento que pretende mapear o potencial econômico do material descartado no país. Atualmente, apenas cerca de 5% das 215 mil toneladas de resíduos geradas diariamente nas residências brasileiras retornam à cadeia produtiva.

O levantamento, considerado o mais abrangente já realizado no país sobre o tema, foi encomendado por uma empresa privada interessada em identificar oportunidades de valorização de materiais que hoje seguem para aterros sanitários e lixões. A iniciativa busca transformar esses resíduos em matéria-prima para novos processos produtivos.

Na etapa inicial, foram coletadas amostras em diferentes cidades para análise da composição dos resíduos urbanos. A metodologia utilizada, conhecida como gravimetria, revelou que mais de 50% do material descartado é composto por alimentos. Também foram identificados 13% de plástico, 17% de papel e papelão, além de 9% de vidro, entre outros itens.

Segundo o diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery, a análise da composição é apenas parte do diagnóstico. Ele afirmou que o estudo também pretende identificar a demanda existente para esses materiais e compreender como funciona o mercado atual. De acordo com ele, ainda há grande volume de resíduos domiciliares que não é direcionado para cadeias produtivas já estabelecidas.

A pesquisa recebeu financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O gerente de Transição Energética da Finep, Paulo José Resende, explicou que a linha de crédito disponibilizada tem como objetivo estimular investimentos em inovação e tecnologia em diferentes setores da economia, ampliando a competitividade e gerando benefícios sociais.

Além do estudo, os recursos também contemplam a implantação de um Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR) em Aquiraz, no Ceará, a cerca de 30 quilômetros de Fortaleza. A estrutura deverá incluir processos como compostagem, tratamento de chorume para produção de água destilada e sistemas de triagem e separação de resíduos.

Ao todo, foram destinados R$ 84 milhões para dois projetos, incluindo a pesquisa, que tem previsão de conclusão em setembro. Os projetos financiados passam por avaliação criteriosa, que considera capacidade financeira, inovação proposta e impactos socioambientais.

Resende destacou que, neste ano, a Finep dispõe de cerca de R$ 30 bilhões para investimentos em ciência, tecnologia e inovação, voltados a empresas interessadas em avançar tecnologicamente e incorporar soluções inovadoras às suas atividades.

Outra linha de apoio financeiro disponível é o programa Mais Inovação Brasil, que oferece recursos não reembolsáveis voltados a iniciativas de inovação, economia circular e descarbonização. Segundo o gestor, esse tipo de financiamento permite o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas, mesmo com maior grau de incerteza.

A Finep mantém aberta até 31 de agosto uma nova rodada de seleção do programa, com oferta de R$ 150 milhões. Para participar, é necessário realizar cadastro online. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o total de recursos previstos no âmbito do programa chega a R$ 108 bilhões.

Com informações de: Agência Brasil

AUTOR: YAN SIMON (DRT 2240/RO) – LinkedIn





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